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	<title>Filosofia e Vertigem</title>
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		<title>Filosofia e Vertigem</title>
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		<title>Série Análise: Breves considerações sobre a arte em Nietzsche</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 19:10:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Christiane Forcinito . O primeiro livro em que Nietzsche escreve se refere a arte. Em “O nascimento da tragédia” ele explora a noção da dualidade de dois princípios artísticos: O “apolíneo” e o “dionisíaco”. O fio condutor do tema é a música e ele tem como objetivo encontrar uma resolução sobre o surgimento e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=579&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/nietzsche-1.gif"><img class="alignnone size-medium wp-image-581" title="nietzsche (1)" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/nietzsche-1.gif?w=300&#038;h=176" alt="" width="300" height="176" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Por Christiane Forcinito</p>
</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">O primeiro livro em que Nietzsche escreve se refere a arte. Em “O nascimento da tragédia” ele explora a noção da dualidade de dois princípios artísticos: O “apolíneo” e o “dionisíaco”. O fio condutor do tema é a música e ele tem como objetivo encontrar uma resolução sobre o surgimento e o desaparecimento da tragédia grega.</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">A arte para Nietzsche é algo inerente a vida, isto é, partindo do pressuposto por ele analisado sobre a noção central de vontade de poder , a arte significa o que é a vida. E ele tem um compromisso tanto com a arte como com a vida unindo estas com a vontade como força motriz. Assim ele demonstra no primeiro parágrafo da obra aqui citada:</div>
<div style="text-align:justify;"><em> </em></div>
<div style="text-align:justify;"><em>” Teremos ganhado muito a favor da ciência estética se chegarmos não apenas à intelecção lógica, mas à certeza imediata da introvisão de que o contínuo desenvolvimento da arte está ligado à duplicidade do “apolíneo” e do “dionisíaco”, da mesma maneira como a procriação depende da dualidade dos sexos, em que a luta é incessante e onde intervém periódicas reconciliações. Tomamos estas denominações dos gregos, que tornaram perceptíveis à mente perspicaz os profundos ensinamentos secretos de sua visão da arte, não, a bem dizer, por meio de conceitos, mas nas figuras de clareza penetrante de seu mundo dos deuses.”</em></div>
<div style="text-align:justify;"><em><br />
</em></div>
<div style="text-align:justify;">Este texto é uma breve introdução e explicação da idéia de Nietzsche e a arte não só para a simples compreensão do leitor aqui, mas como também um resgistro meu a fim de que os textos aqui escritos contribuam para minha futura tese.</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">Nietzsche começa dissertando sobre o drama musical grego e onde há a oposição do dionisíaco ao apolíneo. Ele diz que viver o dionisíaco é experimentar o lado mais dramático da existência, ou seja, deixar-se viver pela exarcebação dos sentidos. O deus Dionísio é o deus do vinho e da festa, ou seja, o dionisíaco é o lado apolíneo com o pulsar cósmico da vida. Nela não há fronteiras e limites para a vida. É o instinto, a inspiração e a ação.</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">Segundo o filósofo, os deuses gregos eram necessários para os gregos, pois eles legitimava existência humana mostrando a vida sob uma ótica gloriosa. E com isso a arte grega cumpriria bem o seu papel ( como a arte deve ser segundo o autor) pois, transmitia ao receptor da arte a experiência estética do artista criador.</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">O apolíneo e o dionisíaco faz parte da estética ativa nietzscheneana pois são observados como par fundamental de impulsos artísticos da natureza, o qual geram estados fisiológicos vitais, estados de sensibilidade tanto no artista quanto no que contempla a obra.</div>
<div style="text-align:justify;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/mg_3638_b.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-582" title="_mg_3638_b" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/mg_3638_b.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a>Uma questão que deve ser analisada é o fato do dionísíaco ser encarada apenas como o “lado bacanal” da vida e o apolíneo como o correto, certo, equilibrado. É aí que cometem-se erros na interpretação da filosofia da arte em Nietzsche, pois ambos andam de mãos dadas entre si como forças cósmicas que fazem parte da nossa vida e do nosso ser.</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">Ambas forças se referem a própria vida, isto é, aos ciclos da vida, como nascer, crescer, se subsistir, reproduzir e morrer. Para fazê-los sentir o que Nietzsche quis dizer eis uma citação de Goethe que se enquadra bem no que quis explicar até aqui:</div>
<div style="text-align:justify;"><em> .</em></div>
<div style="text-align:justify;"><em>“Nas ondas da vida, na tempestade das ações, subo e desço, teço aqui e ali, nascimento e morte, um mar eterno, uma vida de mudança! Assim crio no estrepitoso mar do tempo”.</em></div>
<div style="text-align:justify;"><em>. </em></div>
<div style="text-align:justify;">A principal questão da arte em Nietzsche é o também o poder instaurador da arte, assim como o artista é o divinizador da vida. A arte possui raízes profundas nas quais o intelecto não consegue chegar, isto é, segundo o filósofo, a linguagem da arte nasce de dentro para fora. O intelecto está contrário às coisas exteriores, que mesmo retirando as técnicas e fantasmas da experiência tentando de alguma forma racionalizar ou justificar, ainda assim não há como acessar suas fontes internas.</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">A linguagem artística é a erupção da vida, o sentir das próprias forças cósmicas da vida. É o apolíneo e o dionisíaco, o Deus que dança, ou seja, é o homem que diviniza sua própria vida em um amor mais que incondicional a ponto de desejá-la que aconteça infinitas vezes a mesma alegria e a mesma dor no eterno retorno…</div>
<div style="text-align:justify;">.</div>
<div style="text-align:justify;">Em suma a arte em Nietzsche nada mais é do que um ode à vida e às forças que nos conduzem.</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/579/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=579&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A sabedoria dionisíaca instintiva e inconsciente na linguagem do pathos filosófico</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 18:59:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia e música]]></category>
		<category><![CDATA[Nascimento da Tragédia no Espírito da Música]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Pathos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Thiago Rodrigues Em memória do grande maestro Danilo Di Manno de Almeida “Povo miserável! É culpa minha se em vosso meio vaguei como uma cigana pelos campos e tenho de me esconder e disfarçar, como se eu fosse a pecadora e vós os meus juízes? Vede minha irmã, a Arte! Ela está como eu, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=571&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/nietzsche.gif"><img class="alignnone size-medium wp-image-572" title="nietzsche" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/nietzsche.gif?w=180&#038;h=170" alt="" width="180" height="170" /></a><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/nietzsche.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-573" title="Nietzsche" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/nietzsche.jpg?w=180&#038;h=157" alt="" width="180" height="157" /></a></p>
<p>Por Thiago Rodrigues</p>
<p><em>Em memória do grande maestro Danilo Di Manno de Almeida</em></p>
<p style="text-align:justify;" align="right"><em>“Povo miserável! É culpa minha se em vosso meio vaguei como uma cigana pelos campos e tenho de me esconder e disfarçar, como se eu fosse a pecadora e vós os meus juízes? Vede minha irmã, a Arte! Ela está como eu, caída entre bárbaros e não sabemos mais nos salvar. Aqui nos falta, é verdade, justa causa; mas os juízes diante dos quais encontraremos justiça têm também jurisdição sobre vós, e vos dirão: Tendes antes uma civilização, e então ficareis sabendo vós também o que a filosofia quer e pode.” (Nietzsche, A Filosofia Trágica na Época dos Gregos, §2)</em></p>
<p style="text-align:justify;">Talvez a única maneira de se fazer filosofia seja eliminando o dualismo entre corpo e alma, ou melhor, entre pensamento e vida. Se assim o é, então nossas vivências, nossa biografia, é parte fundamental no processo filosófico. Sendo assim, permito-me iniciar esta breve reflexão apresentando algo acerca da minha própria experiência com a filosofia.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha aproximação com a filosofia se deu, primeiramente, através da literatura, e sempre me causou estranhamento a pretensa objetividade e veracidade do discurso filosófico. Sempre me senti inclinado a ver mais verdade em um poema do que numa tese defendida de forma objetiva através do discurso científico corrente. Talvez a pergunta que mais tenha me incomodado seja: quais são os limites da linguagem filosófica? Até que ponto ela representa(ou pode representar) a verdade? Qual é o alcance dessa objetividade científica?</p>
<p style="text-align:justify;">Partindo desta problemática, gostaria de retomar a reflexão apresentada por Nietzsche no aforismo §13, de <em>O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música</em>, em que o filósofo, ao fazer uma crítica à Sócrates, faz uma crítica ao discurso normativo do <em>lógos</em> racional. Deste modo, com Sócrates, há uma inversão fundamental. Aquilo que deveria orientar o saber humano, isto é, o instinto, passa a ser determinado pelo entendimento, ou seja, pelo discurso racional. Portanto, como diz o filósofo, <em>“Enquanto em todos os homens produtivos o instinto é precisamente a força criadora-afirmativa e a consciência se porta como crítica e dissuasiva, em Sócrates é o instinto que se torna crítico e a consciência, criadora[...]”</em>(Nietzsche, 1978a, p. 12, §13). Deste modo, a tradição filosófica ocidental teria privilegiado o discurso racional em detrimento do instinto criador.</p>
<p style="text-align:justify;">Parece que aqui é posto um novo dualismo, só que agora entre entendimento e instinto, e que em Nietzsche aparece representado nas figuras de Apolo e Dioniso. No entanto, se não há separação entre vida e pensamento também não existe separação entre o apolíneo e o dionisíaco, o que ocorre é essa supervalorização do âmbito racional da existência em detrimento da intuição ou da “irracionalidade”.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o que são esses dois âmbitos da existência, o <em>lógos</em>racional e o instinto criador-afirmativo?</p>
<p style="text-align:justify;">Não me deterei no que diz respeito ao <em>lógos</em> racional – que chamarei de entendimento tal como proposto por Kant dentro de uma perspectiva Iluminista e que, portanto, privilegia o discurso racional – por se tratar da maneira como convencionalmente nos aproximamos do saber humano.</p>
<p style="text-align:justify;">Em contraposição ao <em>lógos</em>racional gostaria de introduzir a noção de “<em>pathos filosófico”</em>. Ora, se o lógos racional aparece como discurso normativo, o <em>pathos</em> filosófico representa a força criadora-afirmativa. Vinculado à sensibilidade e ao âmbito irracional do saber humano o<em>pathos</em> filosófico talvez encontre na arte a dimensão privilegiada para manifestar-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Parece-me que através da sensibilidade podemos expressar algo para além daquilo que o entendimento é capaz de expressar. Assim, a angústia diante da morte expressa em <em>A Morte de Ivan Ilitch</em>, de Tolstoi, por exemplo, não encontra paralelo dentro da perspectiva cientificista da filosofia racionalista. E isso não significa que o <em>pathos</em> filosófico desqualifique o <em>lógos</em> racional, e sim, que através dele podemos comunicar o “incomunicável”, podemos ir mais além.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/sax.jpg"><img class="size-medium wp-image-575 alignleft" title="sax" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/sax.jpg?w=210&#038;h=210" alt="" width="210" height="210" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Será? Nietzsche atribui à música o papel de expressar tragicamente o mundo, ou melhor, a música é entendida como a pura expressão do mundo. Aceitando esse pressuposto é <em>“somente como um fenômeno estético que a existência e o mundo aparecem como legitimados”</em>(Nietzsche, 1978a, p. 21, §24). Em outras palavras é só enquanto fenômeno estético que se atribui sentido à vida, e que assim, talvez tenhamos que encarar a vida como a criação de uma obra de arte. Portanto, a arte é a única <em>“capaz de converter aqueles pensamentos de nojo sobre o susto e o absurdo da existência em representações com as quais se pode viver”</em>(Nietzsche, 1978a, p. 9, §7)<em>.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Se, como aparece no inicio deste texto, não há separação entre vida e pensamento, então temos que encarar o pensamento também como a criação de uma obra de arte, tal como no espírito trágico descrito por Nietzsche. Sendo assim, o que busco ao usar a expressão “pathos filosófico” é resgatar a <em>“sabedoria dionisíaca instintiva e inconsciente na linguagem da imagem”</em>(Nietzsche, 1978a, p. 17, §16), ou seja, defender que é através da imagem “não-racional” da arte que a filosofia comunica o “incomunicável”.</p>
<p style="text-align:justify;">Se pensarmos essa compreensão dentro da produção filosófica, podemos dizer que existem filósofos que buscam privilegiar a objetividade da linguagem científica, e outros que, por sua vez, privilegiam o <em>pathos</em> filosófico descrito, como forma de realizarem sua filosofia. E é nesse segundo modo de fazer filosofia que Nietzsche se encontra.</p>
<p style="text-align:justify;">Para os pensadores que transitam entre a objetividade do discurso científico e a sensibilidade do <em>pathos</em> filosófico, ou melhor, que compreendem que não há separação entre esses dois âmbitos, a expressão puramente lógica não dá conta do seu pensamento e por isso há a necessidade de introduzirem elementos afetivos, característicos do discurso artístico. Para ficarmos no exemplo de Nietzsche, quem é capaz de negar o alcance expressivo de sua filosofia que se apresenta através de aforismos que muitas vezes estão mais para a poesia do para a filosofia[1], ou ao menos, em relação aquilo que tradicionalmente entendemos por filosofia.</p>
<p style="text-align:justify;">E essa postura significa não apenas abordar as questões afetivas ou que dizem respeito à sensibilidade, mas também, e principalmente, incorporá-las no interior da racionalidade como elemento de interpretação do mundo e da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">E é fundamental dizer que não se trata de entender a arte como porta de acesso ao pensamento, como uma forma de ilustrar teses filosóficas, e sim, cabe reforçar, como forma de expressar para além do que a linguagem objetiva é capaz. Assim, não é que Nietzsche diz sua filosofia através da poesia implícita em seus aforismos, mas que seu pensamento é a própria poesia em forma de aforismos.</p>
<p style="text-align:justify;"> Posto estes pressupostos gostaria de levar essa breve reflexão para o plano da educação, para tanto, utilizarei mais uma citação de Nietzsche (1978, p. 17 e 18 Grifo meu) em <em>O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música</em>, aforismo §18:</p>
<p style="text-align:justify;">Todo nosso mundo moderno está preso na rede da civilização alexandrina e <strong>conhece como ideal o homem<em>teórico</em></strong>, equipado com os máximos poderes de conhecimento, trabalhando a serviço da ciência, cujo protótipo e ancestral é Sócrates. Todos os nossos meios de educação têm em vista, primordialmente, esse ideal. [...]</p>
<p style="text-align:justify;">Esta citação me interessa, principalmente, porque introduz a crítica de Nietzsche à figura do <em>“erudito”</em>. Para o filósofo, essa educação pautada pelo ideal do homem teórico busca <em>“adestrar”</em> o jovem para ser erudito, ou seja, o educa para a <em>“prova de filosofia”</em>, para que ele se torne um professor de história da filosofia, um reprodutor do pensamento tradicional, e não para a prática filosófica, para uma filosofia da(e na) vida.[2] Desse modo, o erudito é entendido como o reprodutor do pensamento acumulado ao longo dos anos pela tradição filosófica ocidental tendo como função reproduzi-lo e passá-lo adiante.</p>
<p style="text-align:justify;">Dessa reflexão Nietzsche lança uma crítica crucial – e talvez hoje mais do que nunca – ao papel do Estado dentro do processo educacional: E se <em>“a ‘educação para a filosofia’, em vez de conduzir a ela, servisse para afastar da filosofia?” </em>(Nietzsche, 1978b, p. 81, §8).</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não me deterei nesta crítica, pois não diz respeito diretamente ao tema desta reflexão, embora esteja à ela relacionada. Gostaria de retomar, portanto, o papel do<em>pathos</em> filosófico, só que agora, no âmbito educacional.</p>
<p style="text-align:justify;">Fica claro que o ideal de homem teórico descrito por Nietzsche e que foi eleito como o ideal de educação dentro da tradição ocidental remete ao que chamei de discurso normativo do <em>lógos</em> racional, ou seja, o homem teórico é o homem científico, racional e objetivo, é, portanto, o erudito.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez devêssemos resgatar a intuição e a espontaneidade como princípios fundamentais para uma educação para a vida. Uma educação para a vida é aquela que não se pauta por nenhum ideal e que, ao contrário, busca na força criadora-afirmativa um instinto básico e completamente imprevisível que encare a educação, assim como a própria vida, como ato criador, tal como acontece com a criação de uma obra de arte.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma educação encarada como criação se apresentaria como uma espécie de antídoto ao cientificismo corrente dentro de nossa tradição. Assim, uma instrução artística – que talvez também pudesse ser chamada de dionisíaca -, resgataria a beleza e o sentido dado à existência. E o mais importante, e que é um dos pontos em que a arte mais se diferencia da ciência, é que a arte apresenta uma imagem da vida como um todo. Portanto, o filósofo é aquele que afirma a vida em seu conjunto, é aquele que lê sua própria vida na imagem da vida em sua totalidade. Ou então, aproveitando a imagem utilizada por Nietzsche, enquanto o erudito olha para um quadro e vê as tintas, a técnica utilizada, e os materiais, o filósofo vê a <em>“pintura universal da vida e da existência”</em>em seu todo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o que possibilitaria essa educação dionisíaca? Ora, se é através do <em>pathos</em> filosófico que a “<em>sabedoria”</em> se mostra de forma “<em>dionisíaca instintiva e inconsciente na linguagem da imagem”, </em>então é preciso encarar a educação e a cultura como sendo inseparáveis. É preciso que a educação esteja de tal modo integrada à cultura que esta possa fomentar naquela um desenvolvimento sadio e afirmador da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Encarar a educação e a cultura como inseparáveis significa trazer a arte, em especial no diz respeito a criação, para o “ambiente escolar”, ou seja, fazer da educação um ato criador no qual cada sujeito é autor de sua própria formação, caracterizando um processo de formação de si de forma criativa e autônoma, nesse sentido, o professor não passaria de um provocar e de um interlocutor.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, retorno as questões levantadas no início desta reflexão e que remetem aos princípios apolíneo e dionisíaco do saber humano. No qual Apolo representa o<em>lógos</em> racional, as formas, os limites, enquanto que Dioniso representa o <em>pathos</em> filosófico, o instinto, o impulso, a embriaguez. E é da síntese destes dois princípios que surge o saber humano. No entanto, para Nietzsche, houve um descompasso entre esses dois princípios, e a tradição ocidental privilegiou a racionalidade em detrimento do instinto, como conseqüência herdamos uma educação enferma e que, portanto, só pode gerar “doentes”.</p>
<p style="text-align:justify;">Deste quadro recoloco as questões: quais são os limites da linguagem filosófica?</p>
<p style="text-align:justify;">Só existe verdade dentro do discurso científico? Até que ponto essa objetividade científica dá conta de expressar o pensamento filosófico e, em última instância, a vida? E ainda, é possível ensinar filosofia ou só a filosofar? Isto é, se coloco a filosofia como algo já construído não impossibilito ao estudante de filosofia a prática filosófica?</p>
<p style="text-align:justify;">É nesse sentido que acredito que o <em>pathos</em> filosófico apresenta uma alternativa dentro do processo de formação, resgatando a intuição e a subjetividade como forma de acesso à uma educação que prepare para a vida e não apenas para a teoria. Transformando todo impulso vital em técnica e erudição, a educação nega aquilo que o homem tem de mais nobre que é a “vontade de vida”.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/partitura.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-574" title="partitura" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/partitura.jpg?w=120&#038;h=79" alt="" width="120" height="79" /><img src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/partitura.jpg?w=120&#038;h=79" alt="" width="120" height="79" /><img src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2011/05/partitura.jpg?w=120&#038;h=79" alt="" width="120" height="79" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Notas:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">[1] Para ilustrar essa tese gostaria de citar integralmente o aforismo §341 de <em>A Gaia Ciência, </em>p. 230<em>,</em> por sua qualidade estética e por sua capacidade de expressar o “incomunicável”: <em>“O mais pesado dos pesos. – E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: ‘Esta vida, assim como tu a vives e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e grande em tua vida há de retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!’ – Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: ‘Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!’ Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta diante de tudo e de cada coisa: ‘Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?’ pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem consigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>[2] </em>Para corroborar essa tese gostaria de citar um trecho, um tanto longo, de <em>Schopenhauer como Educador</em>, §8, p. 81, de <em>Considerações Extemporâneas</em>: <em>“E, por fim, em que nesse mundo importa aos nossos jovens a história da filosofia? Será que eles devem, pela confusão das opiniões, ser desencorajados de terem opiniões? Será que devem ser ensinados a participar do coro do júbilo: como chegamos tão esplendidamente longe? Será que, porventura, devem aprender a odiar ou desprezar a filosofia? Quase se poderia pensar este último, quando se sabe como os estudantes têm de se martirizar por causa de suas provas de filosofia, para imprimir as idéias mais malucas e mais espinhosas do espírito humano, ao lado das mais grandiosas e mais difíceis de captar, em seu pobre cérebro. A única crítica de uma filosofia que é possível e que além disso demonstra algo, ou seja, ensaiar se se pode viver segundo ela, nunca foi ensinada em universidades: mas sempre a crítica de palavras com palavras. E agora pense-se em uma cabeça juvenil, sem muita experiência da vida, em que cinqüenta críticas desses sistemas são guardados juntos e misturados – que aridez, que selvageria, que escárnio, quando se trata de uma educação para a filosofia! Mas, de fato, todos reconhecem que não se educa para ela, mas para uma prova de filosofia: cujo resultado, sabidamente e da hábito, é que quem sai dessa prova – ai, dessa provação! – confessa a si mesmo com um profundo suspiro: ‘Graças a Deus que não sou um filósofo, mas cristão e cidadão do meu Estado!’”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Referências Bibliográficas: </strong></p>
<p style="text-align:justify;">ALMEIDA, Danilo Di Manno de. <em>Subjetividade e Discurso da Qualidade Educacional: Contra a Difamação do Docente.</em>Revista do COGEIME, v. 14, p. 95-105, 2005.</p>
<p style="text-align:justify;">DIAS, Rosa Maria. <em>Cultura e Educação no Pensamento de Nietzsche.</em> Impulso, Piracicaba, v.12, n. 28, p. 33-40, 2001.</p>
<p style="text-align:justify;">NIETZSCHE, Friedrich. <em>O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música</em>. Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1978a. 2ª Ed. (Col. Os Pensadores)</p>
<p style="text-align:justify;">___________. <em>Schopenhauer como Educador. In: Considerações Extemporâneas.</em>Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1978b. 2ª Ed. (Col. Os Pensadores)</p>
<p style="text-align:justify;">___________. <em>A Gaia Ciência.</em> Tradução e notas de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001</p>
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		<title>A Filosofia Moderna, segundo Marilena Chauí</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 20:04:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[Por Marilena Chauí] 1. Problemas de cronologia: Quando começa a &#8220;filosofia moderna&#8221;? Freqüentemente, os historiadores da filosofia designam como filosofia moderna aquele saber que se desenvolve na Europa durante o século XVII tendo como referências principais o cartesianismo — isto é, a filosofia de René Descartes —, a ciência da Natureza galilaica — isto é, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=507&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/francis-bacon.jpg"></a>[Por Marilena Chauí]</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>1. Problemas de cronologia: Quando começa a &#8220;filosofia moderna&#8221;?</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Freqüentemente, os historiadores da filosofia designam como <em>filosofia</em> <em>moderna</em> aquele saber que se desenvolve na Europa durante o século XVII tendo como referências principais o <em>cartesianismo</em> — isto é, a filosofia de René Descartes —, a ciência da Natureza <em>galilaica</em> — isto é, a mecânica de Galileu Galilei —, a nova idéia do conhecimento como síntese entre observação, experimentação e razão teórica <em>baconiana</em> — isto é, a filosofia de Francis Bacon — e as elaborações acerca da origem e das formas da soberania política a partir das idéias de direito natural e direito civil <em>hobbesianas</em> — isto é, do filósofo Thomas Hobbes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No entanto, a cronologia pode ser um critério ilusório, pois o filósofo Bacon publica seus <em>Ensaios</em> em 1597, enquanto o filósofo Leibniz, um dos expoentes da filosofia moderna, publica a <em>Monadologia</em> e os <em>Princípios da Natureza e da Graça</em> em 1714, de sorte que obras essenciais da modernidade surgem antes e depois do século XVII. Muitos historiadores preferem localizar a filosofia moderna no período designado como <em>Século de Ferro</em>, situado entre 1550 e 1660, tomando como referência as grandes transformações sociais, políticas e econômicas trazidas pela implantação do capitalismo, enquanto outros consideram decisivo o período entre 1618 e 1648, isto é, a Guerra dos Trinta Anos, que delineia a paisagem política e cultural da Europa moderna.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/filosofia-moderna-1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-508" title="Filosofia Moderna 1" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/filosofia-moderna-1.jpg?w=300&#038;h=226" alt="" width="300" height="226" /></a>Entretanto, essas datas e períodos podem convidar a um novo equivoco, qual seja, o de estabelecer uma relação causal direta entre acontecimentos sócio-políticos e a constituição dos conhecimentos filosóficos, científicos e técnicos, ou a criação artística. Relação entre eles, sem dúvida, existe. Mas não é linear nem causal: idéias e criações podem estar em avanço ou em atraso com relação aos acontecimentos sócio-políticos e econômicos, não porque pensadores e artistas sejam criaturas fora do espaço e do tempo, mas porque tudo depende da maneira como enfrentam questões colocadas por sua época, indo além ou ficando aquém delas. Em resumo, a relação entre uma obra e seu tempo não é a do mero reflexo intelectual de realidades sociais dadas. Um pensador e um artista se dirigem aos seus contemporâneos, mas isto não significa que sejam, em suas idéias e criações, contemporâneos de seus destinatários. Captam as questões colocadas por sua época, mas isto não significa que sua época capte as respostas por eles encontradas ou criadas. Por esses motivos, muitos historiadores das idéias consideram que pensadores e artistas, afinal, criam seu próprio público, as obras produzem seus destinatários, tanto os contemporâneos quanto os pósteros.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A cronologia pode ser enganadora quando pretendemos traçar os contornos de uma época de pensamento. Assim, por exemplo, a inauguração da idéia moderna da política como compreensão da origem humana e das formas do Poder, como compreensão do Poder enquanto solução que uma sociedade dividida internamente oferece a si mesma para criar simbolicamente uma unidade que, de fato, não possui, é uma inauguração bem anterior ao século XVII, pois foi feita por Maquiavel. Por outro lado, a idéia de que a política é uma esfera de ação laica ou profana, independente da religião e da Igreja, tema caro aos filósofos modernos, foi desenvolvida no final da Idade Média por um jurista como Marsílio de Pádua. Também a idéia do valor e da importância da observação e da experiência para o conhecimento humano aparece nos fins da Idade Média com filósofos como Roger Bacon ou Guilherme de Ockam. A extrema valorização da capacidade da razão humana para conhecer e transformar a realidade — a confiança numa <em>ciência ativa</em> ou prática em oposição ao <em>saber contemplativo</em> — é uma das características principais do chamado <em>Humanismo</em>, desenvolvido durante a Renascença. Em contraposição à perspectiva medieval, que era <em>teocêntrica</em> (Deus como centro do conhecimento e da política), os humanistas procuram laicizar o saber, a moral e a política, tomando como centro o <em>Homem Virtuoso</em>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para contornar essas dificuldades, muitos historiadores da filosofia se habituaram a designar o Renascimento como um <em>período de transição</em> para a modernidade ou a ruptura inicial face ao saber medieval que preparou o advento da filosofia moderna. Nesta perspectiva, o Renascimento apresentaria duas características principais: por um lado, seria um momento de grandes conflitos intelectuais e políticos (entre platônicos e aristotélicos, entre humanistas ateus e humanistas cristãos, entre Igreja e Estado, entre academias leigas e universidades religiosas, entre concepções geocêntricas e heliocêntricas, etc.), e, por outro lado, um momento de indefinição teórica, os renascentistas não tendo ainda encontrado modos de pensar, conceitos e discussões que tivessem abandonado definitivamente o terreno das polêmicas medievais. O Renascimento teria sido época de grande efervescência intelectual e artística, de grande paixão pelas novas descobertas quanto à Natureza e ao Homem, de redescobertas do saber greco-romano liberado da crosta interpretativa com que o cristianismo medieval o recobrira, de desejo de demolir tudo quanto viera do passado, desejo favorecido tanto pela chamada <em>Devoção Moderna</em> (a tentativa de reformar a religião católica romana sem romper com a autoridade papal) quanto pela <em>Reforma Protestante</em> e pelas guerras de religião, que abalaram a idéia de unidade européia como unidade político-religiosa e abriram as portas para o surgimento dos Estados Territoriais Modernos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/descartes1.jpg"></a><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/galileu-galilei.jpg"><img class="alignright" title="Galileu Galilei" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/galileu-galilei.jpg?w=300&#038;h=242" alt="" width="300" height="242" /></a> </span></p>
<p><span style="color:#000000;"> </span> </p>
<blockquote><p> </p>
<h3 style="text-align:right;"><span style="color:#000000;">[Galileu Galilei]</span></h3>
<p style="text-align:right;"> </p>
<p> </p></blockquote>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ao mesmo tempo, no entanto, a indefinição e os conflitos teriam feito da Renascença um período de <em>crise</em>. Em primeiro lugar, crise da consciência, pois a descoberta do universo infinito por homens como Giordano Bruno deixava os seres humanos sem referência e sem centro; em segundo lugar, crise religiosa, pois tanto a Devoção Moderna quanto a Reforma Protestante criaram infinidade de tendências, seitas, igrejas e interpretações da Sagrada Escritura, dos dogmas e dos sacramentos, de modo que a referência à idéia de Cristandade, central desde Carlos Magno, se perdera; em terceiro lugar, crise política, pois a ruptura do centro cósmico (o universo é infinito), a perda do centro religioso (o papado), a perda do centro teórico (geocentrismo, aristotelismo tomista, mundo hierárquico de seres e de idéias) foi também a perda do centro político (o Sacro Império Romano Germânico destroçado pelos reinos modernos independentes e pelas cidades burguesas do capitalismo em expansão) e de suas instituições (papa, imperador, Direito Romano, Direito Canônico, relações sociais determinadas pela hierarquia da vassalagem entre os nobres e pela clara divisão entre senhores e servos, das relações econômicas definidas pela posse da terra e pela agricultura e pastoreio, com o artesanato urbano apenas subsidiário para o pequeno comércio dos burgos).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O resultado da transição, da indefinição e da crise, conforme muitos historiadores, foi o <em>ceticismo</em> <em>filosófico</em>, cujos maiores expoentes teriam sido Montaigne e Erasmo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Só muito recentemente, os historiadores das idéias e da história sócio-política desfizeram essa imagem da transitoriedade e indefinição renascentistas, mostrando haver o Renascimento criado um saber próprio, com conceitos e categorias novos e sem os quais a filosofia moderna teria sido impossível.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Assim, por exemplo, o historiador das idéias e das instituições européias, Michel Foucault, no livro <em>As Palavras e as Coisas</em> (<em>Les Mots et les Choses</em>), considera o Renascimento um período em que os conhecimentos são regulados por um conceito fundamental: o conceito de <em>Semelhança</em>, graças ao qual são pensadas as relações entre seres que constituem toda a realidade, motivo pelo qual ciências como a medicina e a astronomia, disciplinas como a retórica e a história, teorias sobre a natureza humana, a sociedade, a política e a teologia empregam conceitos como os de simpatia e antipatia (nas doenças e nos movimentos dos astros), de imitação ou emulação (entre os seres humanos, entre as coisas vivas, entre humanos e coisas, entre o visível e o invisível, como no caso da alquimia), conceitos que nada têm a ver com a &#8220;magia&#8221; como superstição, mas com a magia como forma de revelação do oculto pelos poderes da mente humana, isto é, a Semelhança define um certo tipo de <em>saber</em> e um certo tipo de <em>poder</em>. Também é central o conceito de <em>amizade</em>, como atração natural e espontânea dos iguais (animais, humanos) e que serve de referência para pensar-se a figura do tirano como inimigo do povo e criador de reinos regulados pela inimizade recíproca (forma de compreender as divisões sociais e os conflitos entre poder e sociedade).</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/descartes2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-512" title="Descartes" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/descartes2.jpg?w=180&#038;h=220" alt="" width="180" height="220" /></a></span></p>
</blockquote>
<p> </p>
<p><span style="color:#000000;"> </span></p>
<h3><span style="color:#000000;">[René Descartes]</span></h3>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A Natureza é pensada como um grande Todo Vivente, internamente articulado e relacionado pelas formas variadas da Semelhança, indo dos minerais escondidos no fundo da terra ao brilho dos astros no firmamento, das coisas aos homens, dos homens a Deus. Essa idéia de totalidade vivente se exprime na frase de Giordano Bruno: &#8220;A Natureza opera a partir do Centro&#8221; (<em>La Natura opra dal centro</em>). Essa mesma idéia permite distinguir uma história humana e uma história natural no sentido da diferença entre ações humanas, que têm poder de transformação sobre a realidade, e as ações que nada podem sobre a Natureza enquanto obra divina, idéia que se exprime na filosofia da história de Vico.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A  idéia de imitação aparece na teoria política quando alguns humanistas (sobretudo os humanistas cristãos como Erasmo e Thomas Morus) consideram que as qualidades (virtudes ou vícios) dos governantes são um espelho para a sociedade inteira, de tal modo que num regime tirânico os súditos serão tiranos também. Essa idéia de um imenso espelho reaparece no ensaio de La Boétie, <em>Discurso da Servidão Voluntária</em>, mas com uma grande inovação: não é o tirano que cria uma sociedade tirânica, mas é a sociedade tirânica (a sociedade onde homens desejam a servidão) que produz o tirano, o seu espelho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A imitação também aparece no grande prestígio da retórica que ensina a imitação dos grandes autores e artistas clássicos da antigüidade, mas não como repetição ou reprodução do que eles pensaram, escreveram ou fizeram, e sim como recriação a partir dos procedimentos antigos. A erudição, uma das principais características dos humanistas, não é acúmulo de informações, mas uma atitude polêmica perante a tradição (recusar a apropriação católica da cultura antiga). Isto aparece com grande clareza nos historiadores que procuram conhecer fontes primárias e documentos originais a fim de elaborar uma história objetiva e patriótica, isto é, uma <em>história nacional</em> que seja, por si mesma, a refutação da legitimidade da dominação da Igreja Romana e do Império Romano Germânico sobre os Estados Nacionais. A erudição também serve, juntamente com a retórica, para um tipo muito peculiar de imitação dos antigos: aquela que é feita pelos escritores com a finalidade de criar uma língua nacional culta, rica, bela e que substitua o imperialismo do latim. Assim, em todas as esferas das atividades culturais pode-se perceber que a famosa &#8220;renascença dos antigos&#8221; não tem uma finalidade nostálgica e sim polêmica e criadora, que diz respeito ao presente e às suas questões.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>2. Alguns aspectos do Renascimento, da Reforma e da Contra-Reforma</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Do lado do que denominamos Renascimento, encontramos os seguintes elementos definidores da vida intelectual: 1) surgimento de academias laicas e livres, paralelas às universidades confessionais, nas quais imperavam as versões cristianizadas do pensamento de Platão, Aristóteles, Plotino e dos Estóicos e as discussões sobre as relações entre fé e razão, formando clérigos e teólogos encarregados da defesa das idéias eclesiásticas; as academias redescobrem outras fontes do pensamento antigo, se interessam pela elaboração de conhecimentos sem vínculos diretos com a teologia e a religião, incentivam as ciências e as artes (primeiro, o classicismo e, depois da Contra-Reforma, o maneirismo); 2) a preferência pelas discussões<span style="text-decoration:underline;"> </span>em torno da clara separação entre fé e razão, natureza e religião, política e Igreja. Considera-se que os fenômenos naturais podem e devem ser explicados por eles mesmos, sem recorrer à continua intervenção divina e sem submetê-los aos dogmas cristãos (como, por exemplo, o geocentrismo, com a Terra imóvel no centro do universo); defende-se a idéia de que a observação, a experimentação, as hipóteses lógico-racionais, os cálculos matemáticos e os princípios geométricos são os instrumentos fundamentais para a compreensão dos fenômenos naturais (Bruno, Copérnico, Leonardo da Vinci sendo os expoentes dessa posição). Desenvolvem-se, assim, tendências que a ortodoxia religiosa bloqueara durante a Idade Média, isto é, o <em>naturalismo</em> (coisas e homens, enquanto seres naturais, operam segundo princípios naturais e não por decretos divinos providenciais e secretos); 3) interesse pela ciência ativa ou prática em lugar do saber contemplativo, isto é, crença na capacidade do conhecimento racional para transformar a realidade natural e política, donde o interesse pelo desenvolvimento das <em>técnicas</em> (respondendo a exigências intelectuais e econômicas da época, quando o capitalismo pede instrumentos que sejam aumentadores da capacidade das forças produtivas); 4) alteração da perspectiva da <em>fundamentação</em> do saber, isto é, passagem da visão teocêntrica (Deus como centro, principio, meio e fim do real) para a naturalista e para a humanista. Aqui, duas grandes linhas se desenvolvem: de um lado, a discussão sobre a essência da alma humana como racional e passional, de sua força e de seus limites, conduzindo àquilo que, mais tarde, seria conhecido como o <em>Sujeito do</em> <em>Conhecimento</em> ou a <em>Subjetividade</em>, que, no Renascimento, ainda se encontra mais próxima de uma &#8220;psicologia da alma&#8221; e de uma moral, enquanto na filosofia moderna estará mais voltada pelo que seria chamado de Epistemologia (dessa preocupação com o homem, Nicolau de Cusa, Ficino, Erasmo e Montaigne serão os grandes expoentes); e, de outro lado, a discussão em torno dos fundamentos naturais e humanos da política. Nesta, três linhas principais se desenvolvem. A primeira, vinda dos populistas e conciliaristas medievais e da história patriótica e republicana das cidades italianas, encontra seu ponto mais alto e controvertido em Maquiavel que, além de desmontar as concepções clássicas e cristãs sobre o &#8220;bom governante virtuoso&#8221; e de uma origem divina, ou natural ou racional do poder, funda o poder na divisão originária da sociedade entre os Grandes (que querem oprimir e comandar) e o Povo (que não quer ser oprimido nem comandado), a Lei sendo a criação simbólica da unidade social pela ação política e pela lógica da ação (e não pela força, como se costuma supor). Na segunda linha, a discussão se volta para a crítica do presente pela elaboração de uma outra sociedade possível-impossível, justa, livre, igualitária, racional perfeita — a utopia, cujos expoentes são Morus e Campanella. A terceira linha discute a política a partir dos conceito de direito natural e direito civil (linha que irá predominar entre os modernos), das causas das diferenças entre os regimes políticos e as formas da soberania, sendo seus expoentes Pasquier, Bodin, Grócio. Nas três linhas, encontramos a preocupação com a história, seja como prova de que outra sociedade é possível, seja como exame dos erros cometidos por outros regimes, seja como exemplo do que pode ser imitado ou conservado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/francis-bacon.jpg"><img class="alignright" title="Francis Bacon" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/francis-bacon.jpg?w=242&#038;h=300" alt="" width="242" height="300" /></a></strong></span></p>
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<h3 style="text-align:right;"><span style="color:#000000;">[Francis Bacon]</span></h3>
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<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Por seu turno, a Reforma destrói a crença (concretamente ilusória, pois jamais existente) da unidade da fé cristã, dos dogmas e cerimônias, e sobretudo da autoridade religiosa: questiona-se a autoridade papal e episcopal, questiona-se o privilégio de somente alguns poderem ler e interpretar os livros Sagrados, questiona-se que Deus tenha investido o papado do direito de ungir e coroar reis e imperadores, questionam-se dogmas e ritos (como a missa e até mesmo o batismo). O mundo cristão europeu cinde-se de alto a baixo em novas ortodoxias (luteranismo, calvinismo, anglicanismo, puritanismo) e em novas heterodoxias (anabatistas, menonitas, quakers, os &#8220;cristãos sem igreja&#8221;). As lutas religiosas não ocorrem apenas entre católicos e reformados, mas também entre estes últimos e particularmente entre eles e as pequenas seitas radicais e libertárias que serão freqüentemente dizimadas, com violência descomunal. Modifica-se a maneira de ler e interpretar a Bíblia, modifica-se a relação entre religião e política: todos devem ter o direito de ler o Livro Santo e nele Deus não declarou que a monarquia é o melhor dos regimes políticos. Dois resultados culturais decorrem dessa nova atitude: por um lado, o desenvolvimento de escolas protestantes para alfabetização dos fiéis, para que possam ler a Bíblia e escrever sobre suas próprias experiências religiosas, divulgando a nova e verdadeira fé (a panfletagem será uma das marcas características da Reforma, que produziu uma população alfabetizada); por outro lado, na fase inicial do protestantismo (que seria suplantada quando algumas seitas triunfassem e se tornassem dominantes), a defesa da idéia de comunidade, de república popular ou aristocrática e do direito político à resistência, isto é, da desobediência civil face ao papado e aos reis e imperadores católicos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Enfim, a Contra-Reforma, cuja expressão mais alta e mais eficaz será a Companhia de Jesus, define um novo quadro para a vida intelectual: por um lado, para fazer frente à escolaridade protestante, os jesuítas (mas não somente eles) enfatizam a ação pedagógico-educativa (não nos esqueçamos de Nóbrega e Anchieta ensinando índios a ler e a escrever!), e, por outro lado, enfatizam o direito divino dos reis, fortalecendo a tendência dos novos Estados Nacionais à monarquia absoluta de direito divino. É no quadro da Contra-Reforma, como renovação do catolicismo para combate ao protestantismo, que a Inquisição toma novo impulso e se, durante a Idade Média, os alvos privilegiados do inquisidor eram as feiticeiras e os magos, além das heterodoxias tidas como heresias, agora o alvo privilegiado do Santo Oficio serão os sábios: Giordano Bruno é queimado como herege, Galileu é interrogado e censurado pelo Santo Oficio, as obras dos filósofos e cientistas católicos do século XVII passam primeiro pelo Santo Oficio antes de receberem o direito à publicação e as obras dos pensadores protestantes são sumariamente colocadas na lista das obras de leitura proibida (o <em>Index</em>). A Contra-Reforma realizará, do lado católico, o mesmo que a Reforma triunfante, do lado protestante: o controle da atividade intelectual que o Renascimento liberara e que cultivara como liberdade de pensamento e de expressão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">É no interior desse contexto polêmico, freqüentemente autoritário e violento que se desenvolve a Filosofia Moderna do século XVII.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>3. Características gerais do saber no século XVII</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A expressão &#8220;filosofia moderna ou filosofia do século XVII&#8221; é uma abstração, como já sugerimos ao mencionar a questão da cronologia. Mas é também uma abstração se considerarmos as várias filosofias que polemizaram entre si nesse período, os filósofos concebendo a metafísica, a ciência da Natureza, as técnicas, a moral e a política de maneiras muito diferenciadas. No entanto, para quem olha de longe, é impossível não reconhecer a existência de um <em>campo de pensamento</em> e de um <em>campo discursivo</em> comuns a todos os pensadores modernos e no interior dos quais suas semelhanças e diferenças se configuram. É desse campo comum que falaremos aqui.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/gottfried-leibniz.jpg"></a>Convém não esquecermos que a distinção entre filosofia e ciência é muito recente (consolidou-se apenas nos meados do século XIX), de modo que os pensadores do século XVII são considerados <em>sábios</em> (e não intelectuais, noção que também é muito recente) e não separam seus trabalhos científicos, técnicos, metafísicos, políticos. Para eles, tudo isso constitui a filosofia e cada sábio costuma ser um pesquisador ou um conhecedor de todas as áreas de conhecimento, mesmo que se dedique preferencialmente mais a umas do que a outras. Essa relação entre as atividades levou o filósofo Merleau-Ponty a designar a filosofia moderna como a época do <em>Grande Racionalismo</em> para o qual as relações entre ciência da Natureza, metafísica, ética, política, espírito e matéria, alma e corpo, consciência e mundo exterior estavam articuladas porque fundadas num mesmo princípio que vinculava internamente todas as dimensões da realidade: a Substância Infinita, isto é, o conceito do Ser Infinito ou Deus.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Das características gerais do campo de pensamento e de discursos da Filosofia Moderna, destacaremos os seguintes: o significado da nova ciência da Natureza, os conceitos de causalidade e de substância, a idéia de método ou de <em>mathesis universalis</em>, e a idéia de razão, explícita ou implicitamente elaborada por tais pensadores.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>3.1. A nova Ciência da Natureza ou Filosofia Natural</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Num nível superficial, pode-se dizer que a nova Ciência da Natureza ou Filosofia Natural possui três características 1) passagem da ciência especulativa para a ativa, na continuidade do projeto renascentista de dominação da Natureza e cuja fórmula se encontra em Francis Bacon: &#8220;Saber é Poder&#8221;; 2) passagem da explicação qualitativa e finalística dos naturais para a explicação quantitativa e mecanicista; isto é, abandono das concepções aristotélico-medievais sobre as diferenças qualitativas entre as coisas como fonte de explicação de suas operações (leve, pesado, natural, artificial, grande, pequeno, localizado no baixo ou no alto) e da idéia de que os fenômenos naturais ocorrem porque causas finais ou finalidades os provocam a acontecer. Tais concepções são substituídas por relações mecânicas de causa e efeito segundo leis necessárias e universais, válidas para todos os fenômenos independentemente das qualidades que os diferenciam para nossos cinco sentidos (peso, cor, sabor, textura, odor, tamanho) e sem qualquer finalidade, oculta ou manifesta; 3) conservação da explicação finalística apenas no plano da metafísica: a liberdade da vontade divina e humana e a inteligência divina e humana, embora incomensuráveis, se realizam tendo em vista fins (o filósofo Hobbes suprimirá boa parte das finalidades no campo da moral, dando-lhe fisionomia mecanicista também, e o filósofo Espinosa suprimirá a finalidade na metafísica e na ética, criticando-a como superstição e ignorância das verdadeiras causas das ações).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Todavia, como salienta o historiador das idéias, Alexandre Koyré, essas características são apenas efeitos de modificações mais profundas na nova Ciência da Natureza e que são:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">1) a destruição, vinda do Renascimento, da idéia greco-romana e cristã de <em>Cosmos</em>, isto é, do mundo como ordem fixa segundo hierarquias de perfeição, dotado de centro e de limites conhecíveis, cíclico no tempo e limitado no espaço. Em seu lugar, surge o <em>Universo Infinito</em>, aberto no tempo e no espaço, sem começo, sem fim, sem limite e que levará o filósofo Pascal à célebre fórmula da &#8220;esfera cuja circunferência está em toda parte e o centro em nenhuma&#8221;. Não apenas o heliocentrismo é possível a partir dessa idéia, mas com ela dois novos fenômenos ocorrem: em primeiro lugar, a perda do centro, que levará os pensadores a uma indagação que, de acordo com o historiador da filosofia Michel Serres, é essencial e prévia à própria possibilidade do conhecimento, qual seja, indagam se é possível encontrar um outro centro, ou um <em>ponto fixo</em> a partir do qual seja possível pensar e agir (os filósofos falam na busca do ponto de Arquimedes para o pensamento); em segundo lugar, uma nova elaboração do conceito de <em>ordem</em> e que, segundo Michel Foucault, será a motivação principal na elaboração moderna do <em>método</em> para conhecer (sem ordem não há conhecimento possível, e a primeira coisa a ordenar será a própria faculdade de conhecer);</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">2) a geometrização do espaço. Este era, na física aristotélico-tomista, um espaço topológico e topográfico (isto é, constituído por <em>lugares</em> — <em>topoi</em> — que determinavam a forma de um fenômeno natural, sua importância, seu sentido), o mundo estando dividido em hierarquias de perfeição conforme tais lugares. Agora, o espaço se torna neutro, homogêneo, mensurável, calculável, sem hierarquias e sem valores, sem qualidades. É essa a idéia que se exprime na famosa frase de Galileu que abre a modernidade científico-filosófica: &#8220;A filosofia está escrita neste vasto livro, constantemente aberto diante de nossos olhos (quero dizer, o universo) e só podemos compreendê-lo se primeiro aprendermos a conhecer a língua, os caracteres nos quais está escrito. Ora, ele está escrito em linguagem matemática e seus caracteres são o triângulo e o círculo e outras figuras geométricas, sem as quais é impossível compreender uma só palavra&#8221;. Ou como dirá Espinosa, ao escrever sobre os afetos e as paixões em sua <em>Ética</em>, declarando que deles tratará como se estivesse escrevendo sobre linhas, superfícies, volumes e figuras geométricas;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">3) a mecânica como nova ciência da Natureza, isto é, a idéia de que todos os fenômenos naturais (as coisas não humanas e humanas) são corpos constituídos por partículas dotadas de grandeza, figura e movimento determinados e que seu conhecimento é o estabelecimento das leis necessárias do movimento e do repouso que conservam ou modificam a grandeza e a figura das coisas por nós percebidas porque conservam ou alteram a grandeza e a figura das partículas. E a idéia de que estas leis são mecânicas, isto é, leis de causa e efeito cujo modelo é o movimento local (o contato direto entre partículas) e o movimento à distância (isto é, a ação e a reação dos corpos pela mediação de outros ou, questão controversa que dividirá os sábios, pela ação do vácuo). Fisiologia, anatomia, medicina, óptica, paixões, idéias, astronomia, física, tudo será tratado segundo esse novo modelo mecânico. E é a perfeita possibilidade de tudo conhecer por essa via que permite a intervenção técnica sobre a natureza física e humana e a construção dos instrumentos, cujo ideal é autônomo e cujo modelo é o relógio.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> <strong>3.2. As idéias de substância e de causalidade</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Enquanto o pensamento greco-romano e o cristão admitiam a existência de uma pluralidade infinita (ou indefinida) de substâncias, os modernos irão simplificar enormemente tal conceito.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em>Substância</em><em> é toda realidade capaz de existir (ou de subsistir) em si e por si mesma. Tudo que precisar de outro ser para existir será um modo ou um acidente da substância. Na versão tradicional, mineral era uma substância, vegetal era substância, animal, outra substância, espiritual, uma outra. Mas não só isto, dependendo das filosofias, cada mineral, cada vegetal, cada animal, cada espírito, era substância, de tal maneira que haveria tantas substâncias quantos indivíduos. Simplificadamente: a substância podia ser pensada como um gênero, ou como uma espécie ou até como um indivíduo. E cada qual teria seus modos ou acidentes e suas próprias causalidades.</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Os modernos, especialmente após Descartes, admitem que há apenas três substâncias: a extensão (que é a matéria dos corpos, regida pelo movimento e pelo repouso), o pensamento (que é a essência das idéias e constitui as almas) e o infinito (isto é, a substância divina). Essa alteração significa apenas o seguinte: uma substância se define pelo seu <em>atributo principal</em> que constitui sua <em>essência</em> (a extensão, isto é, a matéria como figura, grandeza, movimento e repouso; o pensamento, isto é, a idéia como inteligência e vontade; o infinito, isto é, Deus como causa infinita e incriada).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Na verdade, os modernos não concordarão com a tripartição de Descartes. Os <em>materialistas, </em>por exemplo, dirão que há apenas extensão e infinito; os <em>espiritualistas</em>, que há apenas pensamento e infinito. E, nos dois extremos dessa discussão, estarão Espinosa, de um lado, e Leibniz, de outro. Para Espinosa existe <em>uma</em> e apenas uma substância — a infinitamente infinita, isto é, Deus, com infinitos atributos infinitos dos quais conhecemos dois, o pensamento e a extensão (suprema heresia: Espinosa afirma que Deus é <em>extenso</em>), todo o restante do universo são os <em>modos singulares</em> da única substância. Para Leibniz, existem infinitas substâncias, cada uma delas contendo em si mesma um dos dois grandes atributos — pensamento (inteligência, vontade, desejo) ou extensão (figura, grandeza, movimento e repouso). Essas substâncias se chamam <em>mônadas</em> (unidade última e indivisível) e há apenas uma diferença entre as mônadas — isto é, há a Mônada Infinita, que é Deus, e há as mônadas criadas e finitas, isto é, os seres existentes no universo, e que podem ser extensas ou pensantes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">De qualquer maneira, o essencial na questão da Substância definida pelo seu atributo principal é que, de agora em diante, conhecer é conhecer apenas três tipos de essências e suas operações fundamentais: a matéria (geometrizada), a alma (intelecto, vontade e apetites) e o infinito.</span></p>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/gottfried-leibniz.jpg"><img title="Gottfried Leibniz" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2010/10/gottfried-leibniz.jpg?w=237&#038;h=300" alt="" width="237" height="300" /></a>[Leibniz]</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Esse conhecimento se fará pelo conceito de <em>causalidade</em>. Conhecer é conhecer a causa da essência, da existência e das ações e reações de um ser. Um conhecimento será verdadeiro apenas e somente quando oferecer essas causas. Evidentemente, os filósofos discordarão quanto ao que entendem por causa e causalidade, discordarão quanto à determinação de uma realidade como sendo causa ou como sendo efeito, discordarão quanto ao número de causas, discordarão quanto aos procedimentos intelectuais que permitem conhecer as causas e, portanto, discordarão quanto à definição da própria noção de <em>verdade</em>, uma vez que esta depende do que se entende por causa e por operação causal. Mas todos, sem exceção, consideram que um conhecimento só pode aspirar à verdade se for conhecimento das causas, sejam elas quais forem e seja como for a maneira como operem. O importante é notar que fizeram a verdade, a inteligibilidade e o pensamento dependerem da explicação causal e afastaram a explicação meramente descritiva ou interpretativa. A síntese desse ideal encontra-se em Espinosa e em Leibniz. Afirma Espinosa que o conhecimento verdadeiro é aquele que nos diz como uma realidade foi produzida, isto é, o conhecimento verdadeiro é o que alcança a <em>gênese necessária</em> de uma realidade. Leibniz estabelece o chamado principio da <em>Razão Suficiente</em>, segundo o qual nada existe que não tenha uma causa e que não possa ser conhecida, ou, como ficou conhecido: &#8220;Nihil sine ratione&#8221;, nada é sem causa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Com relação ao conceito de causalidade, é necessário fazermos três observações: 1) diferentemente dos gregos, romanos e medievais (que admitiam quatro causas — material, formal, eficiente ou motriz e final), os modernos admitem apenas duas: a eficiente (a causalidade propriamente dita como relação entre uma causa e seu efeito direto) e a final, para os seres dotados de vontade livre, pois esta sempre age tendo em vista fins (Deus e homens). Apenas Espinosa recusa a finalidade, considerando a causa final um produto da imaginação e uma ilusão; 2) a causa eficiente exige que causa e efeito sejam de mesma natureza (de mesma substância; ou de mesmo modo, no caso de Espinosa), de sorte que causas corporais não podem produzir efeitos anímicos e vice-versa. Ora, os humanos são criaturas mistas (possuem corpo e alma) e é preciso explicar causalmente as relações entre ambos se se quiser conhecer o homem e sobretudo o que os modernos chamam de ação e paixão. As soluções do problema serão variadas. Assim, por exemplo, Descartes imagina uma glândula — a glândula pineal, na base do pescoço — que faria a comunicação entre as duas substâncias do composto humano; Espinosa e Leibniz consideram a posição cartesiana absurda, e para ambos a relação entre alma e corpo não é &#8220;causal&#8221; no sentido de ação do corpo sobre a alma ou vice-versa, mas uma relação de <em>expressão</em>, isto é, o que se passa num deles se exprime de maneira diferente no outro e vice-versa; os materialistas resolvem o problema considerando que os efeitos anímicos são uma modalidade dos comportamentos corporais, pois não haveria uma substância espiritual, a não ser Deus; os espiritualistas vão na direção contrária (como Malebranche), considerando os corpos e os acontecimentos corporais como <em>aparência sensível</em> de realidades puramente espirituais; 3) o conceito de causa possui três sentidos simultâneos e inseparáveis e não apenas um; esses três sentidos simultâneos constituem a causalidade como princípio de plena inteligibilidade do real: a) a causa é <em>algo real</em> que produz um <em>efeito real</em> (causa e efeito são entes, seres, coisas); b) a causa é a <em>razão</em> que explica a essência e a existência de alguma coisa, é sua explicação verdadeira e sua inteligibilidade; c) a causa é o <em>nexo lógico</em> que articula e vincula necessariamente uma realidade a uma outra, tornando possível não só sua existência, mas também seu conhecimento. Conhecer pela causa é, pois, conhecer entes, razões e vínculos necessários.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>3.3. A idéia de método ou de <em>mathesis universalis</em></strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Os filósofos modernos enfrentam três grandes problemas no tocante ao conhecimento verdadeiro:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">1) tendo o Cosmos, sua ordem, sua hierarquia e seu centro desaparecido, o homem, como ser pensante, não encontra imediatamente nas coisas percebidas a verdade, a origem e o sentido do real, pois as coisas são percebidas em suas qualidades sensoriais e o mundo parece ser finito e ordenado por valores e perfeições que a nova ciência da Natureza revelou serem ilusórios;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">2) o conceito de causalidade faz uma exigência teórica que, se não for respeitada, impede que a verdade seja conhecida. Essa exigência é de que <em>as relações causais só se estabelecem entre coisas de mesma substância</em> (a extensão, ou a matéria, ou os corpos, dependendo da terminologia de cada sábio, só produz efeitos extensos, materiais, corporais; o pensamento, a alma, as idéias, também dependendo da terminologia de cada filósofo, só produzem efeitos pensantes, anímicos, ideativos; o finito só produz efeitos finitos; o infinito, única exceção, produz efeitos finitos e infinitos, mas não pode ser produzido por uma causa finita). Ora, como já o dissemos, os humanos são compostos de <em>duas substâncias</em> (ou de <em>modos diferentes</em> da mesma substância, no caso de Espinosa) que, no plano causal, não podem causar-se um ao outro. Ora, conhecer é uma atividade da substância pensante ou do modo pensante, mas o conhecido pode tanto ser um aspecto do pensante quanto os corpos, as coisas ou os modos extensos. E, neste caso, a causalidade não pode operar, pois o que se passa na extensão não pode causar efeitos no pensamento e vice-versa. A solução encontrada por todos os filósofos (com variantes, novamente, e com exceção de Espinosa) consiste em considerar o conhecimento uma <em>Representação</em>, isto é, que a inteligência não afeta nem é afetada pelos corpos, mas pelas <em>idéias</em> deles, havendo assim a homogeneidade exigida pela causalidade;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">3) mas a representação cria um novo problema: como saber se as idéias representadas <em>correspondem verdadeiramente</em> às coisas representadas? Como saber se a idéia é adequada ao seu ideado? Para solucionar esta dificuldade nasce o <em>método</em>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A noção de representação significa que aquele que conhece — o <em>Sujeito do Conhecimento</em> — está sozinho, rodeado por coisas cuja verdade ele não pode encontrar imediatamente, pois percebe coisas, mas deve conhecer <em>Objetos do Conhecimento</em>, isto é, as idéias verdadeiras ou os conceitos dessas coisas percebidas. Precisa de um <em>instrumento</em> que lhe permita três atividades: 1) representar corretamente as coisas, isto é, alcançar suas causas sem risco de erro (para os espiritualistas, os erros virão dos sentidos ou do corpo; para os materialistas, os erros virão das abstrações indevidas feitas pela inteligência); 2) controlar cada um dos passos efetuados, pois a perda de controle de uma das operações intelectuais pode provocar o erro no final do percurso, que, por isso, deve ser controlado passo por passo; 3) permitir que se possa deduzir ou inferir de algo já conhecido com certeza o conhecimento de algo ainda desconhecido, isto é, o instrumento deve permitir o progresso dos conhecimentos verdadeiros oferecendo recursos seguros para que se possa passar do conhecido ao desconhecido. A função do método é de preencher esses três requisitos. Por essa razão, nenhum dos filósofos modernos deixa de escrever um tratado sobre o método.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No século XVII, a palavra <em>método</em> (do grego: caminho certo, correto, seguro) tem um sentido vago e um sentido preciso. Sentido vago, porque todos os filósofos possuem <em>um</em> método ou o <em>seu</em> método, havendo tantos métodos quantos filósofos. Sentido preciso, porque o <em>bom método</em> é aquele que permite conhecer verdadeiramente o maior número de coisas com o menor número e regras. Quanto maiores a generalidades e a simplicidade do método, quanto mais puder ser aplicado aos mais diferentes setores do conhecimento, melhor será ele. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O método é sempre considerado <em>matemático</em>. Isto não quer dizer que se usa a aritmética, a álgebra, a geometria para o conhecimento de todas as realidades, e sim que o método procura o <em>ideal matemático</em>, isto é, ser uma <em>mathesis universalis</em>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Isto significa duas coisas: 1) que a matemática é tomada no sentido grego da expressão <em>ta mathema</em>, isto é, conhecimento completo, perfeito e inteiramente dominado pela inteligência (aritmética, geometria, álgebra são matemáticas, por isso, isto é, porque dominam completa e intelectualmente seus objetos); 2) que o método possui dois elementos fundamentais de todo conhecimento matemático: a ordem e a medida.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Vimos que, no Renascimento, o conhecimento operava com a noção de Semelhança, era descritivo e interpretativo. A diferença entre os renascentistas e os modernos consiste no fato de que estes últimos criticam a Semelhança, considerando-a causa dos erros e incapaz de alcançar a essência das coisas. Conhecer pela causa significa que a inteligência é capaz de <em>discernir</em> a <em>identidade</em> e a <em>diferença</em> no nível da essência invisível das coisas. A ordem e a medida têm a função de produzir esse discernimento e por isso são o núcleo do método e da <em>mathesis</em>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Conhecer é <em>relacionar</em>. Relacionar é estabelecer um <em>nexo causal</em>. Estabelecer um nexo causal é determinar quais as identidades e quais as diferenças entre os seres (coisas, idéias, corpos, afetos, etc.). A <em>medida</em> oferece o critério para essa identidade e essa diferença. Assim, por exemplo, a medida permitirá que não se estabeleça uma relação causal entre realidades heterogêneas quanto à substância. Ela <em>analisa</em>, isto é, decompõe um todo em partes e estabelece qual o elemento que serve de unificador para essas partes (a &#8220;grandeza&#8221; comum a todas elas). A <em>ordem</em> é o conhecimento do encadeamento interno e necessário entre os termos que foram medidos, isto é, estabelece qual o termo que se relaciona com outro e em qual seqüência necessária, de sorte que ela estabelece uma <em>série ordenada</em>, <em>sintetiza</em> o que foi analisado pela medida e permite passar do conhecido ao desconhecido.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A ordem é essencial ao método por três motivos: 1) porque os modernos consideram que a primeira verdade de uma série é conhecida por uma <em>intuição</em> <em>evidente</em>, a partir da qual será colocada a medida e esta depende da seriação dos termos feita pela ordem; 2) porque os conhecimentos de totalidades complexas são conhecimentos de séries diferentes, cujas relações só podem ser estabelecidas se cada série estiver corretamente ordenada; 3) porque a ordem permite a relação entre um primeiro termo e um último cuja medida pode não ser a mesma (são heterogêneos ou incomensuráveis), mas a relação pode ser feita porque a ordenação foi fazendo aparecer entre um termo e outro uma medida nova que encadeia o segundo ao terceiro, este ao quarto e assim por diante.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um exemplo deste último e mais importante procedimento. Na filosofia de Descartes, não haveria como estabelecer relação causal entre a alma finita humana, Deus infinito e o mundo extenso, já que são três substâncias diferentes. Aplicando a medida e a ordem, Descartes estabelece o que chama de <em>cadeia de razões</em> (nexos causais e lógicos) do seguinte tipo: a alma pensa e ao pensar tem uma idéia de que ela própria não pode ser a causa, a idéia de Deus; isto é, a alma finita não pode ser causa de uma idéia infinita. Sendo, porém, Deus uma <em>idéia</em>, pode perfeitamente estar em nossa alma e pode causá-la em nós, porque o intelecto divino age sobre o nosso por meio das idéias verdadeiras. Ora, a <em>idéia</em> de Deus é a idéia de um <em>Ser Perfeito</em>, que seria imperfeito se não existisse, portanto, a <em>idéia</em> presente em nossa inteligência, causada pela inteligência de Deus, é a idéia de um <em>ser</em> que só será Deus se existir. Nós não podemos fazer Deus existir, mas a idéia de Deus nos revela que ele existe. Passamos, assim, da idéia ao ser. Ora, esse ser é perfeito, e se nos faz ter idéias das coisas exteriores através de nossos sentidos, é porque nos deu um corpo e criou outros corpos que constituem o mundo extenso. Passamos, assim, do ser de Deus à idéia de nosso corpo e às idéias dos corpos exteriores, o que não poderia ser feito <em>sem a ordem</em>, pois sem ela não poderíamos passar de nossa alma a Deus e dele ao nosso corpo nem aos corpos exteriores. A medida é a <em>idéia</em> e a ordem da seqüência causal dessas idéias até chegar a <em>corpos</em>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O método, ciência universal da ordem e da medida, pode ser analítico ou sintético. Na análise, vai-se das partes ao todo ou do particular ao universal (é o método preferido por Descartes e Locke); na síntese, vai-se do todo às partes ou do universal ao particular (é o método preferido por Espinosa); ou uma combinação de ambos, conforme as necessidades próprias do objeto de estudo (como faz Leibniz). Em qualquer dos casos, realiza-se pela ordem e pela medida, mas é considerado <em>dedutivo</em> pelos racionalistas intelectualistas (que partem das idéias para as sensações) e <em>indutivo</em> pelos racionalistas empiristas (que partem das sensações para as idéias). Essa diferença repercute no conceito de <em>intuição</em>, que é considerado por todos como o ponto de partida da cadeia dedutiva ou da cadeia indutiva: no primeiro caso, a intuição é uma visão puramente intelectual de uma idéia verdadeira; no segundo caso, a intuição é sensível, isto é, visão ou sensação evidente de alguma coisa que levará à sua idéia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>4. A</strong><strong> idéia moderna da Razão</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Em seu livro <em>História da Filosofia</em>, Hegel declara que a filosofia moderna é o nascimento da Filosofia propriamente dita porque nela, pela primeira vez, os filósofos afirmam:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">1) que a filosofia é independente e não se submete a nenhuma autoridade que não seja a própria razão como faculdade plena de conhecimento. Isto é, os modernos são os primeiros a demonstrar que o conhecimento verdadeiro só pode nascer do trabalho interior realizado pela razão, graças a seu próprio esforço, sem aceitar dogmas religiosos, preconceitos sociais, censuras políticas e os dados imediatos fornecidos pelos sentidos. Só a razão conhece e somente ela pode julgar-se a si mesma;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">2) que a filosofia moderna realiza a primeira descoberta da Subjetividade propriamente dita porque nela o primeiro ato de conhecimento, do qual dependerão todos os outros, é a <em>Reflexão</em> ou a <em>Consciência de Si Reflexiva</em>. Isto é, os modernos partem da consciência da consciência, da consciência do ato de ser consciente, da volta da consciência sobre si mesma para reconhecer-se como sujeito e objeto do conhecimento e como condição da verdade. A consciência é para si mesma o primeiro objeto do conhecimento, ou o conhecimento de que é capacidade de e para conhecer;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">3) que a filosofia moderna é a primeira a reconhecer que, sendo todos os seres humanos seres conscientes e racionais, todos têm igualmente o direito ao pensamento e à verdade. Segundo Hegel, essa afirmação do direito ao pensamento, unida à idéia de liberdade da razão para julgar-se a si mesma, portanto, o igualitarismo intelectual e a recusa de toda censura sobre o pensamento e a palavra, seria a realização filosófica de um principio nascido com o protestantismo e que este, enquanto mera religião, não poderia cumprir precisando da filosofia para realizar-se: o princípio da individualidade como subjetividade livre que se relaciona livremente com o infinito e com a verdade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A razão, o pensamento, a capacidade da consciência para conhecer por si mesma a realidade natural e espiritual, o visível e o invisível, os seres humanos, a ação moral e política, chama-se <em>Luz Natural</em>. Embora os modernos se diferenciem quanto à Luz Natural (para alguns, por exemplo, a razão traz inatamente não só a possibilidade para o conhecimento verdadeiro, mas até mesmo as idéias, que seriam inatas; para outros, nossa consciência é como uma folha em branco na qual tudo será impresso pelas sensações e pela experiência, nada possuindo de inato), o essencial é que a Luz Natural significa a capacidade de <em>autoiluminação</em> do pensamento, uma faculdade inteiramente natural de conhecimento que alcança a verdade sem necessidade da Revelação ou da Luz Sobrenatural (ainda que alguns filósofos, como Pascal, Leibniz ou Malebranche, considerem que certas verdades só podem ser alcançadas pela Luz Natural se esta for auxiliada pela luz da Graça Divina).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A primeira intuição evidente, verdade indubitável de onde partirá toda a filosofia moderna, concentra-se na célebre formulação de Descartes: &#8220;Penso, logo existo&#8221; (<em>Cogito, ergo sum</em>). O pensamento consciente de si como &#8220;Força Nativa&#8221; (a expressão é de Espinosa), capaz de oferecer a si mesmo um método e de intervir na realidade natural e política para modificá-la, eis o ponto fixo encontrado pelos modernos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Marilena Chauí</strong> é filósofa brasileira. </span></p>
<p style="text-align:justify;">
<span style="color:#000000;"> </span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/507/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=507&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O compromisso social cristão</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 18:40:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[José Renato Polli]]></category>
		<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[Compromisso Social Cristão]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[[José Renato Polli] “Respeitar as opções do outro é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem diferente e pensam diferente. Prefira tentar compreender à julgar!&#8221; (Florestan Fernandes) Como reza a boa antropologia, o respeito à diversidade cultural, ao direito à opinião própria, são basilares para uma postura humanista. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=505&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">[José Renato Polli]</span></p>
<blockquote><p><span style="color:#000000;">“Respeitar as opções do outro é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem diferente e pensam diferente. Prefira tentar compreender à julgar!&#8221; (Florestan Fernandes)</span></p></blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Como reza a boa antropologia, o respeito à diversidade cultural, ao direito à opinião própria, são basilares para uma postura humanista. Mais que isso, trata-se de uma premissa ética. Ser humanista é tentar se desvencilhar de nossos preconceitos quanto ao que vemos e percebemos no outro. Se ele nos parece estranho em muitos aspectos, talvez tenha também algo (o que não nos agrada) que pode servir à nossa reflexão. A psicanálise indica que o que falta no outro (ou em nós) é o que nos move para construir algo. Ater-se criticamente a uma análise, sempre subjetiva, não significa incorrer no delito intelectual e moral do assoberbamento. Como dizia Nietzsche, não há fatos, somente interpretações. Contrastes e oposições entre formas de pensamento sempre haverá. No entanto, não podemos nos furtar à obrigação de refletir, com o auxílio da história e da ciência, sobre nossas ideias, nosso modo de ver as coisas. Como diz o filósofo: todo ponto de vista é a vista de um ponto.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fico me perguntando sobre o que é, afinal, ser cristão. E o que é não ser? Costumo dizer que Cristo não era cristão. Sim, Cristo era praticante da religião judaica. A incitação à postura arraigada não é uma característica presente em Cristo (mesmo que Ele tenha se permitido condenar com veemência os abusos cometidos em nome da religião), somente nos humanos. Desde o início, os apóstolos disputavam entre si a quem caberia a conversão. Uma tendência judaizante a atribuía apenas aos seus concidadãos. O apóstolo Paulo defendeu a expansão do espírito cristão para todos: judeus ou gentios. Essa tendência prevaleceu, afinal todos somos iguais diante de Deus. Falhos e, quem sabe, com algum potencial para o bem.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E o que é o bem? Centenas de filósofos, desde Aristóteles, se debruçam sobre a análise acerca dos fundamentos da ética. Sobre a possibilidade de uma razão ou princípio que embase o significado do bem. Segundo Aristóteles, a ética e a política tem como fundamento a busca do bem comum. Ao longo da história da Filosofia, surgiram as mais diversas correntes de pensamento ético. Hoje, o principal filósofo vivo, Jürgen Habermas, defende a possibilidade da escolha racional intersubjetiva de valores. Uma utopia, diriam alguns, uma ética para depois. Paulo Freire defendia a ética universal do ser humano, fundada no princípio da justiça social, no aqui e agora.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Estudos teológicos colocam sob suspeita a intenção de Jesus em fundar uma instituição religiosa. A tradição cultural se encarregou de fazer esse serviço. E ser cristão, o adepto das mensagens do evangelho, veio com a perseguição arquitetada pelos romanos. Inacreditavelmente esse o termo virou um rótulo e acabou se tornando algo oficial quando a igreja católica se romanizou. A eclésia, assembléia dos crentes, perdeu lugar para a dimensão hierárquica. A comunhão fraterna foi substituída pelo combate aos infiéis, mesmo que nas origens o cristianismo tivesse como fundamento o amor ao próximo. Ser fiel ou infiel dependia do que a hierarquia definia. A diaconia como serviço, perdeu lugar para o bispado, o presbiterado. O sagrado passou a ser controlado, não compartilhado. A horizontalidade do serviço espiritual foi substituída pela verticalidade do poder clerical. A dualidade corpo-alma, acabou restringindo uma visão holística sobre o fato de compormos um mundo física e espiritualmente holístico.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">            As questões morais e seu controle individual ocuparam o espaço da vivência comunitária, centro de todo ato de correção fraterna. O foro privado da fé alçou o “top of the list”, em detrimento das relações amorosas entre os crentes e não crentes. A inquisição e o “atirar a primeira pedra”, foi a gota dágua para que a igreja se perdesse temporariamente em seus princípios. Fruto de um contexto de época. Prevaleceu uma tradição católica que tem seus méritos culturais, já que a história é um processo aberto, cheio de contradições. Mesmo em ambientes mais fechados, arejamentos à liberdade podem subsistir.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Estando a serviço dos reis e rainhas, da propriedade feudal e do controle da fé, a hierarquia católica se afastou do povo que crê. Os pobres sequer adentravam ao recinto das catedrais. Mesmo que muitos tenham denunciado esse engodo, como o inigualável Francisco de Assis, o que prevaleceu foi o tilintar dos cálices dourados em que o sangue de Cristo seria bebido, enquanto a massa campesina morria na tenra idade. A quantidade de ouro existente em um mosteiro, representava a proporção da presença de Deus em seu espaço. Ser bispo ou abade era sinônimo de nobreza. A cultura, a filosofia e a própria teologia foram submetidas ao controle hierárquico. Alguns escaparam, por pouco (Galileu, por exemplo), outros não (Giordano Bruno, por exemplo).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nem mesmo a Reforma Protestante, enigmaticamente, conseguiu dar conta de incorporar o espírito cristão original. Martinho Lutero apoiou o massacre de camponeses revoltosos liderados por Thomas Munzer (com todos os reparos que se possa fazer a esse teólogo protestante). Calvino arquitetou a tese da predestinação e deu contornos ao que Max Weber chamaria de ética protestante e espírito do capitalismo. Por vias diferentes, líderes católicos e protestantes assumiram o andar de braços dados com o poder econômico. É bom que se faça justiça, ao menos temporariamente, já que a igreja católica condenava a usura. Em parte pelo princípio da luta contra a exploração capitalista, mesmo que, por outro lado, fosse uma poderosa senhora feudal e beneficiária de outra exploração.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Após a modernidade, bastou um esforço intelectual para que a humanidade acordasse do sonho capitalista e lá estava a tendência hierarquizante a “denunciar” o ateísmo do socialismo. Leão XIII teve o mérito de ser o primeiro papa a denunciar as condições dos operários na Encíclica Rerum Novarum, em 1891. No entanto, defendia a propriedade privada e condenava o socialismo, referindo-se aos males do capitalismo, dizendo que “os socialistas, para curar este mal (a condição operária degradante), instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para &#8211; os Municípios ou para o Estado”. Não dá para deixar de mencionar uma cena do filme “O Nome da Rosa”, em que William de Baskerville, ao perceber que os frades do mosteiro jogavam restos de comidas aos campesinos diz: “uma generosa doação da igreja aos pobres”.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Uma interpretação equivocada sobre a luta de classes (instigada pelo socialismo) não possibilitava perceber que Marx apenas tratava de constatar uma realidade, o ódio já existia e era alimentado pela religião, precisava ser eliminado com o sonho socialista. Leao XIII pregava a via da conciliação entre classes, vendo os conflitos sociais na mesma perspectiva da antiga tradição social católica: a desarmonia é apenas fruto do desamor, da ganância. Tão somente. Esquecia-se, por razões óbvias do momento histórico em questão, que o cerne de toda desigualdade econômica é o controle da propriedade privada. Enredava-se pelo discurso moral, que a doutrina positivista alardeava em fins do século XIX.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Uma fraternidade universal só seria possível dentro dos muros da propriedade privada e o socialismo já nascia condenado por interpretações frágeis que se empregaram ao significado da crítica marxista. Marx nunca condenou a religião em si, mas seu uso social em função de interesses das classes dominantes, colocando-a como um dos elementos da superestrutura. A “ditadura do proletariado”, foi uma “brincadeira” feita pelo filósofo alemão para se referir ao direito democrático das massas ascenderem ao poder (e, diga-se de passagem, pelas vias normais) e ajudarem a suprimir as diferenças sociais pela base. O que foi feito com a doutrina marxista nos países do leste europeu é uma outra história. O próprio Marx, prontamente, contestou as interpretações que foram feitas de seus postulados. Mais tarde, a igreja progressista perceberia que o socialismo poderia ser relido, aproximado às causas evangélicas. O Vaticano viu desvios doutrinários onde parte dos membros da hierarquia percebia benefícios críticos e elementos para reflexão sobre o uso que se faz da fé e das causas evangélicas em favor da opressão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Não bastou o alerta dado ao jovem rico, não bastaram as admoestações para dar a César o que é de César, não bastou o desapego do pequeno Zaqueu como lição. Não bastou a fala de Jesus, sua denúncia contra a ganância dos ricos, sua denúncia à oficialização da religião, seu uso e controle por parte dos sacerdotes judaicos. Claro, ele tinha amigos bem sucedidos, como Lázaro. Mas houve a demonstração de que estar ao lado do evangelho, pode significar estar ao lado de uma causa: a causa dos desvalidos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Esquecendo-se dos mais basilares princípios do discurso evangélico, “cristãos autênticos” (que nunca alimentaram o ódio entre as classes) enriqueceram a custa da servidão, da escravidão e da exploração capitalista, com o beneplático, até recentemente, do discurso oficial da igreja. A religião católica foi utilizada para colonizar, desclassificar, menosprezar, doutrinar, converter de forma proselitista, povos e nações inteiras, sem o menor drama de consciência. Índios e negros eram considerados inferiores. No Brasil, não bastaram as denúncias feitas por religiosos comprometidos com o evangelho durante o período colonial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Mas, como dizia um amigo sacerdote (Padre Paulo André Labrosse): onde falta a consciência humana, age o Espírito Santo. Como diz o antigo testamento, onde falham as lideranças religiosas, age Deus. E vieram mudanças, tardias e efêmeras, mas vieram. O Vaticano II, Medellín, Puebla, a Teologia da Liberação e a opção preferencial pelos pobres. O cristianismo se aproximava, por vias clandestinas, sem a total aprovação do Vaticano, do discurso socialista. A igreja latinoamericana sinalizava para a necessidade de aliar fé e luta social, a obrigação do povo de Deus se engajar nas fileiras da cidadania. Ao mesmo tempo aconteceram muitos problemas no Brasil e em vários países do continente. Vieram as ditaduras. O Vaticano II ainda não fazia eco (e creio que não faz hoje, lamentavelmente). As Conferências de Medellín e Puebla tardaram a lograr êxito, especialmente no Brasil, por força de algumas tendências católicas que tentavam, desde o início do século XX, operar pela via da direita no movimento social, sindical e no meio educacional. Foi o caso da Ação Católica até meados da década de 60.<a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A herança política da República Velha, da Era Vargas, do desenvolvimentismo, assumia feições retóricas entre partidos como a UDN e o PTB. Jânio Quadros e João Goulart foram eleitos, para presidente e vice. A renúncia de Jânio assombrou a direita, que enxergava o fantasma de Getúlio Vargas e o ectoplasma do comunismo na figura de Jango. A solução temporária foi o parlamentarismo. O plebiscito de 1963 recolocou João Goulart na posição de presidente com plenos poderes. Pressionado pelas massas e pela direita, o presidente anuncia as reformas de base. Era o estopim da crise.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Em março de 64 a tríade militarismo-burguesia-política externa americana assumia o controle do Brasil. Era a vez do arbítrio, do AI5, do SNI, do autoritarismo, de leis educacionais como a 5692/71 que desprezavam as Ciências Sociais e Humanas introduzindo ficções pedagógicas como Educação Moral e Cívica no currículo do Ensino Básico.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Em 68, no entanto, a sociedade civil organizada saiu às ruas. Muitos cristãos leigos ou da hierarquia não tinham lido Vaticano II, Medellín. Decidiram apoiar o golpe militar. Pior, demonstraram oficialmente que eram a favor da ditadura. Na minha cidade, os empresários, padres e políticos se juntaram em um movimento em favor das causas mais retrógradas. A família tradicional (representada pelos senhores locais), a propriedade e o “anticomunismo ateu”. Como dizia Paulo Freire: “isso é velho demais, atrasado demais” e foi dito faz apenas quatro décadas e meia. Os ateus que se apinhavam na luta social nem mereciam a conversão, diriam os mais radicais. O perigo do comunismo (sic) justificava a expropriação dos direitos e o sucumbir da sociedade democrática.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Religiosos eram perseguidos e torturados. Frei Tito de Alencar Lima se suicidou, por conta dos traumas psicológicos sofridos durante a tortura nas mãos de Sérgio Paranhos Fleury, que chefiava a operação OBAN (Operação Bandeirantes). O operário e líder comunitário católico Santo Dias da Silva era morto pela Polícia Militar de São Paulo. Milhares de homens e mulheres foram assinados sob o regime militar. Desvios impensados e da luta contra o regime ecoaram em atos de desespero político, como as guerrilhas urbanas e rurais. Muitos católicos não tinham consciência da necessidade de ajudar a apaziguar tensões políticas e conclamar as forças contrárias ao regime para a luta pela paz a partir dos direitos dos pobres e desvalidos. Não ajudaram a denunciar a ditadura em esforços legais e democráticos. Continuavam a “votar” na ARENA, no PDS, no PFL, a apoiar os que endossavam a maldade política. A efemeridade da democracia é um fato inconteste, conforme anunciou Claude Lefort. A água chegava ao pescoço, militantes da igreja eram presos e torturados. Alguns acordavam, lentamente, outros dormiam no silêncio dos anjos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Jornais católicos panfletários pró-golpe apoiavam o regime de exceção. Paulo Freire era expulso do país. Justo ele que era um confesso devoto, efetivamente autêntico? A casa de Dom Helder Câmara (o bispo vermelho e fundador da CNBB) foi metralhada por grupos governistas em 1968 e ele próprio seqüestrado. Bispos de São Paulo mais corajosos, como o Cardeal Arns e Dom Gabriel Paulino Bueno Couto assinaram o Manifesto de Brodósqui contra a ditadura. Os responsáveis das igrejas progressistas de todo o Brasil assumiram o risco da prisão e da tortura escrevendo “Brasil Nunca Mais”. Os teólogos progressistas foram colocados no banco dos réus da comissão da doutrina e da fé.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Muitos militantes católicos dos movimentos espiritualistas nunca tiveram oportunidade de ver a situação política com outros olhos. Alguns se omitiram. É uma pena. A mística bem que poderia andar de mãos dadas com o compromisso social cristão. Para fazer justiça, parte dos leigos que se engajou nesses movimentos, que faziam o contraponto à igreja progressista, especialmente os movimentos de jovens, não tinham a menor noção do que estava em jogo, já que em muitas localidades não havia abertura para que o discurso social e político da então engajada CNBB fizesse eco. As paróquias se tornaram seu centro gravitacional, Encontros de Casais, Movimentos de Jovens, Cursilhos de Cristandade, se tornaram a opção oposta à opção preferencial pelos pobres.<a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn2">[2]</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A fé como elemento da cultura é um grande bastião para os sofrimentos do povo, é preciso acreditar, rezar, esperançar uma vida melhor para todos acreditando na existência de um ser supremo. E esse ser não compartilha da violência, do sarcasmo, do moralismo, do controle, do arbítrio. O Cristo cósmico defendido por Teilhard Chardin não é o Cristo de muitos cristãos, porque eles não conseguem fazer convergir para a bondade universal, que é uma justiça inerente à natureza mesma do filho de Deus. Uma bondade que é utopia e construção.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">São cristãos que nunca viram que ditaduras não podem se constituir como regimes que visam o bem comum. Para muitos dos que participavam e ainda continuam participando de movimentos espiritualistas mistificadores, que não compreendem a mística cristã, fazer política é apoiar e fazer política direita, “optando” pelo discurso mistificador da fé, centrado no moralismo, nas “razões” não consensuadas (onde encontrar consenso em meio à contrariedade explícita?). Apóiam quem abusam da boa fé do povo durante o processo eleitoral. Como tendem para a falta de democracia no espaço eclesial, enxergam-na também (e a vivem) na política, defendendo-a. Não existe espaço para a subversão, não existe espaço para o Cristo subversivo, já que ele o foi: andou com os despossuídos, os analfabetos, os alijados, os doentes, as prostitutas, as crianças, os cobradores de impostos. Preferiu o povo humilde, não a hierarquia judaica ou os ricos. Preferiu os apóstolos, não os chefes religiosos ou políticos tradicionais. Nunca incitou a violência, assim como nunca o socialismo democrático a defendeu. Onde está a violência? No domínio, na razão instrumental, como dizem os filósofos da escola de Frankfurt. E onde há domínios não há democracia. Onde há controles não pode haver consciência coletiva. Onde se situam os controles? Podem ser identificados nas práticas institucionais (na igreja, nos partidos, no Estado, na mídia, na família). Onde se situa a democracia? Ele é algo recorrente ou temos ainda um longo caminho a percorrer para alcançá-la, construí-la? Está na esfera pública, como nos indica Habermas?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Parte desses cristãos continua naquela mesma perspectiva moral da idade média, que subjuga a política a “princípios religiosos” que não são compartilhados por todas as pessoas, especialmente de outras crenças. Por isso reificam as práticas discriminatórias, difamatórias, condenatórias. Bispos e padres se envolvem em atos abusivos e desrespeitosos em relação ao direito de opinião. A constituição brasileira de 1988 reafirmou o Estado laico e a liberdade religiosa. Mas há uma distância entre os direitos de cidadania e o dogmatismo eclesiástico.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Execram defensores do aborto como uma questão de saúde pública, mas não questionam a distribuição de preservativos em postos de saúde. Uma flagrante contradição de princípios. São cristãos conformados, de batina e báculo, para quem há um total esquecimento de que “as prostitutas e os publicanos vos precederão no reino dos céus”. Arriscaria dizer que muitas meninas que abortaram também, sobretudo se foram forçadas a isso, sem o amparo social que mereciam como pessoas humanas. E mais, que “meu reino não é deste mundo”, uma clara definição de que não há um lado político em que instituições religiosas devam se colocar. As pessoas sim, devem proceder segundo a sua consciência. Não se deve subestimar a liberdade de consciência. Nem adotar práticas de corporativismo eclesiástico defendendo quem incorre em delito eleitoral. A igreja tem o direito de manifestar seus princípios? Obviamente. Mas não de querer impô-los ao conjunto da população. Lembremo-nos do etnocentrismo que teve como colaborador a religião católica. Lembremo-nos da condenação eterna aos diferentes. Lembremo-nos de que a salvação está proposta para todos e que Cristo já nos libertou do pecado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A igreja não é um bloco homogêneo, felizmente, como nenhuma instituição é. A sociedade é uma arena de lutas, as instituições também são. Mas a igreja é instituição ou povo de Deus? Comunidade universal dos crentes ou organismo/entidade da sociedade civil? Alguns membros dessa entidade se prontificaram a correr riscos em nome da justiça social, como os riscos que todos os cristãos movidos pela justa ira, como dizia Paulo Freire, correm. Pessoas como o já citado Dom Helder, Alceu do Amoroso Lima, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomás Balduino, Dom Angélico Sândalo Bernardino, Dom Luciano Mendes de Almeida e tantos outros membros da hierarquia ou leigos que deram a vida em favor dos pobres e despossuídos deste mundo. Os pobres que, beneficiados com programas sociais, são vistos como vagabundos que não querem trabalhar, numa realidade histórica em que a visível construção de condições para o trabalho formal tem se dado a passos largos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nos anos 70 a igreja acordou, por um curto período de tempo, e se tornou o grande guarda chuvas que abrigava as resistências à ditadura. Celebrou junto com outras igrejas cristãs e não cristãs um dos mais belos atos ecumênicos já vistos, em pleno ano de 1975, na catedral da Sé, denunciando com coragem o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, um “judeu comunista”, no dizer dos generais. Dom Paulo Evaristo e o Rabino Henri Sobel se tornaram ícones da luta intereclesial contra a ditadura. O espírito ecumênico ganhou força e as diferentes igrejas e religiões se aproximaram. Novos ventos espirituais refrescavam o rosto do cristianismo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A farsa da redemocratização culminou no Colégio Eleitoral. O Movimento das Diretas foi rejeitado pelo congresso, abria-se caminho para a “conciliação temporária” de interesses. José Sarney assumia o legado de Tancredo Neves e enfrentava um dos piores momentos econômicos do país. Tardou, mas a constituição de 88 abriu caminho para as eleições. Um novo espectro rondava o planalto central, a volta da direita raivosa. Fernando Collor de Mello criava um factóide político em torno de sua própria imagem. E caiu para dar espaço ao que já havia permitido iniciar, a onda neoliberal.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Antes disso, em 79, muita gente voltou, as eleições se tornaram recorrentes novamente. Os cristãos puderam se organizar em outras bases e instituições. Muitos movimentos espiritualistas se transformaram ou terminaram. As Comunidades Eclesiais de Base podiam agora ofertar uma boa safra de cristãos comprometidos socialmente para os partidos mais diversos e sindicatos. Clubes de mães, sociedades amigos de bairro, se enchiam da presença dos militantes da igreja progressista. Os cristãos mudaram, passaram a se comprometer com a causa evangélica, unindo fé e política. A igreja se comprometia com os pobres, dava voz e vez a eles em seus espaços.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Por um curto período, a aparente normalidade entre os muros das igrejas se consolidava. Não se imaginava a volta à grande disciplina, a reviravolta geopolítica, a escolha uma política externa e interna promovida pelo Vaticano marcada pelo retorno do controle hierárquico. Cardeais e bispos progressistas foram sendo substituídos por outros mais afinados com a visão de Roma. A Teologia da Libertação foi colocada sob suspeita, a Frei Boff foi imposto o silêncio obsequioso e as dioceses progressistas foram esquartejadas. Práticas que continuam até hoje, quando determinados bispos colocam na geladeira eclesial quem assume uma posição política diferente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Era o retorno da mistificação, espaço para os recuperados movimentos em que cristãos calados, participam até hoje. Ou melhor, calam apenas para determinadas questões, para outras estão abertos. Nunca ouviram falar do Cardeal Cardjin e do Método Ver-Julgar-Agir, nem da Ação Católica de Esquerda, já que os novos padres são formados em outras escolas pastorais, outras teologias. Nunca se preocuparam com as angústias de muitos jovens da minha geração, que militavam nas fileiras da Pastoral da Juventude, sonhando uma fé comprometida com a mudança social. Que liam quase devorando o Concílio Vaticano II, as Encíclicas Sociais, os documentos sociais da CNBB. Evidentemente, nem todos os participantes desses movimentos se comportaram desta maneira, tiveram a oportunidade de conhecer outras experiências, muitas vezes fora de suas dioceses originais. Mas suas direções, afinadas com o discurso de bispos menos afeitos aos apelos populares, davam o tom de sua visão política e de mundo. Talvez por falta de abertura para outras visões, talvez propositalmente, talvez por convicções nunca postas em dúvida.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ainda hoje as Comunidades Eclesiais de Base funcionam a todo vapor, mesmo que muitos nunca tenham entendido o que essa experiência significa e apesar de todo controle. Para esses que não as compreendem, o amor ao próximo é a base de tudo, mas um amor deslocado da história, do sofrimento dos pobres e excluídos. Um amor caritativo e piedoso, mas insuficiente para o real compromisso cristão. Os cristãos de direita, nunca imaginariam o que significa para um jovem de 23 anos, como Pedro Yamaguchi Ferreira, dar a vida pelos mais pobres em meio à floresta amazônica. Inebriam-se na vida litúrgica, mas não compreendem a liturgia como ato concreto de dedicação aos humildes. Eles estão com exemplos logo abaixo do nariz, mas não conseguem percebê-los. Não entendem que o amor a Cristo não se vive entre os muros das paróquias, ou em celebrações volumosas, porque “a fé sem obras é morta”. Muitos até se esforçam em obras de caridade, em trabalhos assistenciais, em pastorais que se dedicam ao trabalho de resgate da dignidade da pessoa humana. Mas com o que se comprometem politicamente? Com quais projetos políticos? Projetos populares e participativos ou aqueles que cumprem ordens de organismos internacionais? Endossam o projeto neoliberal, capitaneado por quem deveria estar mais à esquerda. Endossam o projeto verde, que no mundo todo serviu de esteio para reformas à direita e se abstém de tomar partido (há controvérsias). Endossam o discurso da esquerda sectária que abdica da tarefa de construir junto e prega o voto nulo. Alguns até mudaram de lado, antes endossavam o popular, agora endossam os que fundamentaram políticas públicas pautadas pelo espírito privatista. Endossam a política vinda de cima ou a que se faz a partir dos de baixo? Dispõem-se a reservar um espacinho de seu tempo para discutir o orçamento, participar de uma seção na sua Câmara Municipal, ajudar a mudar os rumos da política feita pelos eleitos, entre uma oração e outra? Arregaçam as mangas em suas comunidades locais, discutindo questões de interesse coletivo em movimentos de saúde, em defesa da escola pública, nas associações de bairro? Ou vão na onda dos que talvez nunca leram os documentos da CNBB que denunciaram as injustiças patrocinadas pelos que ainda contaminam a vida econômico-política, infiltrados em partidos nada populares? As pastorais sociais de tendência popular fazem exatamente o contrário. Comprometem-se com o efetivo sofrimento do povo, sem uma perspectiva meramente caritativa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Claro, contestarão, enumerando uma série de pessoas do seu círculo político que destacariam também como cristãos autênticos. Mas o que me parece é que tem faltado leitura complexa. Há pessoas honradas em qualquer agremiação política, como há também desonrados. O mesmo pode se dizer da igreja? Sim, somos santos e pecadores, não? Padres pedófilos envergonham a igreja, que não tem culpa desses desvios. Eles devem ser punidos? Apedrejados? Ou vale a força da lei e do direito dos homens? Políticos corruptos envergonham os partidos políticos? Qual deles está imune a esse desvio? Não deveria prevalecer para estes a força da lei? Perdem-se os princípios de uma instituição religiosa ou política por quais razões? Por falhas humanas? Se disserem que sim, estaremos de acordo. Então, por qual razão centramos fogo nos desvios (já que existe a lei) e perdemos o foco em relação aos projetos? Por qual razão não apoiamos que se cumpra a lei?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Eu fico com a premissa de que o evangelho é revelado aos humildes. Não me alivio com a defesa incondicional de nenhuma pessoa, porque seria contraditório com relação à natureza humana, plena e decaída. Mas como humanista, não posso me furtar a uma leitura complexa, quase nunca precisa, sobre o que move a vida de cada ser humano. Não sou como disse, afeito a rótulos, prefiro a liberdade de consciência, o espírito livre, independentemente da instituição política e religiosa que se me apresentam como “melhores”. Talvez por isso tenha me afastado delas, onde não percebi espaços para o efetivo debate democrático. Sou imune ao petismo sectário e ao catolicismo reacionário. Mas reconheço em alguns militantes da igreja e de partidos progressistas um efetivo compromisso com os pobres. Prefiro manter-me fiel a alguns princípios que julgo fundamentais, sem me declarar mais como parte integrante de um rótulo. Sinto-me livre para reconhecer o que há de bom e o que não há em qualquer espaço institucional, mas sempre preservando certa distância crítica. Talvez ainda esteja inserido na comunidade dos crentes, no grupo dos que defendem uma luta popular ancorada na democracia socialista, mas não necessito deste reconhecimento social. Sou a favor, da reflexão apurada, crítica. Talvez por ser filósofo e me dedicar à Sociologia e à História, penso que a dialética da contradição é, por um lado, uma dádiva do conhecimento, por outro, me esforço para que sejam construídas, especialmente através do trabalho educativo, relações dialogais melhor qualificadas, para não recairmos no adesismo barato, sem fundamento. A subjetividade é um outro valor que cultivo. O que se entende sobre o bem comum pode ter várias interpretações, como já disse. Quem sabe ele possa constituir-se como um princípio intersubjetivo, que pode ser discutido e aprimorado? Agindo como esses ditos cristãos agem, apoiando os projetos que apóiam, não creio que possamos atingir esse patamar consensual, quase utópico hoje em dia. Não dá para suplantar a força do domínio e do poder exercido pelos de cima sem a unidade dos de baixo. Uma unidade na paz, não como elemento de conciliação, mas como razão ética de força intersubjetiva. E quem está com os de cima? Quem está com os de baixo? Quem se cala e prefere a “neutralidade”?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">É preferível crucificar a perdoar? Ver a palha no olho dos irmãos, ou descobrir a trave no próprio? É preferível que os bancos das paróquias sejam reservados aos mais importantes, como na idade média? Que eles participem da liturgia como um direito adquirido aos mais destacados “fiéis”? E que seja anátema aquele que supostamente não compartilha das crenças cristãs? Não leram São Paulo? Não leram Jesus? Ah, o velho Dom Paulo Evaristo um dia colocou um mendigo, desses que são expulsos das igrejas, sentado no altar da celebração fraternal. Exemplo ímpar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Esses cristãos confundem liberdade religiosa e de opinião com controle moral. Mas acreditam em tudo que é publicado na “imprensa livre”. Os vitimados pela falta de oportunidades culturais e educacionais, no entanto, não são tão ignorantes assim para que a tutela do padre, do bispo ou do líder partidário precise ser manifestada. Alguns dos que estão um pouco acima na cadeia social, parecem nunca ter lido absolutamente nada que tenha algum rigor científico.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Desconhecem o significado do termo “dilema ético”, porque não o tem, vivem de certezas e ortodoxias, não do benefício da dúvida, não do sentido da complexidade e da noção de contexto. Esqueceram-se da compaixão, esqueceram-se do perdão. Esqueceram-se que em situações extremas, o que prevalece é sempre a consciência de cada um e que só a Deus cabe julgar. Pobres dos divorciados, dos destituídos do sagrado, dos homossexuais, dos que não compartilham mais da prática católica, buscando espiritualidade nas partículas de seu próprio organismo, no Deus não panteísta, mas condição imanente em toda criatura.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nenhuma vida perdida deve ser justificada, é verdade. Mas há dilemas morais em que escolhas não são movidas por racionalidades, teologias. São meras escolhas, difíceis, mas escolhas. Mas nenhuma alma viva deve ser atacada até à morte moral, porque isso é contra o evangelho. Deixemos o nome das pessoas de lado e pensemos em projetos políticos. Não pessoalizemos situações, vamos olhar de forma mais abrangente que há uma malvadeza solta pelo mundo, uma malvadeza contrária ao evangelho. Uma malvadeza que na voz de um prêmio Nobel de economia significa impedir uma política para os excluídos, tornando o Estado um serviçal dos interesses privados. Se tivermos que discutir a política econômica, fazer ver que ainda há um esforço enorme para que a efetiva mobilização popular aconteça; se tivermos que fazer ver que ainda há privilégios e concentração de riqueza, tenhamos coragem de assumir essa tarefa. Se tivermos que denunciar desvios de princípios, comecemos fazendo pela própria igreja, tenhamos humildade para assumir essa postura.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Infelizmente alguns cristãos votam em quem beija o crucifixo em um palanque. Nos pastores televisivos (católicos ou evangélicos) sem teologia. Esqueçem-se que sujeitos a erros todos estão. Esqueçem-se do espírito fraternal e do respeito à pessoa humana e atiram a primeira pedra. Votam nos candidatos comprometidos com a grande imprensa, com o latifúndio improdutivo, com a destruição do patrimônio público, com o controle da feitura das políticas públicas sem participação da sociedade civil. Votam nos que endossam e engrossam as fileiras dos desmantelamentos neoliberais, nos que vendem o que é de todos alegando que o Estado deve se abster de interferir na economia, mesmo interferindo em favor da propriedade privada. Abdicam da fé cristã e continuam agindo como sempre agiram, fechando os olhos para o fato de que é mais fácil um nó bem grosso passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus. E alimentam o ódio através de panfletos e homilias (e olha que o ódio de classes era considerado uma característica do socialismo, hein?). São contra tudo o que o evangelho prega. Particularmente, sou feliz por ter uma criança em minha família que se recusa a falar mal dos outros. Com apenas 11 anos de idade, dá um banho de cristianismo em vários sacerdotes e bispos que ocupam os altares. Até agora, só teve o benefício do sacramento do batismo e da eucaristia. E nunca será ordenada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Continuam considerando que só se pode viver a autêntica fé cristã dentro das paredes das igrejas. Continuam enaltecendo a “probidade administrativa” dos “melhor preparados” e dos que se declaram católicos ou cristãos. Desconsideram os operários que chegaram ao poder, os ateus, os budistas, os xintoístas, os umbandistas, os maometanos, os espíritas.  Encontram a corrupção apenas onde desejam ver. Encontram as boas realizações e o “sucesso” da escola pública em determinados estados do país. Ficam felizes por ver seus filhos se tornando cidadãos “preparados” por essa escola que empurra todo mundo pra frente sem aprender, que despreza o professor. Rezam bastante e esqueçem-se do mundo, esqueçem-se que a vida é uma oração. Se houver um juízo futuro, a História dirá. Como há justiça divina, devemos esperar que ela se manifeste. Lavam as mãos todos os dias, como fez Pilatos. Crucificam o povo. O Cristo dos pobres, da mensagem revelada aos humildes, infelizmente está esquecido por esses cristãos, que se associam aos poderosos, que votam nos seus representantes, que cantam e dançam alegremente liderados pelos eminentes proporcionadores da cura e da libertação. Libertação em outra perspectiva, não a Libertação integral, social, política, ecológica.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Que Deus me perdoe se minha crítica for ácida, já que não quero condenação, mas tenho esperanças em alguma harmonia possível. Consola-me o fato de Cristo ter dito que após admoestar um irmão que se recusa a reverter seus atos, devemos sacudir o pó de nossas sandálias e continuar nossa missão. Consola-me o fato de Jesus também ter permitido a si mesmo a raiva contra os fariseus hipócritas, sepulcros caiados. Ter usado o chicote contra os vendilhões do templo. E Ele nunca perdeu o amor pelos efetivamente arrependidos. Também tenho esse desejo. Penso mais em correção fraterna que expurgo. Não os condeno, mas conclamo à reflexão. Não me acusem de não possuir autoridade. Vocês gostam do argumento da autoridade autoritária, mas eu prefiro a autoridade dos argumentos democráticos, aprendidos com minha passagem pela igreja e pela minha caminhada intelectual. Não me esqueço da caridade e da fraternidade, mesmo considerando-me um servo inútil.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Não continuem rotulando e assumindo rótulos, por que “nem todo aquele que me diz senhor, senhor, entrará no reino dos céus”. Não se esqueçam das palavras de Jesus: “eu quero compaixão e não sacrifícios”. A compaixão com os sofredores deste mundo. Neste mundo em que Deus se manifesta, no aqui e agora.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Por fim, reconforto-me ao lembrar que ainda há outro tipo de cristão no Brasil, que nunca ficará acomodado esperando que Deus faça por nós, o que é nosso dever: promover a justiça e a igualdade. Muitos deles nem estão ocupando os espaços das igrejas, não participam dos sacramentos ou talvez nunca tenham ouvido falar em Jesus.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>José Renato Polli.</strong> Filósofo, Historiador e Pedagogo. Mestre em História Social (PUC-SP), Doutor em Educação – Filosofia da Educação (FEUSP). Professor universitário (Centro Universitário Padre Anchieta-Jundiaí-SP) e Diretor do Colégio Paulo Freire (Jundiaí-SP). Autor de “Paulo Freire: o educador da esperança” (In House), organizador de 5 livros na área de educação, autor de 17 capítulos de livros e de mais de 300 ensaios e artigos publicados em jornais, revistas literárias e revistas especializadas. Foi militante, dirigente e assessor da Pastoral da Juventude de Jundiaí (1976-1986), tendo participado da VIII Assembléia Geral das Igrejas (CNBB, 1985). Também foi dirigente sindical no movimento dos professores em defesa da escola pública paulista (1990-2001), músico e compositor (1983-1995). Palestrante, conferencista, articulista de jornais e organizações não governamentais na área de educação. Foi pesquisador-bolsista pelo CNPq (1992-1995), tendo neste período escrito sua dissertação de mestrado sobre os Movimentos de Encontro da juventude Católica dos anos 70 (em vias de publicação) no âmbito da linha de estudos sobre Igreja e Movimentos Sociais do Programa de Pós-Graduação em História da PUC-SP. Participou da II Conferência Internacional Geral do CEHILA (Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina e no Caribe), em 1995. Defendeu tese de doutorado em educação sobre o pensamento ético de Paulo Freire e Jürgen Harbamas junto à Faculdade de Educação da USP (2006). É frequentemente solicitado para entrevistas em programas de rádio e TV, abordando temas como ética, educação, política, cultura e religiosidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="mailto:jrpolli@uol.cm.br">jrpolli@uol.cm.br</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://renatopolli.zip.net">http://renatopolli.zip.net</a></span></p>
<hr size="1" />
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<p><a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> Sugiro a leitura da dissertação de Paulo Roberto de Almeida (<em>Círculos Operários católicos: prática de assistência e de controle no Brasil- 1932-1945</em>. PUC/SP, 1992), professor da Universidade Federal de Uberlândia sobre o papel exercido pelos Círculos Operários Católicos no Brasil, movimento que operava no meio católico conservador, infiltrando-se na luta sindical para dar contornos ao discurso em favor de direitos trabalhistas.</p>
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<p><a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref2">[2]</a> Valeria a pena ler o texto de Vera da Silva Telles intitulado “Anos 70: experiências práticas e espaços”, publicado na obra “As lutas /sociais e a cidade”, organizada por Lúcio Kowarick e publicada em 1988 pela Editora Paz e Terra. Também interessante é o trabalho de Emir Sader “Quando novos personagens entraram em cena”, publicado pela mesma editora em 1989, demonstrando o engajamento social cristão nas lutas populares.</p>
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		<title>Filosofia Contemporânea</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 14:27:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As pricipais ideias e os mais importantes pensadores da Filosofia Contemporânea numa pesquisa de Rudinei Borges.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=424&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong><img src="http://dramaturgiaufop.files.wordpress.com/2010/05/umarla-klasa-kantor.jpg?w=260&#038;h=174" alt="" width="260" height="174" /><strong><img src="http://dramaturgiaufop.files.wordpress.com/2010/05/umarla-klasa-kantor.jpg?w=260&#038;h=174" alt="" width="260" height="174" /><strong><img src="http://dramaturgiaufop.files.wordpress.com/2010/05/umarla-klasa-kantor.jpg?w=260&#038;h=174" alt="" width="260" height="174" /><strong><img src="http://dramaturgiaufop.files.wordpress.com/2010/05/umarla-klasa-kantor.jpg?w=260&#038;h=174" alt="" width="260" height="174" /></strong></strong></strong></strong></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Roteiro para um vídeo </strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">por Rudinei Borges</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em>* elaborado a partir de pesquisa em vários textos.</em>  </span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Introdução</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Você já parou para se perguntar o que realmente significa o termo Filosofia? Claro que já ouvi que Filosofia significa amor ao conhecimento. Mas, além disso o que você sabe? Na verdade, a Filosofia é a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A palavra filosofia tem origem grega. É isso o que explica o professor Edilson Pantoja que é professor de Filosofia na cidade de Belém, no Pará.  A palavra Filosofia é formada a partir da junção dos termos philia e sophia, o que nos dá em português algo como amizade pela sabedoria, amor pelo conhecimento. Interessante, não? E se pensarmos que amar implica buscar (por exemplo: quando vocês ficam a fim de alguém, não buscam conquistá-lo (a) e mantê-lo (a) conquistado (a)?), então teremos que a coisa chamada Filosofia é, enquanto “amor pelo conhecimento”, uma busca pelo conhecimento.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E embora não sirva como definição completa da Filosofia, esta imagem é realmente interessante! Ela nos dá alguma noção da natureza da Filosofia e do filosofar. Ela nos diz que filosofar é buscar conhecimento. Mas, observem: apesar da imagem nos dar uma noção bacana, ela não diz tudo o que a filosofia realmente é. Pois buscar o conhecimento não significa buscar qualquer conhecimento.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Assim como as garotas sonham encontrar um dia o seu “príncipe encantado”, isto é, assim como elas têm um ideal do cara perfeito, e de olho nesse ideal descartam os carinhas abusados, os “lisos”, os malandros, etc., ou seja, aqueles que não se encaixam no perfil ideal, também a filosofia tem um ideal de conhecimento. O conhecimento que a filosofia busca é apenas o conhecimento racional: aquele que satisfaça as exigências da razão.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Pois é, assim como as garotas são exigentes, a razão, faculdade responsável em nós pelo ato de pensar e conhecer criticamente, também é um bocado exigente. Ela não aceita qualquer verdade sem, antes, examinar criteriosamente. Faculdade profundamente crítica, a razão primeiro desconfia. Ela submete as verdades a rigoroso teste: o teste da dúvida. E só toma algo como verdadeiro se este algo passar no teste. Passar no teste significa satisfazer a todos os princípios racionais. Assim, se alguma verdade não passa no teste ou se se recusa a fazê-lo, é descartada como falsa ou dogmática.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Exemplos de “verdades” que costumam não passar no teste ou se recusam a fazê-lo: aquelas cujo fundamento exclusivo é a fé, os sentidos, o hábito, a não-reflexão. As verdades que recusam submeter-se ao teste da razão são denominadas dogmáticas. Um dogma é, pois, uma verdade concebida como absoluta, inquestionável. É próprio de todo dogma desejar a inércia, a morte do pensamento crítico.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Todo dogma se constitui adversário do pensamento racional. Por sua vez, as filosofias, na medida que criticam a pretensão de verdade contida naquelas visões de mundo, deseja também se constituir como visão de mundo, como palavra mais autorizada e verdadeira, porque racional, da realidade. E nisto há outro sério risco para o pensamento. É que a mesma vontade de verdade que alimenta a busca filosófica, contém, simultaneamente, uma vontade de domínio: cada filósofo elabora sua filosofia com a pretensão de que ela, por ser verdadeira, encerre a discussão sobre o assunto ali tratado. Pretende que ela seja a última palavra sobre o assunto. E assim, tal filosofia, que se originou com base num diálogo travado com filosofias que lhe antecederam, visa não apenas criticá-las, mas, no fim, superá-las. Aquele diálogo é, pois, expressão de um jogo de forças.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ora, é justamente nesta vontade de domínio, importantíssima para o progresso do pensamento, que se oculta o maior risco para o pensamento filosófico. É o que pode levá-lo a também se tornar dogmático, isto é, a ser anti-filosófico.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Contudo, embora a Filosofia (com “F” maiúsculo) se constitua com base nas filosofias que cada filósofo em seu tempo elaborou, ela não se reduz a nenhuma delas. Ao contrário, expressa o movimento geral e radical do pensamento enquanto ideal de crítica. Assim, embora historicamente limitada pelas condições de cada época e de cada pensador, a Filosofia está, enquanto ideal de crítica e “amor pelo conhecimento”, sempre posta numa relação de negação com  seu tempo, sempre inoportuna, sempre indesejada pelos poderes estabelecidos, quaisquer que sejam eles.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Como sabemos a História é dividida didaticamente em cinco grandes períodos: a Pré-História, a Idade Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. Podemos tranquilamente situar o pensamento e os questionamentos filosóficos conforme essa divisão.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A articulação em &#8211; Antiguidade – Idade Média – Idade Moderna – foi enunciada pelo alemão Cristoph Cellarius (1634-1707) que, de início, correspondia à interpretação e valorização pelos Humanistas de uma história cultural européia ocidental.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ao final do século XIX, quando da afirmação da História enquanto ciência, afirmou-se no mundo ocidental uma divisão baseada em grandes marcos ou eventos, que se denomina de &#8220;periodização clássica&#8221;:  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Pré-História</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A chamada Pré-história se inicia com o surgimento do Homem na Terra e dura até cerca de 4.000 a.C., quando é inventada a escrita no Crescente Fértil, mais precisamente na Mesopotâmia. Caracteriza-se pelo nomadismo, e pelas atividades de caça e de coleta. Nessa época temos o surgimento da agricultura e da pecuária, o que após alguns anos levou os homens pré-históricos ao sendentarismo e a criação das primeiras cidades. Nesse período foram feitas grandes descobertas sem as quais hoje seria muito difícil viver. No paleolítico tivemos a descoberta do fogo e, mais tarde na Idade dos Metais ou Metalurgia, a de que os metais poderiam ser fundidos e até misturados uns aos outros.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#800000;"><strong>Idade Antiga</strong> </span> </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A Antiguidade é computada de cerca de 4.000 a.C. até 476 d.C., quando ocorre a queda do Império Romano do Ocidente. É estudada com estreita relação ao Próximo Oriente, onde floresceram as primeiras civilizações, sobretudo no chamado Crescente Fértil, que atraiu, pelas possibilidades agrícolas, os primeiros habitantes da Turquia, Espanha, </span><a title="Portugal" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal"><span style="color:#000000;">Portugal</span></a><span style="color:#000000;">, </span><a title="França" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a"><span style="color:#000000;">França</span></a><span style="color:#000000;"> e </span><a title="Alemanha" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha"><span style="color:#000000;">Alemanha</span></a><span style="color:#000000;">. Marcaram profundamente a filosofia na Idade Antiga pensadores como Tales de Mileto, Heráclito, Epicuro, Sócrates, Platão, Aristóteles, Zenão de Cítio e Epicuro.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Idade Média</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A </span><a title="Idade Média" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_M%C3%A9dia"><span style="color:#000000;">Idade Média</span></a><span style="color:#000000;"> é computada de 476 d.C. até </span><a title="1453" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1453"><span style="color:#000000;">1453</span></a><span style="color:#000000;">, quando ocorre a conquista de </span><a title="Constantinopla" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Constantinopla"><span style="color:#000000;">Constantinopla</span></a><span style="color:#000000;"> pelos </span><a title="Império Otomano" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Otomano"><span style="color:#000000;">turcos otomanos</span></a><span style="color:#000000;"> e consequente queda do </span><a title="Império Romano do Oriente" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Romano_do_Oriente"><span style="color:#000000;">Império Romano do Oriente</span></a><span style="color:#000000;">. Caracterizou-se pelo </span><a title="Modo de produção" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Modo_de_produ%C3%A7%C3%A3o"><span style="color:#000000;">modo de produção</span></a><span style="color:#000000;"> </span><a title="Feudalismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Feudalismo"><span style="color:#000000;">feudal</span></a><span style="color:#000000;">. A Filosofia Medieval foi bastante influenciada pelo cristianismo. Neste período temos pensadores como Santo Agostinho, Santo Anselmo, Tomás de Aquino e Guilherme de Ockham.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Idade Moderna</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A chamada </span><a title="Idade Moderna" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Moderna"><span style="color:#000000;">Idade Moderna</span></a><span style="color:#000000;"> inicia no ano de 1453  e vai até </span><a title="1789" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1789"><span style="color:#000000;">1789</span></a><span style="color:#000000;">, quando acontece uma grande revolução na França, conhecida como “A </span><a title="Revolução Francesa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa"><span style="color:#000000;">Revolução Francesa</span></a><span style="color:#000000;">”. Compreende o período da invenção da </span><a title="Imprensa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa"><span style="color:#000000;">Imprensa</span></a><span style="color:#000000;">, os </span><a title="Expansão marítima" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Expans%C3%A3o_mar%C3%ADtima"><span style="color:#000000;">descobrimentos marítimos</span></a><span style="color:#000000;"> e o </span><a title="Renascimento" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento"><span style="color:#000000;">Renascimento</span></a><span style="color:#000000;">. Caracteriza-se pelo nascimento do </span><a title="Modo de produção" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Modo_de_produ%C3%A7%C3%A3o"><span style="color:#000000;">modo de produção</span></a><span style="color:#000000;"> </span><a title="Capitalismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo"><span style="color:#000000;">capitalista</span></a><span style="color:#000000;">. Deste período temos vários filósofos significativos, como: Descartes, Thomas Hobbes, Rousseau, Locke, Giordano Bruno, Nicolau Copérnico, Maquiavel, Galileu Galilei, Francis Bacon, Pascal, Espinosa, David Hume, George Berkeley, Monstequieu, Voltaire, Diderot e Adam Smith. Por último, na passagem para a Idade Contemporânea, econtramos a singular e densa obra de Immanuel Kant.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Idade Contemporânea</strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Já a Idade Contemporânea compreende o espaço de tempo que vai da Revolução Francesa aos nossos dias. Portanto, é importante lembrar que somos parte da história contemporânea, da história atual. O que acontece agora é reponsabilidade nossa. A Idade Contemporânea está marcada de maneira geral, pelo desenvolvimento e consolidação do regime capitalista no ocidente e, consequentemente pelas disputas das grandes potências européias por territórios, matérias-primas e mercados consumidores.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No seu início, A Filosofia Contemporânea  foi bastante marcada pela corrente filosófica iluminista. O iluminismo representava o perícdo em que novas luzes ou novas ideias surgiam na mente humana, apontando para um tempo em que somente a razão humana iria predominar. Filósofos iluministas como Monstequieu, Voltarie, Diderot, Adam Smith e também Immanuel Kant  elevavam a importância da razão. Havia um sentimento de que as ciências iriam sempre descobrindo novas soluções para os problemas humanos e que a civilização humana progredia a cada ano com os novos conhecimentos adquiridos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O pesquisador Neil Turnbull em seu dinâmico e ilustrado livro “Fique por dentro da filosofia” – já traduzido para o português – afirma que os filósofos iluministas acreditavam que, se a razão e a racionalidade se tornassem os princípios organizadores das sociedades modernas, isso levaria ao desenvolvimento de uma verdadeira sociedade justa, baseada em valores de progresso social, tolerância e obediência à vontade geral.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mas como veremos adiante, uma das características mais interessantes da Filosofia Contemporânea é a disparidade de enfoques, sistemas e escolas, face ao desenvolvimento, de certo modo mais uniforme e linear, da Filosofia Moderna. Para esta proliferação de pontos de vista e de escolas, contribuíram, em grande medida, fatores sócio-culturais, como: a crise contemporânea dos sistemas políticos, o avanço espetacular das ciências naturais e lógico-formais e o desenvolvimento das <em>ciências humanas</em>, cujos métodos e resultados tiveram repercussões e consequências de interesse no campo e nos problemas da filosofia, como o surgimento da Psicologia, da Sociologia e Antropologia, por exemplo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para compreendermos todo este processo é necessário que você preste bastante atenção e anote todas as suas dúvidas durante a exibição deste vídeo. Anote as palavras que você não entendeu, o nome dos filósofos que você não conhece e as novas palavras que surgirem durante a nossa conversa. Depois pesquise em livros, em sites especializados na<em> internet</em> ou pergunte para o seu professor. Convide e anime também os seus colegas para acompanharem a nossa viagem a partir de agora. O que falaremos e apresentaremos neste vídeo diz respeito a você e a tudo que acontece atualmente no mundo. E você faz parte. Você é o sujeito protagonista de sua história e da história do mundo. Com suas reflexões e ações você poderá mudar e fazer coisas novas e interessantes para o mundo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para começar, vamos nos perguntar: qual era a realidade em que surgiu o que estamos chamando de Filosofia Contemporânea? Como você sabe tudo tem um começo, um meio e um fim. A Filosofia Contemporânea teve o seu começo, porém para a maioria dos estudiosos ela ainda não chegou ao fim. Então, quer dizer que você faz parte dessa história.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Bem, para chegarmos a uma resposta é interessante saber que a partir da metade do século XVIII, ou seja, há uns 250 anos atrás, o que é pouco tempo se pensarmos em termos históricos, o sistema capitalista foi se consolidando em diversos países da Europa e em outras regiões do mundo.  Você sabe o que significa o termo sistema capitalista? Então, vamos lembrar: o capitalismo é um sistema econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção, na organização da produção visando o lucro. Os empregados são assalariados e os produtos produzidos são vendidos a partir de um preço estabelecido. O Brasil, por exemplo, é um país capitalista. O que queremos dizer é que o capitalismo não existiu sempre e quando inicia a Filosofia Contemporânea este sistema econômico estava se estabilizando na Europa e mais tarde também no nosso país, que hoje é uma das maiores economias do planeta.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Neste período ocorreu a Revolução Industrial, com isso as antigas oficinas dos artesãos foram sendo substituídas pelas fábricas, e muitas ferramentas pelas novas máquinas. Antes da Revolução Industrial, um sapato, por exemplo, era confeccionado na oficina de um artesão ou sapateiro, mas depois da Revolução o sapato passou a ser feito em fábricas.  Surgiram novas fontes de energia, como o carvão, a eletricidade e o petróleo. No século XIX surgiram novas invenções tecnológicas, como a locomotiva elétrica, o motor a gasolina, o automóvel, o motor a diesel, o telégrafo, o telefone e o rádio.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um marco decisivo para o início da Idade Contemporânea e da Filosofia desse período foi a Revolução Francesa, como citamos antes. A revolução ocorreu de 1789 a 1799. Esse movimento foi, em grande parte, liderado por grupos burgueses que, a partir de certa ascensão econômica, reivindicaram participação no poder político e na construção de novo modelo de sociedade. Entretanto, além dos anseios próprios das burguesias, a Revolução Francesa também trouxe à cena aspirações dos trabalhadores urbanos e rurais.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E o entusiasmo com a razão humana dos filósofos iluministas? Ah, este ânimo em grande parte foi minguando no período contemporâneo. Os novos filósofos lançaram desconfiança em relação aos diversos frutos, tantas vezes inesperados, da ciência e da tecnologia. Muitos filósofos começaram a questionar a supremacia da razão. Então, anote aí algumas perguntas que são típicas da Filosofia Contemporânea:  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Será que a ciência poderá resolver todos os problemas da humanidade?  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O homem deve confiar apenas na razão?  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A tecnologia impedirá o fim da humanidade?  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ouça o que disse Horkheimer, famoso filósofo do século XX, em seu livro “Eclipse da razão”:  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">“Parece que enquanto o conhecimento técnico expande o horizonte da atividade e do pensamento humanos, a autonomia do homem enquanto indivíduo, a sua capacidade de opor resistência ao crescente mecanismo de manipulação de massas, o seu poder de imaginação e o seu juízo independente sofreram uma redução. O avanço dos recursos técnicos de informação se acompanha de um processo de desumanização.”  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Horkheimer opõe o conhecimento técnico e autonomia do homem enquanto indivíduo. Parece que a tecnologia tem diminuído a capacidade do ser humano em se opor aos mecanismos de manipulação do sistema capitalista. Você concorda com o filósofo? Será que a tecnologia desumaniza o homem?  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">O Enigma da razão</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Como você deve ter percebido, a Filosofia Contemporânea fundamenta-se em alguns conceitos que foram elaborados no século XIX. Um desses conceitos é o conceito de história, que foi formulado pelo filósofo </span><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u385.jhtm"><span style="color:#000000;">Hegel</span></a><span style="color:#000000;">. A filosofia de Hegel, conforme observou a pesquisadora Heidi Strecker, relaciona-se com as ideias de totalidade e de processo. Passamos a entender o homem como um ser histórico, assim como a sociedade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Uma das consequências dessa percepção é a idéia de progresso. O filósofo </span><a href="http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u30.jhtm"><span style="color:#000000;">Auguste Comte</span></a><span style="color:#000000;"> foi um dos principais teóricos a pensar essa questão. Tanto a razão quanto o saber científico caminham na direção do desenvolvimento do homem (o lema da bandeira brasileira, <em>ordem e progresso</em>, é inspirado nas idéias de Comte).  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">As utopias políticas elaboradas no século XIX, como o </span><a href="http://educacao.uol.com.br/sociologia/ult4264u28.jhtm"><span style="color:#000000;">anarquismo</span></a><span style="color:#000000;">, o </span><a href="http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u11.jhtm"><span style="color:#000000;">socialismo</span></a><span style="color:#000000;"> e o </span><a href="http://educacao.uol.com.br/sociologia/ult4264u44.jhtm"><span style="color:#000000;">comunismo</span></a><span style="color:#000000;">, também devem muito à ideia de desenvolvimento e progresso, como caminho para uma sociedade justa e feliz.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A ideia de que a história fosse um movimento contínuo e progressivo em direção ao aperfeiçoamento sofreu duras restrições durante o século XX.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No século XX, porém, formou-se a noção de que o progresso é descontínuo, isto é, não se faz por etapas sucessivas. Desse modo, a história universal não é um conjunto de várias civilizações em etapas diferentes de desenvolvimento. Cada sociedade tem sua própria história. Cada cultura tem seus próprios valores.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Essa visão de mundo possibilitou o desenvolvimento de várias ciências como a etnologia, a antropologia e as </span><a href="http://educacao.uol.com.br/sociologia/ult4264u6.jhtm"><span style="color:#000000;">ciências sociais</span></a><span style="color:#000000;">, como citamos inicialmente.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A confiança no saber científico foi outra das atitudes filosóficas que se desenvolveram no século XIX. Essa atitude implica que a natureza pode ser controlada pela ciência e pela técnica. Mas não apenas isso, o desenvolvimento da ciência e da técnica passa a ser capaz de levar ao progresso vários aspectos da vida humana. Surgiram disciplinas como a psicologia, a sociologia e a pedagogia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No século XX, a filosofia passou a colocar em cheque o alcance desses conhecimentos. Essas ciências podem não conseguir abranger a totalidade dos fenômenos que estudam. E também muitas vezes não conseguem fundamentar e validar suas próprias descobertas.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A idéia de que a razão, a ciência e o conhecimento são capazes de dar conta de todos os aspectos da vida humana também foi pensada criticamente por dois grandes filósofos: </span><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u149.jhtm"><span style="color:#000000;">Karl Marx</span></a><span style="color:#000000;"> e </span><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u287.jhtm"><span style="color:#000000;">Sigmund Freud</span></a><span style="color:#000000;">.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No campo político, Marx tornou relativa a idéia de uma razão livre e autônoma ao formular a noção de ideologia &#8211; o poder social e invisível que nos faz pensar como pensamos e agir como agimos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No campo da psique, Freud abalou o edifício das ciências psicológicas ao descobrir a noção de inconsciente &#8211; como poder que atua sem o controle da consciência.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A idéia de progresso humano como percurso racional sofreu um duro golpe com a ascensão dos regimes totalitários, como o </span><a href="http://educacao.uol.com.br/historia/ult1704u42.jhtm"><span style="color:#000000;">nazismo</span></a><span style="color:#000000;">, o fascismo e o </span><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u354.jhtm"><span style="color:#000000;">stalinismo</span></a><span style="color:#000000;">. O desencanto tomou o lugar da confiança que existia anteriormente na idéia de uma razão triunfante.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para fazer face a essa realidade, um grupo de intelectuais alemães, conhecido como Escola de Frankfurt, elaborou uma teoria que ficou conhecida como <em>teoria crítica</em>. Desta escola fazia parte filósofos, como </span><a title="Walter Benjamin" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin"><span style="color:#000000;">Walter Benjamin</span></a><span style="color:#000000;">, </span><a title="Herbert Marcuse" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Marcuse"><span style="color:#000000;">Herbert Marcuse</span></a><span style="color:#000000;"> e </span><a title="Theodor Wiesengrund-Adorno" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_Wiesengrund-Adorno"><span style="color:#000000;">Theodor Adorno</span></a><span style="color:#000000;">, aos quais se pode ligar o pensamento de </span><a title="Jürgen Habermas" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BCrgen_Habermas"><span style="color:#000000;">Habermas</span></a><span style="color:#000000;">. Um dos principais filósofos desse grupo é o já comentado Max Horkheimer. Ele pensou que as transformações na sociedade, na política e na cultura só podem se processar se tiverem como fim a emancipação do homem e não o domínio técnico e científico sobre a natureza e a sociedade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Esse pensamento distingue a razão instrumental da razão crítica. O que seria a razão instrumental? Aquela que transforma as ciências e as técnicas num meio de intimidação do homem, e não de libertação. E a razão crítica? É a que estuda os limites e os riscos da aplicação da razão instrumental.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O filósofo </span><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u623.jhtm"><span style="color:#000000;">Jean-Paul Sartre</span></a><span style="color:#000000;"> também pensou as questões do homem frente à liberdade e ao seu compromisso com a história. Utilizando também as contribuições do marxismo e da psicanálise, o filósofo elaborou um pensamento sistemático que põe em relevo a noção de existência em lugar da essência.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O estudo da linguagem científica, dos fundamentos e dos métodos das ciências tornou-se um foco de atenção importante para a filosofia contemporânea. O filósofo Edmund Husserl propôs à filosofia a tarefa de estudar as possibilidades e os limites do próprio conhecimento. Husserl desenvolveu uma teoria chamada <em>fenomenologia</em>.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">As formas e os modos de funcionamento da linguagem foram estudados pelo filósofo Ludwig </span><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u529.jhtm"><span style="color:#000000;">Wittgenstein</span></a><span style="color:#000000;">. A filosofia analítica é uma disciplina que se vale da análise lógica como método e entende a linguagem como objeto da filosofia. Bertrand Russel e Quine também estudaram os problemas lógicos das ciências, a partir da linguagem científica.  </span></p>
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<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>A Filosofia de Hegel</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Alemanha, 1770.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Talvez ninguém como o filósofo alemão Georg Hegel, que nasceu em 1770 e faleceu em 1831, tenha conseguido montar um sistema filosófico tão completo. Nas pesquisas do professor Gilberto Cotrim, Hegel é apontado como o ponto culminante do racionalismo, da crença que a razão é o elemento solucionador dos problemas humanos. Hegel integra o grupo de pensadores que defendiam o idealismo. Esse modo de pensar ficou conhecido como Idealismo Alemão. Ele escreveu importantes ensaios como “Fenomenologia do espírito”, “Princípios da filosofia do direito” e “Lições sobre a história da filosofia”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A carreira de Hegel levou-o a ser editor de jornal, diretor de escola e finalmente professor de filosofia, primeiro na cidade de Heidelberg e depois em Berlim, a capital da Alemanha.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O que é a realidade? Esta é uma pergunta que Hegel responde com clareza. Hegel via a realidade como uma unidade orgânica, uma unidade que não estava numa condição estável mas num constante processo de desenvolvimento. Achou difícil? Então, vamos lá. A realidade está sempre em processo de construção. Como cantava Cazuza, um dos maiores artistas brasileiros da década de 1980, “o tempo não pára, não pára não”. A meta final do desenvolvimento da realidade é a obtenção do auto-reconhecimento e do auto-entendimento.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Veja esta afirmação de Hegel: A realidade é produto da atividade da mente racional. A mente é uma espécie de espírito universal. Mas isso não tem nada haver com o sentido religioso da palavra espírito. Hegel entendia a realidade como espírito. Na língua alemã, Hegel usava a palavra <em>GEIST</em>. Para o nosso filósofo a <em>Geist </em>é a existência mesma, a essência última do ser. O processo histórico inteiro que constitui a realidade é o desenvolvimento de <em>Geist</em>. A razão era considerada o princípio que governa o movimento desse espírito ao longo da história. Ou seja, anote aí: O que move a história são as suas contradições. Se a história fosse um carro, o seu motor se chamaria “contradição”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Hegel chamava a contradição de movimento dialético ou dialética.  Ele quis captar em sua filosofia o movimento dialético da realidade. Imaginemos uma planta. Assim como um botão precisa desaparecer para que uma flor surja, e a flor desaparece para que surja o fruto, da mesma forma, todas as coisas passam por um processo dinâmico de transformações que leva a uma síntese superior.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A dialética não é uma forma de pensar a realidade, mas sim o movimento real da realidade. Por isso, para acompanhar a realidade, o pensamento também deve ser dialético. A realidade é um contínuo devir, vir a ser. Um momento prepara outro momento mas, para que esse outro momento aconteça, o anterior tem de ser negado. Esses três momentos são comumente chamados de tese, antítese e síntese. É um movimento circular que não se fecha, pois cada momento final, que seria a síntese, se torna a tese de um movimento posterior, de caráter mais avançado.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para compreender, preste atenção no nosso resumo. A filosofia de Hegel declara que a história é um processo social dirigido por contradições entre sistemas de idéias que competem entre si. Essa contradição era considerada parecida com a luta entre escravo e senhor, que só podia ser resolvida quando o senhor finalmente reconhecesse o escravo como pessoa livre. Da mesma forma, as ideias lutam por reconhecimento: quando as mais fracas são reconhecidas como válidas e significativas pelas mais fortes, acontece uma mudança nessas últimas. Nesse momento, um novo conjunto de ideias emerge e engloba ambas. Hegel chamava tal fato de processo dialético, um processo de mudança histórica que produz novas e melhores formas de conhecimento mediante o processo de tese, antítese e, finalmente, uma nova síntese.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para Hegel, é nossa compreensão da história, e não da ciência, que nos oferece a melhor maneira de compreendermos a nós mesmos e ao nosso meio ambiente. O fato de ter perguntado “o que é a história?” e “em que direção caminha a história” faz dele um filósofo de importância suprema. E para você: para onde caminha a história? Quem faz a história?  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Apesar de toda a sua grande filosofia nem todo mundo concorda com Hegel. Muitos filósofos se opuseram corajosamente ao seu modo idealista de pensar o mundo. Entretanto, outro filósofo alemão ficou impressionado com o pensamento de Hegel. Ele se chama Karl Marx.  </span></p>
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<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Karl Marx</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Alemanha, 1818.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Com certeza, você já ouviu falar de Karl Marx. Bem ou mal, mas já ouvi. Principalmente quando falam do comunismo, da luta de classes, da exploração dos mais pobres pelos mais ricos. Na verdade, Marx é desses filósofos que são amados ou odiados. Porém, antes de você amar ou odiar Marx é preciso conhecê-lo de perto. Este homem de olhar sério, barba e cabelos longas influencia muito a sua visão de mundo. E você nem sabe explicar. Muito prazer, vamos apresentar Marx. Karl Marx.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ele nasceu na cidade alemã de Trier. Seus pais eram judeus que se converteram ao luteranismo quando Marx tinha seis anos, mas ele próprio foi profundamente anti-religioso quando chegou à adolescência. Para Marx, a religião é o ópio do povo. Ou seja, a religião é como uma cegueira que não nos permite enxergar a realidade como ele realmente é. Como dizíamos, Marx ficou impressionado com a visão de Hegel sobre a mudança histórica. Marx argumentou que o verdadeiro motor da mudança histórica progressiva não era o conflito entre sistemas abstratos de idéias, porém um conflito real entre classes sociais, grupos com interesses materiais muito diferentes.  Ele considerava como o mais importante conflito da sociedade moderna aquele entre a burguesia, os patrões, e o proletariado, os trabalhadores. Esse conflito seria finalmente resolvido por uma vitória do proletariado em uma revolução social, seguida pela ditadura do proletariado e finalmente, a dissolução de todas as formas de controle social e a emergência de uma sociedade realmente livre e justa. O primeiro escrito filosófico de Marx, “Os manuscritos econômicos-filosóficos”, era fundamentalmente humanista, preocupado em saber como os seres humanos podem se desenvolver por meio da atividade criativa livre.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Na verdade, Marx foi um homem e um filósofo preocupado com a exploração dos trabalhadores. Ele não conseguia acompanhar a exploração injusta do capitalismo, por isso desenvolveu suas teorias. Ele pensava que foi negado à maioria da população trabalhadora a oportunidade de se desenvolver integralmente como indivíduos, por terem sido forçados a vender sua força de trabalho para capitalistas exploradores: homens de negócios gananciosos para quem os trabalhadores eram fonte de lucro e não seres humanos. Os indivíduos viam-se, assim, reduzidos a mercadorias abstratas que podiam ser trocadas por qualquer outra.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No famoso “Manifesto Comunista”, Marx afirma que toda a história humana pode ser entendida como uma série de lutas de classes. No mundo medieval feudal, o conflito mais marcante foi entre a classe mercantil e a velha aristocracia, cuja resolução foi o novo sistema social, o capitalismo, que também se dividia em classes, apesar de pretender o contrário. O motor da história moderna sob o capitalismo, para Marx, seria a luta política entre a burguesia e o proletariado. Essa luta levaria à extinção do capitalismo e daria origem a uma sociedade comunista na qual todos viveriam de acordo com a máxima de cada um segundo suas habilidades, para cada um segundo suas necessidades.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Uma pausa! Você sabe o que é o comunismo? Vamos lembrar. Comunismo é um sistema econômico e social baseado na propriedade coletiva. O comunismo é diferente do capitalismo, sistema em que a propriedade é privada. O comunismo, como o entendemos, foi desenvolvido teoricamente por Karl Marx e proposto pelos partidos comunistas como etapa posterior ao socialismo. E o que é o socialismo? É um conjunto de doutrinas que se propõem promover o bem comum pela transformação da sociedade e das relações entre as classes sociais, mediante a alteração do regime da propriedade privada.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">  Marx denunciou que o capitalismo usava ideologias para enganar os trabalhadores. Ideologia, para o nosso filósofo, é um conjunto de idéias que cria a ilusão de que o mundo é bastante justo e livre, mascarando dessa forma as duras realidades do capitalismo moderno.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> O grande trabalho filosófico de Marx foi o livro “O Capital”. Descrito com a bíblia da classe operária numa resolução da Associação Operária Internacional. O Capital foi publicado em Berlim em 1867. No que viria a ser um dos livros mais influentes do século XIX, Marx previa a substituição do capitalismo pelo socialismo. Apenas o primeiro volume foi concluído em vida de Marx: o segundo e o terceiro volumes foram editados por Friedrich Engels, o maior companheiro de Marx. Engels compartilhava das mesmas ideias de Marx e foi um importante filósofo. Com Engels, Marx escreveu “O Manifesto Comunista”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Por fim, vamos entender o pensamento de Marx e Engels a partir de suas próprias palavras no “Manifesto Comunista” publicado em 1848. Eles afirmavam:  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">“A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e aprendiz; numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.”  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Karl Marx é um dos mais importantes pensadores da Filosofia Contemporânea. Ele contribuiu com a economia, com a política e com a política de modo decisivo. Apesar da influência que recebeu de Hegel foi crítico corajoso do idealismo daquele filósofo. Também se opuseram ao racionalismo de Hegel vários pensadores como o dinamarquês Sören Kierkegaard.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><img src="http://sf0.org/media/Kierkeguaard/kierkegaard0123312.jpg" alt="" /></span></p>
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<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Kierkegaard</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Dinamarca, 1813.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Na metade do século XIX, surge uma variedade particularmente depressiva do pensamento romântico. Com as ideias do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard, que faleceu em 1855, podemos observar um novo pessimismo cultural sobre a natureza e o significado d aliberdade humana. Em seu livro “Ou isto ou aquilo, um fragmento de vida”, Kierkegaard enfatiza os custos psicológicos da liberdade moderna. Assinala que para a maioria das pessoas a vida parece apresentar uma série de escolhas que o indivíduo tem que resolver sozinho, sem a ajuda da razão, da tradição ou da fé religiosa.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Em seu livro “O desespero humano – doença até a morte”, Kierkegaard vê a vida moderna sendo governada por alguns estados emocionais muito dolorosos: ansiedade de escolha, medo do futuro e frivolidade diante da morte. Suas ideias influenciaram escritores como Franz Kafka e Albert Camus.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Kierkegaard, conforme pesquisamos em diversos estudos e artigos, é um dos raros autores cuja vida exerceu profunda influência no desenvolvimento da obra. As inquietações e angústias que o acompanharam estão expressas em seus textos, incluindo a relação de angústia e sofrimento que ele manteve com o cristianismo – herança de um pai extremamente religioso, que cultuava a maneira exacerbada os rígidos princípios do protestantismo dinamarquês, religião de Estado.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Filosoficamente, fez a ponte entre a </span><a title="Filosofia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia"><span style="color:#000000;">filosofia</span></a><span style="color:#000000;"> de Hegel e aquilo que se tornaria o existencialismo. Kierkegaard rejeitou a filosofia hegeliana do seu tempo e aquilo que ele viu como o formalismo vácuo da igreja </span><a title="Lutero" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lutero"><span style="color:#000000;">luterana</span></a><span style="color:#000000;"> dinamarquesa. Muitas das suas obras lidam com problemas religiosos tais como a natureza da fé, a instituição da fé cristã, e ética cristã e </span><a title="Teologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia"><span style="color:#000000;">teologia</span></a><span style="color:#000000;">. Por causa disto, a obra de Kierkegaard é, algumas vezes, caracterizada como existencialismo cristão, em oposição ao existencialismo ateu de </span><a title="Jean-Paul Sartre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Paul_Sartre"><span style="color:#000000;">Jean-Paul Sartre</span></a><span style="color:#000000;">.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sétimo filho de um casamento que já durava muitos anos – nasceu em 1813, quando o pai, rico comerciante de Copenhague, tinha 56 e a mãe 44 –, chamava a si mesmo de &#8220;filho da velhice&#8221; e teria seguido a carreira de pastor caso não houvesse se revelado um estudante indisciplinado e boêmio. Trocou a Universidade de Copenhague, onde entrara em 1830 para estudar filosofia e teologia, pelos cafés da cidade, os teatros, a vida social.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Foi só em 1837, com a morte do pai e o relacionamento com Regina Oslen (de quem se tornaria noivo em 1840), que sua vida mudou. O noivado, em particular, exerceria uma influência decisiva em sua obra. A partir daí seus textos tornaram-se mais profundos e seu pensamento, mais religioso. Também em 1840 ele conclui o curso de teologia, e um ano depois apresentava <em>&#8220;Sobre o Conceito de Ironia&#8221;</em>, sua tese de doutorado.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A posição de Kierkegaard leva algumas pessoas a levantar dúvidas a respeito do caráter filosófico de seu pensamento. Para elas, tratar-se muito mais de um pensador religioso do que de um filósofo. Para além das minúcias que essa distinção envolveria, cabe verificar o que ela pode trazer de esclarecedor acerca do estilo de pensamento de Kierkegaard. Pode-se perguntar, por exemplo, quais as questões fundamentais que lhe motivam a reflexão, ou, então, qual a finalidade que ele intencionalmente deu à sua obra.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Estamos habituados a ver, na raiz das tentativas filosóficas que se deram ao longo da história, razões da ordem da reforma do conhecimento, da política, da moral. Em Kierkegaard não encontramos, estritamente, nenhuma dessas motivações tradicionais. Isso fica bem evidenciado quando ele reage às filosofias de sua época – em especial à de </span><a href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/hegel.htm"><span style="color:#000000;">Hegel</span></a><span style="color:#000000;">. Não se trata de questionar as incorreções ou as inconsistências do sistema hegeliano. Trata-se muito mais de rebelar-se contra a própria idéia de sistema e aquilo que ela representa.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para Hegel, o indivíduo é um momento de uma totalidade sistemática que o ultrapassa e na qual, ao mesmo tempo, ele encontra sua realização. O individual se explica pelo sistema, o particular pelo geral. Em Kierkegaard há um forte sentimento de irredutibilidade do indivíduo, de sua especificidade e do caráter insuperável de sua realidade. Não devemos buscar o sentido do indivíduo numa harmonia racional que anula as singularidades, mas, sim, na afirmação radical da própria individualidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">De onde provém, no entanto, essa defesa arraigada daquilo que é único? Não de uma contraposição teórico-filosófica a Hegel, mas de uma concepção muito profunda da situação do homem, enquanto ser individual, no mundo e perante aquilo que o ultrapassa, o infinito, a divindade. A individualidade não deve portanto ser entendida primordialmente como um conceito lógico, mas como a solidão característica do homem que se coloca como finito perante o infinito. A individualidade define a existência.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para Kierkegaard, o homem que se reconhece finito enquanto parte e momento da realização de uma totalidade infinita se compraz na finitude, porque a vê como uma etapa de algo maior, cujo sentido é infinito. Ora, comprazer-se na finitude é admitir a necessidade lógica de nossa condição, é dissolver a singularidade do destino humano num curso histórico guiado por uma finalidade que, a partir de uma dimensão sobre-humana, dá coerência ao sistema e aplaca as vicissitudes do tempo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mas o homem que se coloca frente a si e a seu destino desnudado do aparato lógico não se vê diante de um sistema de ideias mas diante de fatos, mais precisamente de um fato fundamental que nenhuma lógica pode explicar: <em>a fé</em>. Esta não é o sucedâneo afetivo daquilo que não posso compreender racionalmente; tampouco é um estágio provisório que dure apenas enquanto não se completam e fortalecem as luzes da razão. É, definitivamente, um modo de existir. E esse modo me põe imediatamente em relação com o absurdo e o paradoxo. O paradoxo de Deus feito homem e o absurdo das circunstâncias do advento da Verdade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Cristo, enquanto Deus tornado homem, é o mediador entre o homem e Deus. É por meio de Cristo que o homem se situa existencialmente perante Deus. Cristo é portanto o fato primordial para a compreensão que o homem tem de si. Mas o próprio Cristo é incompreensível. Não há portanto uma mediação conceitual, algum tipo de prova racional que me transporte para a compreensão da divindade. A mediação é o Cristo vivo, histórico, dotado, e o fato igualmente incompreensível do sacrifício na cruz. Aqui se situam as circunstâncias que fazem do advento da Verdade um absurdo: a Verdade não nos foi revelada com as pompas do conceito e do sistema. Ela foi encarnada por um homem obscuro que morreu na cruz como um criminoso. O acesso à Verdade suprema depende pois da crença no absurdo, naquilo que São Paulo já havia chamado de &#8220;loucura&#8221;. No entanto, é o absurdo que possibilita a Verdade. Se permanecesse a distância infinita que separa Deus e o homem, este jamais teria acesso à Verdade. Foi a mediação do paradoxo e do absurdo que recolocou o homem em comunicação com Deus. Por isso devemos dizer: <em>creio porque é absurdo</em>. Somente dessa maneira nos colocamos no caminho da recuperação de uma certa afinidade com o absoluto.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Não há, portanto, outro caminho para a Verdade a não ser o da interioridade, o aprofundamento da subjetividade. Isso porque a individualidade autêntica supõe a vivência profunda da culpa: sem esse sentimento, jamais nos situaremos verdadeiramente perante o fato da redenção e, conseqüentemente, da mediação do Cristo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>O Sofrimento Necessário</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A subjetividade não significa a fuga da generalidade objetiva: ao contrário, somente aprofundando a subjetividade e a culpa a ela inerente é que nos aproximaremos da compreensão original de nossa natureza: o pecado original. E a compreensão irradia luz sobre a redenção e a graça, igualmente fundamentais para nos sentirmos verdadeiramente humanos, ou seja, de posse da verdade humana do cristianismo. A autêntica subjetividade, insuperável modo de existir, se realiza na vivência da religiosidade cristã.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A subjetividade de Kierkegaard não é tributária apenas da atmosfera romântica que envolvia sua época. Seu profundo significado a-histórico tem a ver, mais do que com essa característica do Romantismo, com uma concepção de existência que torna todos os homens contemporâneos de Cristo. O fato da redenção, embora histórico, possui uma dimensão que o torna referência intemporal para se vivenciar a fé. O cristão é aquele que se sente continuamente em presença de Deus pela mediação do Cristo. Por isso a religião só tem sentido se for vivida como comunhão com o sofrimento da cruz. Por isso é que Kierkegaard critica o cristianismo de sua época, principalmente o protestantismo dinamarquês, penetrado, segundo ele, de conceituação filosófica que esconde a brutalidade do fato religioso, minimiza a distância entre Deus e o homem e sufoca o sentimento de angústia que acompanha a fé.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Essa angústia, no entender de Kierkegaard, estaria ilustrada no episódio do sacrifício de Abraão. Esse relato bíblico indica a solidão e o abandono do indivíduo voltado unicamente para a vivência da fé. O que Deus pede a Abraão – que ele sacrifique o único filho para demonstrar sua fé – é absurdo e desumano segundo a ética dos homens.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Não se trata, nesse caso, de optar entre dois códigos de ética, ou entre dois sistemas de valores. Abraão é colocado diante do incompreensível e diante do infinito. Ele não possui razões para medir ou avaliar qual deve ser sua conduta. Tudo está suspenso, exceto a relação com Deus.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>O Salto da Fé</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Abraão não está na situação do herói trágico que deve escolher entre valores subjetivos (individuais e familiares) e valores objetivos (a cidade, a comunidade), como no caso da tragédia grega. Nada está em jogo, a não ser ele mesmo e a sua fé. Deus não está testando a sabedoria de Abraão, da mesma forma como os deuses testavam a sabedoria de </span><a href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/edipo.htm"><span style="color:#000000;">Édipo</span></a><span style="color:#000000;"> ou de Agamenon. A força de sua fé fez com que Abraão optasse pelo infinito.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mas, caso o sacrifício se tivesse consumado, Abraão ainda assim não teria como justificá-lo à luz de uma ética humana. Continuaria sendo o assassino de seu filho. Poderia permanecer durante toda a vida indagando acerca das razões do sacrifício e não obteria resposta. Do ponto de vista humano, a dúvida permaneceria para sempre. No entanto Abraão não hesitou: a fé fez com que ele saltasse imediatamente da razão e da ética para o plano do absoluto, âmbito em que o entendimento é cego. Abraão ilustra na sua radicalidade a situação de homem religioso. A fé representa um salto, a ausência de mediação humana, precisamente porque não pode haver transição racional entre o finito e o infinito. A crença é inseparável da angústia, o temor de Deus é inseparável do tremor.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Por tudo o que a existência envolve de afirmação de fé, ela não pode ser elucidada pelo conceito. Este jamais daria conta das tensões e contradições que marcam a vida individual. Existir é existir diante de Deus, e a incompreensibilidade da infinitude divina faz com que a consciência vacile como diante de um abismo. Não se pode apreender racionalmente a contemporaneidade do Cristo, que faz com que a existência cristã se consuma num instante e ao mesmo tempo se estenda pela eternidade. A fé reúne a reflexão e o êxtase, a procura infindável e a visão instantânea da Verdade; o paradoxo de ser o pecado ao mesmo tempo a condição de salvação, já que foi por causa do pecado original que Cristo veio ao mundo. Qualquer filosofia que não leve em conta essas tensões, que afinal são derivadas de estar o finito e o infinito em presença um do outro, não constituirá fundamento adequado da vida e da ação. A filosofia deve ser imanente à vida. A especulação desgarrada da realidade concreta não orientará a ação, muito simplesmente porque as decisões humanas não se ordenam por conceitos, mas por alternativas e saltos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Outro notável filósofo romântico foi o alemão Arthur Schopenhauer. Como Kierkegaard, Schopenhauer preocupava-se com a questão da liberdade. Para ele, ser livre significa a liberação de uma vontade que nunca pode ser satisfeita, sendo a vida humana, portanto, destinada ao desapontamento.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"> <strong>Schopenhauer</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Alemanha, 1788.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> O que você responderia se alguém perguntasse: a vida é essencialmente um sofrimento? No </span><a title="Sistema" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema"><span style="color:#000000;">sistema</span></a><span style="color:#000000;"> de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, é a fonte de todos os sofrimentos. Ou seja, todos nós somos donos de uma vontade insaciável. Desejamos o tempo todo. Sua filosofia é, assim, profundamente </span><a title="Pessimismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pessimismo"><span style="color:#000000;">pessimista</span></a><span style="color:#000000;">, pois a vontade é concebida em seu sistema como algo sem nenhuma </span><a title="Meta" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Meta"><span style="color:#000000;">meta</span></a><span style="color:#000000;"> ou finalidade, um querer </span><a title="Irracional" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Irracional"><span style="color:#000000;">irracional</span></a><span style="color:#000000;"> e inconsciente. Sendo um </span><a title="Mal" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mal"><span style="color:#000000;">mal</span></a><span style="color:#000000;"> inerente à </span><a title="Existência" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Exist%C3%AAncia"><span style="color:#000000;">existência</span></a><span style="color:#000000;"> do homem, ela gera a </span><a title="Dor" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dor"><span style="color:#000000;">dor</span></a><span style="color:#000000;">, necessária e inevitavelmente, aquilo que se conhece como felicidade seria apenas a interrupção temporária de um processo de </span><a title="Infelicidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Infelicidade"><span style="color:#000000;">infelicidade</span></a><span style="color:#000000;"> e somente a lembrança de um sofrimento </span><a title="Passado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Passado"><span style="color:#000000;">passado</span></a><span style="color:#000000;"> criaria a ilusão de um bem </span><a title="Presente" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Presente"><span style="color:#000000;">presente</span></a><span style="color:#000000;">. Para Schopenhauer, o </span><a title="Prazer" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prazer"><span style="color:#000000;">prazer</span></a><span style="color:#000000;"> é </span><a title="Momento" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Momento"><span style="color:#000000;">momento</span></a><span style="color:#000000;"> fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em </span><a title="Luta" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luta"><span style="color:#000000;">luta</span></a><span style="color:#000000;"> por sua realização: <em>“Viver é sofrer”</em>. Schopenhauer influenciou uma geração de artistas, como o cantor e compositor brasileiro, Renato Russo. O líder do Legião Urbana revelava em várias de suas músicas, o que podemos chamar de “dor de viver”. Em discos aclamados pela crítica musical, como o famoso “Cinco” e “A tempestade” as composições de Renato Russo, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá são permeadas de um pessemismo arrebatador.  Na música “Quando o sol bater na janela do teu quarto”, Renato Russo cita Schopenhauer literalmente: “tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mas, apesar de todo seu profundo pessimismo, a filosofia de Schopenhauer aponta algumas vias para a suspensão da dor. Num primeiro momento, o caminho para a supressão da dor encontra-se na contemplação artística. A contemplação desinteressada das idéias seria um ato de intuição artística e permitiria a contemplação da vontade em si mesma, o que, por sua vez, conduziria ao domínio da própria vontade. Na arte, a relação entre a vontade e a representação inverte-se, a </span><a title="Inteligência" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia"><span style="color:#000000;">inteligência</span></a><span style="color:#000000;"> passa a uma posição superior e assiste à história de sua própria vontade; em outros termos, a inteligência deixa de ser atriz para ser espectadora. A atividade artística revelaria as idéias </span><a title="Eterno (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Eterno&amp;action=edit&amp;redlink=1"><span style="color:#000000;">eternas</span></a><span style="color:#000000;"> através de diversos graus, passando sucessivamente pela </span><a title="Arquitetura" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura"><span style="color:#000000;">arquitetura</span></a><span style="color:#000000;">, </span><a title="Escultura" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Escultura"><span style="color:#000000;">escultura</span></a><span style="color:#000000;">, </span><a title="Pintura" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pintura"><span style="color:#000000;">pintura</span></a><span style="color:#000000;">, </span><a title="Poesia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia"><span style="color:#000000;">poesia</span></a><span style="color:#000000;"> </span><a title="Lirismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lirismo"><span style="color:#000000;">lírica</span></a><span style="color:#000000;">, poesia </span><a title="Tragédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia"><span style="color:#000000;">trágica</span></a><span style="color:#000000;">, e, finalmente, pela </span><a title="Música" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica"><span style="color:#000000;">música</span></a><span style="color:#000000;">. Em Schopenhauer, pela primeira vez na história da filosofia, a música ocupa o primeiro lugar entre todas as artes. Liberta de toda referência específica aos diversos objetos da vontade, a música poderia exprimir a Vontade em sua essência geral e indiferenciada, constituindo um meio capaz de propor a libertação do homem, em face dos diferentes aspectos assumidos pela Vontade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Schopenhauer nasceu em 1788 e faleceu em 1860.  Sua obra principal é </span><a title="O mundo como vontade e representação" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_mundo_como_vontade_e_representa%C3%A7%C3%A3o"><em><span style="color:#000000;">O mundo como vontade e representação</span></em></a><span style="color:#000000;">, embora o seu livro </span><a title="Parerga e Paralipomena" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Parerga_e_Paralipomena"><em><span style="color:#000000;">Parerga e Paralipomena</span></em></a><span style="color:#000000;"> (</span><a title="1851" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1851"><span style="color:#000000;">1851</span></a><span style="color:#000000;">) seja o mais conhecido. Foi o pensador que mais atacou Hegel. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o </span><a title="Budismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Budismo"><span style="color:#000000;">Budismo</span></a><span style="color:#000000;"> e o pensamento indiano na metafísica alemã. Ficou conhecido por seu pessimismo e entendia o Budismo como uma confirmação dessa visão. Schopenhauer também combateu fortemente a filosofia </span><a title="Hegel" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hegel"><span style="color:#000000;">hegeliana</span></a><span style="color:#000000;"> e influenciou fortemente o pensamento de </span><a title="Friedrich Nietzsche" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche"><span style="color:#000000;">Friedrich Nietzsche</span></a><span style="color:#000000;">.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O pensamento de Schopenhauer parte de uma interpretação de alguns pressuposto da filosofia de Kant, em especial de sua concepção de Fenômeno. Esta noção leva Schopenhauer a postular que o mundo não é mais que Representação. Mas será que o mundo e tudo que existe é apenas representação? Vamos entender o que afirmou o engmático Schopenhauer. Esta conta com dois pólos inseparáveis: por um lado, o objeto, constituído a partir de espaço e tempo; por outro, a consciência subjetiva acerca do mundo, sem a qual este não existiria. Contudo, Schopenhauer rompe com Kant, uma vez que este afirma a impossibilidade da consciência alcançar a Coisa-em-si, isto é, a realidade não fenomênica. Segundo Schopenhauer, ao tomar consciência de si, o homem se experiencia como um ser movido por aspirações e paixões. Estas constituem a unidade da Vontade, compreendida como o princípio norteador da vida humana. Você entendeu? O que norteia a nossa vida é a nossa vontade. Voltando o olhar para a </span><a title="Natureza" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza"><span style="color:#000000;">natureza</span></a><span style="color:#000000;">, o filósofo percebe esta mesma Vontade presente em todos os seres, figurando como fundamento de todo e qualquer movimento. Para Schopenhauer, a Vontade corresponde à Coisa-em-si; ela é o substrato último de toda realidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A vontade, no entanto, não se manifesta como um princípio racional; ao contrário, ela é o impulso cego que leva todo ente, desde o inorgânico até o homem, a desejar sua preservação. A consciência humana seria uma mera superfície, tendendo a encobrir, ao conferir causalidade a seus atos e ao próprio mundo, a irracionalidade inerente à vontade. Sendo deste modo compreendida, ela constitui, igualmente, a causa de todo sofrimento, uma vez que lança os entes em uma cadeia contínua de aspirações sem fim, o que provoca a dor de permanecer algo que jamais consegue completar-se. Você ouviu? Desejamos constantemente, mas quando alcançamos o que queríamos, já temos outro desejo em vista. Segundo tal concepção pessimista, o prazer consiste apenas na supressão momentânea da dor; esta é a única e verdadeira realidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Contudo, há alguns caminhos que possibilitam ao homem escapar da vontade, e assim, da dor que ela acarreta. A primeira via é a da arte. Schopenhauer traça uma hierarquia presente nas manifestações artísticas, na qual cada modalidade artística, ao nos lançar em uma pura contemplação de Ideias, nos apresenta um grau de objetivação da vontade. Partindo da arquitetura como seu grau inferior, ao mostrar a resistência e as forças intrínsecas presentes na matéria, o último patamar desta contemplação reside na experiência musical; a música, por ser independente de toda imagem externa, é capaz de nos apresentar a pura Vontade em seus movimentos próprios; a música é, pois, a própria vontade encarnada. Tal contemplação, trazendo a vontade para diante de nós, consegue nos livrar, momentaneamente, de seus liames.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A arte representa apenas um paliativo para o sofrimento humano. Outra possibilidade de escape é apontada através da moral. A conduta humana deve voltar-se para a superação do egoísmo; este provém da ilusão de individuação, pela qual um </span><a title="Indivíduo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Indiv%C3%ADduo"><span style="color:#000000;">indivíduo</span></a><span style="color:#000000;"> deseja, constantemente, suplantar os outros. A compreensão da Vontade faz aparecer todos os entes desde seu caráter único, o que leva, necessariamente, a um sentimento de fraternidade e a uma prática de caridade e compaixão.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Entretanto, a suprema </span><a title="Felicidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade"><span style="color:#000000;">felicidade</span></a><span style="color:#000000;"> somente pode ser conseguida pela anulação da </span><a title="Vontade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vontade"><span style="color:#000000;">vontade</span></a><span style="color:#000000;">. Tal anulação é encontrada por Schopenhauer no misticismo </span><a title="Hindu" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hindu"><span style="color:#000000;">hindu</span></a><span style="color:#000000;">, particularmente o </span><a title="Budismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Budismo"><span style="color:#000000;">Budismo</span></a><span style="color:#000000;">; a experiência do </span><a title="Nirvana" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nirvana"><span style="color:#000000;">Nirvana</span></a><span style="color:#000000;"> constitui a aniquilação desta vontade última, o desejo de viver. Somente neste estado, o homem alcança a única felicidade real e estável.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O pensamento de Schopenhauer foi fonte decisiva para a obra de um dos mais importantes filósofos da Idade Contemporânea, Nietzsche.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Nietzsche</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Alemanha, 1844.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> “Não sou um homem, sou uma dinamite”, escreveu Nietzsche. Ele estudou Filosofia Clássica e aos vinte e cinco anos, em 1869, foi nomeado professor desta disciplina em Basileia, Alemaça nha. Em 1879, a doença o obrigou a abandonar o lugar e viver independentemente como escritor. Em 1889 perdeu a razão e morreu louco em 1900 ao terminar o século XIX. O pensamento de Nietzsche é desafiador. Para compreender este grande interpétre da alma humana é necessário deixar de lado as nossas ideias pré-concebidas, ou seja, os nosso preconceitos. Nietzsche nos desafia, ele critica a moral cristã, analisa a ideia de bem e mal imposta pelo pensamento religioso na Europa de sua época.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Seu pai e seus avôs eram pastores protestantes. Nietzsche teve muito desse espírito religioso durante a infância, e cogitava continuar a linhagem. Sua mãe era piedosa e puritana. Em 1849 perdeu o pai e o irmão. Mudou-se então para Naumburg, cidade às margens do rio Saale, onde cresceu, em companhia feminina: a mãe, a irmã, duas tias e a avó. Era uma criança feliz, aluno exemplar, dócil e leal. O zelo e o mimo familiar fez com que ficasse um pouco deslocado, pois não gostava dos vizinhos, que armavam arapucas para passarinhos e bagunçavam. Preferia a calma do estudo, e os coleguinhas o chamavam de pequeno pastor, rejeitando maiores relações com ele. Lia a Bíblia, para si e para os outros. Em 1858, Nietzsche conseguiu uma bolsa de estudos na escola de Pforta, onde havia estudado filósofo romântico Fichte (1762-1814). Leu Schiller (1759- 1805) e Byron (1768-1824), escritor boêmio romântico que foi um dos gurus do romantismo. O Romantismo teve uma importância decisiva na juventude de Nietzsche, que mais tarde, na maturidade, criticou-o. Com essas leituras, e mais a influência de alguns professores, começou a se afastar do cristianismo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O pensamento de Nietszche pode ser considerado como uma tentativa de descobrir uma nova síntese entre o cristianismo protestante (com sua crença no indivíduo heróico) e o paganismo clássico (com sua adoração ao poder da natureza).  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nietzsche, mesmo pelos padrões de filósofos altamente tensos, tinha um temperamento sensível, e levou muito a sério as conseqüências intelectuais das teorias de Darwin. Darwin sustentou em seu livro “As origens das espécies”, que os homens, em vez de criados à imagem de Deus, eram primos evoluídos de macacos e monos, o que para Nietzsche foi arrasador. O universo não tinha sido feito por Deus para os seres humanos, de forma que os homens estavam a sós em um mundo sem nenhum significado real.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Toda a filosofia de Nietzsche pode ser vista com a tentativa de responder a esta única pergunta: como podemos viver em um mundo sem algo (um Deus) que garanta que a vida tenha sentido? Em 1882, Nietzsche admitiu, enfim, que Deus estava morto, iniciando sua longa busca por uma resposta não religiosa ao significado da vida, tentando escapar à sensação de desespero que seguiu sua perda de fé no cristianismo. Essa condição, que ele chamou de niilismo – a crença de que nada tem sentido – foi para ele o principal problema enfrentado pelo mundo moderno.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nietzsche é uma mentalidade muito complexa, afirma o pesquisador Julián Marías. Tinha grandes dotes artísticos e é um dos melhores escritores alemães modernos. O seu estilo, tanto em prosa como em poesia, é apaixonado, exaltado e de grande beleza literária. O conhecimento e o interesse pela cultura grega tiveram um grande papel na sua filosofia. Mas o tema central do seu pensamento é o homem, a vida humana, e todo ele está carregado de preocupação histórica e ética.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">As suas principais obras são: “A origem da tragédia”, “Humano, demasiadamente humano”, “Aurora”, “Assim falou Zaratrusta”, “Além do bem e do mal” e “Genealogia da moral”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O Dionisíaco e o Apolíneo: Nietzsche apresenta uma interpretação da Grécia, que tem grande alcance para a sua filosofia. Distingue dois princípios, o apolíneo e o dionisíaco, quer dizer o que corresponde aos dois deuses gregos Apolo e Dionísio. O primeiro é o símbolo da serenidade, da claridade, da medida, do racionalismo; é a imagem clássica da Grécia; no dionisíaco, pelo contrário, encontra o impulsivo, o excessivo transbordante, a afirmação da vida, o erotismo, a orgia como culminação deste afã de viver, de dizer sim à vida, apesar de todas as suas dores. Nietzsche põe a vontade de viver no centro de seu pensamento.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O eterno retorno: Nietzsche depende em certa medida do positivismo de sua época; nega a possibilidade da metafísica; além disso, parte da perda da fé em deus e na imortalidade da alma. Mas essa vida que se afirma, que pede para ser mais, que pede eternidade no prazer, voltará uma vez e outra. Nietzsche utiliza uma idéia procedente de Heráclito, a do eterno retorno das coisas. Quando estejam realizadas todas as combinações possíveis dos elementos do mundo, ficará contudo na frente um tempo indefinido e então voltará a começar o ciclo e assim indefinidamente. Tudo o que acontece no mundo vai se repetir igualmente vezes e vezes. Tudo voltará eternamente com todo o mal, o miserável, o vil. O homem, porém, pode ir transformando o mundo e transformando-se a si mesmo, mediante uma transmutação de todos os valores, e encaminhar-se para o além-homem. Deste modo, a afirmação vital não se limita a aceitar e a querer a vida apenas uma vez, mas infinitas vezes.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O Além-homem: Nietzsche opõe-se a todas as correntes igualitárias, humanitárias e democráticas da época. É um afirmador da individualidade poderosa. O máximo bem é a própria vida, que culmina na vontade de poder. O homem deve superar-se, terminar em algo que esteja acima de si, como o homem está acima do macaco; este é o <em>além-homem</em>, termo que em várias traduções para do alemão para o português aparece como <em>super-homem</em>. Nietzsche toma como seus modelos as personagens renascentistas, sem escrúpulo e sem moral, mas com magníficas condições vitais de força, de impulsos e de energia. E isto leva-o a uma nova idéia da moral.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A moral dos senhores e dos escravos: Nietzsche tem especial hostilidade pela ética kantiana do dever, como pela ética utilitária e também pela moral cristã. Nietzsche valoriza unicamente a vida, forte, sã, impulsiva, com vontade de domínio. Isso é o bem e tudo o que é débil, enfermo, fracassado e mau. A compaixão é por isso o sumo do mal. Assim distingue dois tipos de moral. A moral dos senhores é das individualidades poderosas, de vitalidade superior, exigentes para consigo mesmas; é a moral da exigência e da afirmação dos impulsos vitais. A moral dos escravos, em contrapartida, é a dos débeis e dos miseráveis, a moral dos degenerados; é regida pela falta de confiança na vida, pela valorização da compaixão, da humildade, da paciência, etc. É uma moral dos ressentidos, afirma Nietzsche, que se opõe a tudo o que é superior e pro isso afirmam todas as igualdades. Nietzsche atribui este caráter de ressentimento à moral cristã.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Em sua obra, Nietzsche critica a tradição da filosofia ocidental a partir de Sócrates, a quem acusa de ter negado a intuição criadora da filosofia anterior, pré-socrática. Nietzsche desenvolveu uma crítica intensa aos valores morais, propondo uma nova abordagem: a genealogia da moral, isto é, o estudo da origem e da história dos valores. A conclusão de Nietzsche foi de que não existem as soluções absolutas de bem e de mal. Para ele as concepções morais surgem com os homens. Ou seja, são produtos da história humana. Os homens são verdadeiros criadores dos valores morais, sobretudo as religiões, como o judaísmo e o cristianismo para a civilização ocidental, que impõem muitos desses valores humanos com se fosses produto da vontade de Deus.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Assim, se compreendermos que os valores presentes em nossa vida são construções humanas, estamos no dever de refletir sobre nossas concepções morais e enfrentar o desafio de viver por nossa própria conta e risco.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O estilo de escrever de Nietzsche é </span><a title="Aforisma" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aforisma"><span style="color:#000000;">aforismático</span></a><span style="color:#000000;">, isto é, ele escrevia trechos concisos, muitas vezes de uma só página, e dos quais são pinçadas </span><a title="Máxima" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1xima"><span style="color:#000000;">máximas</span></a><span style="color:#000000;">. Muitas de suas frases se tornaram famosas, sendo repetidas nos mais diversos contextos, gerando muitas distorções e confusões. Algumas delas:  </span></p>
<ol style="text-align:justify;">
<li><span style="color:#000000;">&#8220;A filosofia é o exílio voluntário entre montanhas geladas.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Como são múltiplas as ocasiões para o mal-entendido e para a ruptura hostil!&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Deus está morto. Viva Perigosamente. Qual o melhor remédio? &#8211; Vitória!&#8221;.</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Há homens que já nascem póstumos.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;O Evangelho morreu na cruz.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;A diferença fundamental entre as duas religiões da decadência: o </span><a title="Budismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Budismo"><span style="color:#000000;">budismo</span></a><span style="color:#000000;"> não promete, mas assegura. O </span><a title="Cristianismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo"><span style="color:#000000;">cristianismo</span></a><span style="color:#000000;"> promete tudo, mas não cumpre nada.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Quando se coloca o </span><a title="Centro de gravidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_gravidade"><span style="color:#000000;">centro de gravidade</span></a><span style="color:#000000;"> da vida não na vida mas no &#8220;além&#8221; &#8211; no nada -, tira-se da vida o seu </span><a title="Centro de gravidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_gravidade"><span style="color:#000000;">centro de gravidade</span></a><span style="color:#000000;">.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Para ler o </span><a title="Novo Testamento" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Novo_Testamento"><span style="color:#000000;">Novo Testamento</span></a><span style="color:#000000;"> é conveniente calçar luvas. Diante de tanta sujeira, tal atitude é necessária.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;O </span><a title="Cristianismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo"><span style="color:#000000;">cristianismo</span></a><span style="color:#000000;"> foi, até o momento, a maior desgraça da humanidade, por ter desprezado o Corpo.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;As convicções são cárceres.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Aquilo que não me destrói fortalece-me&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Sem música, a vida seria um erro.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;A moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;O </span><a title="Idealismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Idealismo"><span style="color:#000000;">idealista</span></a><span style="color:#000000;"> é incorrigível: se é expulso do seu céu, faz um ideal do seu inferno.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva, encontro desejo de poder.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Um </span><a title="Político" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtico"><span style="color:#000000;">político</span></a><span style="color:#000000;"> divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Se minhas loucuras tivessem explicações, não seriam loucuras.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;O Homem evolui dos macacos? É, existem macacos!&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Torna-te quem tu és!&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;O padre está mentindo.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Deus está morto mas o seu cadáver permanece insepulto.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Acautela-te quando lutares com monstros, para que não te tornes um.&#8221;</span></li>
<li><span style="color:#000000;">&#8220;Da escola de guerra da vida: o que não me mata, torna-me mais forte.&#8221;</span></li>
</ol>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Por final, é necessário lembrar que Nietzsche defende que, em um mundo sem valores outorgados por Deus, é necessário ser criativo e inventar novos valores e novas formas de viver. Para ele, a forma mais alta de vida humana é a arte, sendo o grande artista o verdadeiro salvador da humanidade. De novo, vemos que a filosofia volta a responsabilidade para você. É você que tem o poder para decidir e fazer. Pense nisso.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nietzsche influencia muitos filósofos do século XX, período de vasta produção filosófica marcada também pela releitura da obra de Marx, a psicanálise de Freud, o existencialismo de Sartre, a filosofia da linguagem de Wittgenstein e a fenomenologia de Edmund Husserl, filósofo que veremos agora.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Husserl</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Prossnitz, 1859. Morávia, antigo império austro-húngaro.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Husserl achava que os filósofos estavam complicando a teoria do conhecimento, em lugar de considerarem com objetividade o fenômeno da consciência como é experimentado pelo homem. O que importava, para ele, era o que se passava na experiência de consciência, através de uma descrição precisa do fenômeno. Por isso deu o nome de &#8220;</span><a href="http://www.cobra.pages.nom.br/ftm-fenomeno.html"><span style="color:#000000;">fenomenologia</span></a><span style="color:#000000;">&#8221; à sua teoria que deveria ser uma ciência puramente descritiva, para somente depois passar a uma teoria transcendental à experiência, o seja, para além do método cientifico.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">As teorias do conhecimento de </span><a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-descartes.html"><span style="color:#000000;">Descartes</span></a><span style="color:#000000;"> e de </span><a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-kant.html"><span style="color:#000000;">Kant</span></a><span style="color:#000000;"> tinham um defeito insanável, em seu entender. Era o fato de faltar qualquer certeza de que o que aparece na consciência correspondesse inteiramente ao real. O que havia era uma &#8220;pressuposição&#8221; de que aquilo que estava na consciência guardava relação de alguma sorte com os objetos correspondentes do mundo exterior. A filosofia, a mais fundamental das ciências, devia ficar livre de suposições. Pensar o mundo somente poderia ser feito depois de bem examinado como esse mundo é matéria no campo da consciência. Em sua opinião não adiantava em nada discutir uma teoria do conhecimento sem esse primeiro passo, pois o que tinha existência verdadeira e assegurada eram os fatos da consciência. Husserl colocaria qualquer problema filosófico tradicional entre aspas, para ser examinado somente após estar completa a descrição fenomenológica. A isto chamou criar uma &#8220;época&#8221; para a questão em exame.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Chamou &#8220;redução transcendental&#8221; a esta redução da coisa aos detalhes da sua apreensão como fenômeno da consciência propriamente; significava retirá-la de uma visão teórica, transcendente, para tomar conhecimento dela de modo preciso e objetivo, analítico, como simples experiência de consciência. No entanto, na primeira fase do desenvolvimento da sua doutrina, Husserl não partia daí para descrever o &#8220;Eu&#8221; ou o que a consciência era, mas sim para estudar as idéias, os vários tipos de idéias, como as cores, a superfície, etc.. A esse detalhamento das idéias que se juntam com outras idéias para formar a <em>essência</em> de cada coisa, deu o nome de &#8220;redução eidética&#8221; (idéia, imagem, forma). Com este procedimento queria chegar a uma metodologia perfeita para a filosofia, de modo a garantir a certeza absoluta, e buscou estudar o que </span><a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-locke.html"><span style="color:#000000;">John Locke</span></a><span style="color:#000000;"> já havia escrito a respeito. Somente mais tarde, no que foi considerada uma reviravolta em seu pensamento, Husserl passou ao estudo do Eu, do que existe no Eu que lhe faculta o conhecimento, o que foi considerado um retrocesso à filosofia transcendental de </span><a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-kant.html"><span style="color:#000000;">Kant</span></a><span style="color:#000000;">.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para resumir é necessário entender que a fenomenologia consiste, basicamente, na observação e descrição rigorosa do fenômeno, isto é, daquilo que se manifesta, aparece ou se oferece aos sentidos ou à consciência. Dessa maneira, busca-se analisar com se forma, para nós, o campo de nossa experiência, sem que o sujeito ofereça resistência ao fenômeno estudado nem se desvie dele. O sujeito deve, portanto, orientar-se pro ele. Essa é a grande contribuição de Husserl para a Filosofia Contemporânea, a filosofia de nosso tempo. Um dos maiores seguidores de Husserl foi o filósofo Martin Heidegger.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Martin Heidegger</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Alemanha, 1889.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Heidegger viveu na Alemanha de Hitler e teve que se demitir do posto de reitor de uma universidade por discordar das atrocidades nazistas.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Para Heidegger a questão central da filosofia é o ser, a essência, não só do homem, mas de todas as coisas. A filosofia de Heidegger criticou basicamente a antiga confusão entre ente e ser, ocorrida ao longo de toda a história da filosofia. O ente é a existência, o modo de ser do homem. O ser é a essência, aquilo que determina a existência ou o modo de ser do homem.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A partir dessa diferenciação é possível estabelecer duas fases da filosofia de Heidegger. Na primeira, ela busca o conhecimento do ser através da análise do ente. Na segunda, o ente é abandonado e o próprio ser torna-se a chave para a compreensão da existência.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um dos objetivos básicos da obra de Heidegger “Ser e tempo”, publicada em 1927, é investigar o sentido do ser. Para efetuar tal tarefa, começou pela investigação do ser que nós próprios somos. Criando uma terminologia própria, Heidegger denomina o modo de ser do homem, nossa existência, com a palavra <em>Dasein</em>, cujo sentido é ser-aí, estar-aí.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Analisando a vida humana, o filósofo descreveu três etapas básicas que marcam a existência e que, para a maioria dos homens, culminam numa existência inautêntica:  </span></p>
<ol style="text-align:justify;">
<li><span style="color:#000000;">A existência: o homem é lançado ao mundo, sem saber por quê. Ao despertar para a consciência da vida, já está aí, sem ter pedido.</span></li>
<li><span style="color:#000000;">O desenvolvimento da existência: o ser humano estabelece relações com o mundo (ambiente natural e social historicamente situado). Para existir, o homem projeta sua vida e procura agir no campo de suas possibilidades. Assim, move uma busca permanente para realizar aquilo que ainda não é. Em outras palavras, existir é construir um projeto.</span></li>
<li><span style="color:#000000;">A destruição do eu: tentando realizar seu projeto, o homem sofre a interferência de uma série de fatores adversos que o desviam de seu caminho existencial. Trata-se do confronto do eu com os outros. Um confronto no qual o homem comum é, geralmente, derrotado. O seu eu é destruído, arruinado, dissolve-se na massa humana. Em vez de tornar-se si mesmo, o homem torna-se aquilo que os outros desejam.</span></li>
</ol>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O sentimento profundo que faz o homem despertar da existência inautêntica é a angústia, pois ela revela a nossa impessoalidade no cotidiano, o abandono do nosso próprio eu diante da opressão do mundo com um todo. Então, anote aí: a angústia é o sentimento que retira o homem da sua vida autêntica e o devolve à sua condição autêntica: um ser em aberto, que deve construir sua existência.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sobre isso a professora Marilena Chauí, um dos nomes mais significativos da filosofia brasileira, escreve: “o mundo surge diante do homem, aniquilando todas as coisas particulares que o rodeiam e, portanto, apontando para o nada. O homem sente-se, assim, um ser-para-a-morte. A partir desse estado de angústia, abre-se para o homem, segundo Heidegger, uma alternativa: fugir de novo para o esquecimento de usa dimensão profunda, isto é, o ser, e retornar ao cotidiano; ou superar a própria angústia, manifestando seu poder da transcendência sobre o mundo e sobre si mesmo. O homem pode transcender, o que significa dizer que o homem está capacitado a atribuir um sentido ao ser”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um dos mais importantes leitores da obra de Heidegger foi o filósofo francês, Jean-Paul Sartre, um dos líderes da escola existencialista.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Sartre</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">França, 1905.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sartre nasceu em Paris e foi o mais conhecido pensador do movimento existencialista. Escreveu romances e peças de teatro, como: “Entre quatro paredes”, “A náusea”, “O muro”, “A idade da razão” e “o diabo e o bom Deus”. Sartre foi influenciado por Heidegger, Kierkegaard e pelo marxismo. Em 1956 rompeu com o Partido Comunista. Em 1964 foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, mas recusou recebê-lo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A principal obra filosófica de Sartre foi “O ser e o nada”, publicada em 1939. Nessa obra, ele ataca duramente a teoria aristotélica de potência. Para Sartre, o ser é o que é. Trata-se, na liguagem sartriana, do ente em-si. Esse ente “não é ativo nem passivo, nem afirmação nem negação, mas simplesmente repousa em si, maciço e rígido”. Mas, além do ente em-si, Sartre concebe a exist~encia do ser especificamente humano, denominando-o ente para-sei. O ente para si específico do homem se opõ ao ente em-si, que representa a plenitude do ser. Portanto, para Sartre, a característica tipicamente humana é o nada: um espaço aberto. Esse nada, próprio da existência, faz do homem um ente não-estático, não-compacto, acessível às possibilidades de mudança. O homem é a própria mudança. E você? Você é a própria mudança?  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Se o homem fosse um ser cheio, total, pleno, com uma essência definida, ele não poderia ter nem consciência, nem liberdade. Primeiro, porque a consciência é um espaço aberto a múltiplos conteúdos. Segundo, porque a liberdade representa a possibilidade de escolha. Por intermédio dela, o homem revela suas aspirações pro algo que ele ainda não é.  Assim, para Sartre, se o homem não expressasse esse vazio de ser, sua consciência já estaria pronta, acabada, fechada. E, nesse caso, o homem não poderia manifestar liberdade, pois estaria totalmente preso à realidade estática do ser pleno. Por isso, o homem tem como característica específica o não-ser, algo indefinido e indeterminado. Por esse mesmo motivo, não podemos falar da existência de uma natureza humana universal, mas de uma condição humana.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um dos principais fundamentos da condição humana é a liberdade. É o exercício da liberdade que impulsiona a conduta humana, que gera a incerteza, que leva à procura de sentidos, que produz a ultrapassagem de certos limites.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Outros filósofos franceses do século XX se destacaram por produzirem um pensamento pertinente e inovador, entre eles podemos destacar Maurice Merleau-Ponty, Jaques Lacan, Louis Althusser, Michel Foucault e Jaques Derrida. O existencialismo expandiu-se entre outros filósofos como Gabriel Marcel, Karl Jaspers Léon Chestov e Martin Buber. O existencialismo ateu de Sartre esteve presente também na obra de escritores e pensadores como Albert Camus.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Camus</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Argélia, 1913.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Albert Camus foi um filósofo e escritor que deixou profundas marcas na história do pensamento humano. Seus ideais retratam posturas de alguém que, a despeito da “absurdidade da vida”, tem prazer por desfrutá-la plena e incessantemente não se permitindo abater pelas dificuldades que se levantam, mas, ao contrário, nelas encontrando forças para alcançar grandes objetivos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Camus foi o escritor que cunhou a expressão “absurdo” ou “o absurdo” para escrever a situação em que os seres humanos exigem que suas vidas tenham significado num universo indiferente que é, ele mesmo, totalmente desprovido de sentido ou propósito. Absurdo é aquilo que acontece, mas não poderia acontecer. É o impossível que se torna realidade. É o não aceitável que, embora acontecido, continua como inaceitável.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para “capturar o sentimento do absurdo” (expressão usada por Camus), o ser precisa invocar outros sentimentos. Esses sentimentos variam do desconforto ao pessimismo até a angústia e o desespero.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mas o que você pensa? De que serve viver, uma vez que a cabal falta de sentido da vida humana foi totalmente entendida e assimilada? As palavras de abertura de seu ensaio “O mito de Sísifo” ficaram famosas: “só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em>“O Mito de Sísifo”</em> foi publicado em 1943, um ano depois de <em>O Estrangeiro</em> e continha a essências das mesmas ideias que este. Este mito é uma imagem da vida humana onde os deuses tinham condenado Sísifo a rolar interminavelmente um rochedo montanha acima, até o alto de onde a pedra tornava a cair por si mesma, tornando assim o seu trabalho inútil e sem esperança. Tomar consciência da inutilidade de tantos sofrimentos é descobrir o absurdo da condição humana.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Camus vai recusar a ideia de Deus, ele diz não aceitar a noção de um Deus cuja existência não teria nenhum assento na realidade sensível. Ele não faz nenhuma concessão a esse Deus que não intervém no problema do mal. Do problema do mal nasce o silêncio de Deus, e esse silêncio se moldará a noção dessa divindade. Camus não aceita que o assassinato de Abel não fosse impedido por Deus. Para ele, se Deus permite tudo, ele é responsável por tudo. Pior ainda, foi o próprio Deus que insuflou o homicídio no coração de Caim. Para Camus Deus é: “Uma divindade cruel e caprichosa, aquela que prefere, sem motivo convincente, o sacrifício de Abel àquele de Caim e que, por isso, provoca o primeiro assassinato”. Por isso, Camus não vai aceitar um Deus arbitrário em suas decisões. Camus tira a razão de Deus por motivos morais. Ele recusa duplamente a fé como recusa a injustiça e o privilégio. Deus, para Camus é visto como o pai da morte e o supremo escândalo. Mais tarde, Camus amenizará seu tom na denúncia de Deus, mas não deixará de fazê-la. O ser humano não é mais inocente e Deus não é mais o culpado de tudo. Ele temperará o arbítrio divino com o arbítrio humano. Mesmo assim, ele não deixará de ver o mal como um escândalo e Deus, com seu mutismo, longe e indiferente a tudo. Até o fim Camus se pergunta, porque Deus permite tudo? Porque ele permite que neste mundo crianças tenham fome, sofram e morram? A revolta é a atualização da vida, não se tem mais Deus e tudo o que se tem é a vida dada gratuitamente e sem explicação. Nesta vida, é preciso se revoltar, pois pela revolta acabamos por nos conduzir num mundo perdido e com valores que mantenham ou mesmo animem nossa dignidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A revolta é capaz de nos fazer transcender, a única transcendência de que Camus faz conta e é luta contra o absurdo, a única capaz de reivindicar clareza e ordem num universo que parece pouco razoável. A grandeza da revolta contra todo ataque à dignidade humana reside igualmente na afirmação implícita da transcendência do espírito humano, o único capaz de julgar em nome de uma justiça que somente ele pode conceber.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um segmento significativo na filosofia do século XX foi a chamada Filosofia da Linguagem ou Filosofia analítica. Destacam-se os filósofos Bertrand Russell e Ludwig Wittgenstein.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><img src="http://www.educa.madrid.org/web/ies.tirsodemolina.madrid/contenidos/departamentos/Filosofia/imagenes/Witgenstein.jpg" alt="" /><img src="http://www.educa.madrid.org/web/ies.tirsodemolina.madrid/contenidos/departamentos/Filosofia/imagenes/Witgenstein.jpg" alt="" /><img src="http://www.educa.madrid.org/web/ies.tirsodemolina.madrid/contenidos/departamentos/Filosofia/imagenes/Witgenstein.jpg" alt="" /><img src="http://www.educa.madrid.org/web/ies.tirsodemolina.madrid/contenidos/departamentos/Filosofia/imagenes/Witgenstein.jpg" alt="" /></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"> <strong>Wittgenstein</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong><span style="color:#800000;">Áustria, 1889.</span></strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Na virada do século XIX para o século XX surgiu uma corrente filosófica que, pela análise lógica da linguagem, procurava estabelecer o sentido das expressões (conceitos, enunciados, uso contextual) e seu uso no discurso linguístico. Por isso, ela ficou conhecida como filosofia analítica. De acordo com essa corrente, muitos dos problemas filosóficos se reduziriam a equívocos e mal-entendimentos originados do uso ambíguo da linguagem.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Já o percurso filosófico de Wittgenstein pode ser dividido em duas grandes fases. Na primeira, configurada no Tractatus lógico-philosophicus, ele intensificou a busca de uma estrutura lógica que pudesse dar conta do funcionamento da linguagem. A estrutura da linguagem deveria corresponder à realidade dos fatos. Em suas palavras: “um estado de coisas é pensável, quer dizer: podemos fazer uma figura dele. A totalidade dos pensamentos verdadeiros é uma figura do mundo”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Em sua segunda fase, Wittgenstein se afastou dessa compreensão de que a verdade da proposição deve ser verificada na experiência do mundo real, e passou a confirmar a impossibilidade de uma redução legítima entre um conceito lógico (da linguagem) e um conceito empírico (da realidade). Em outras palavras, a linguagem não é a captura conceitual da realidade, isto é, não é a reprodução do objeto, mas sim uma atividade, um jogo. E os jogos de linguagem adquirem o seu significado no uso social, nos diferentes modos de ser e de viver no qual a fala está inserida. A linguagem comum possui uma riqueza de espécies e tipos de frases que são usadas em situações específicas (mandar, pedir, relatar, descrever, inventar, agradecer etc) e formam os “jogos de linguagem”, que se produzem socialmente e não individualmente.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Na sua obra Investigações filosóficas, Wittgenstein explica: “A linguagem é como uma caixa de ferramentas”. Para ele, não se trata mais de considerá-la falsa ou verdadeira, mas de saber usá-la. A tarefa da filosofia é usar adequadamente a linguagem, sabendo dos seus limites e calando-se diante do que não pode ser falado.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Agora que estamos chegando aos momentos finais de nossa jornada, apesar de inúmeros pensadores que poderíamos estudar neste vídeo, vamos apresentar dois pensadores que têm as suas obras relidas atualmente, graças as propostas de diálogo com outro que defendem. O filósofo Martin Buber e o educador Paulo Freire vêem a palavra como ponto central para a alteridade, o encontro entre as pessoas. Numa época de distanciamento e individualismo, os dois pensadores pensam um diálogo possível para a humanidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><img src="http://courses.washington.edu/spcmu/buber/mb07.jpg" alt="" /><img src="http://radares.files.wordpress.com/2010/03/paulo-freire2.jpg?w=480" alt="" /></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>O diálogo possível</strong>  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Martin Buber (Áustria, 1878) e Paulo Freire (Brasil, 1921).</strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um dos eventos mais significativos do início do século XX foi a redescoberta do <em>princípio dialógico</em>, uma migração do lugar do pensamento fundada na afirmação de que não é o sujeito a chance primordial do ser, mas sim a sua vulnerabilidade à alteridade. A obra de do filósofo austríaco de origem judia Martin Buber (1878-1965) é parte desse empenho. Para Buber a existência humana emerge do encontro dialógico que determina a palavra como interação entre os homens. No diálogo a palavra não é mais <em>logos</em>, puramente anunciador, pois fundamenta a existência; ela vai além da subjetividade, estabelecendo uma dimensão ontológica – o <em>interhumano</em>, evento no qual os homens podem assegurar sua soberania e sua liberdade de estabelecer relações. O <em>logos</em> não é simplesmente razão, princípio de ordem, porém em virtude de seu vínculo essencial com a <em>práxis</em>, é a palavra responsável pelo desvendar da existência humana como coexistência. Assim, o ser humano existe mediante o encontro, a relação (<em>Beziehung</em>).  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Esta questão marca decisivamente a história da Filosofia, uma vez que a maioria das filosofias ocidentais não são centradas na alteridade, no outro, mas na identidade, no eu em si A incisiva afirmação de Buber – apresentada em sua obra <em>Eu e Tu </em>(1923) –, de que, sem o Tu, o Eu não é possível diz respeito a uma verdadeira revolução. Isto alude à indubitável disponibilidade do homem para relacionar-se, para encontrar-se. Com efeito, a fala mais propriamente humana é a resposta à locução de um Tu, no encontro face a face com a pessoa do outro. A existência humana é dialogante. Como afirma Buber, “<em>a palavra–princípio Eu-Tu só pode ser proferida pelo ser na sua totalidade. O Eu se realiza na relação com o Tu; é tornando Eu que digo Tu</em>”. O livro <em>Eu e Tu </em>(1923), publicado originalmente em alemão, é uma ontologia da relação, ultrapassando a simples descrição fenomenológica das atitudes do homem no mundo ou de uma fenomenologia da palavra. A palavra, pela intencionalidade que a anima, é o princípio ontológico do homem como ser dialogante.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O homem é essencialmente uma abertura graças à palavra originária</span><a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/wp-admin/post-new.php#_ftn1"><span style="color:#000000;">[1]</span></a><span style="color:#000000;"> e instaura o emergir dinâmico de sua existência pela palavra. Por este motivo o Eu (homem) precisa pronunciar-se e dirigir-se ao Tu (outro), a fim de que confirme sua existência, utilizando a palavra-dialógica, a palavra em sua ação totalizadora. Para Buber a palavra é portadora do ser. Não é outra coisa, senão palavra de proximidade, resposta que precede a questão, palavra de responsabilidade pelo outro, palavra entre; não palavra <em>sobre</em> ou palavra imperativa e dominante que explora o outro, tratando-o como mero objeto, para extrair-lhe a alteridade. Palavra, gestante de reciprocidade, pela qual o Eu sai em direção ao Tu. Assim está, em ato, instaurada a reciprocidade no existir dialógico de um Eu com um Tu.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O pensador e educador brasileiro Paulo Freire compreende o diálogo como o alicerce fundamental de seus métodos educacionais. Sem o diálogo não há comunicação e sem esta não há verdadeira educação. Em seu importante ensaio, <em>Pedagogia do Oprimido </em>(1970), o pensador brasileiro apresenta as bases de uma teoria da ação dialógica. Para ele a dialogicidade é a essência da educação como prática da liberdade. Por isso afirma que: <em>“Se ao dizer suas palavras, ao chamar o mundo, os homens o transformam, o diálogo impõe-se como o caminho pelo qual os homens encontram seu significado enquanto homens; o diálogo é, pois, uma necessidade existencial” </em>.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para Freire <em>“quando tentamos um adentramento no diálogo como fenômeno humano, se nos revela algo que já podemos dizer ser ele mesmo: a palavra”</em>. Não há palavra verdadeira que não seja <em>práxis</em>, ação e reflexão em uma interação radical. No pensamento freireano, ao se estabelecer um diálogo, busca-se que o homem pronuncie sua palavra, e este pronunciar sua palavra significa começar a transformar o mundo, porque existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. Dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens. Precisamente por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra dos demais.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">“O <em>eu</em> antidialógico, dominador, transforma o <em>tu</em> dominado, conquistado, num mero isto”. O <em>eu</em> dialógico, pelo contrário, sabe que é exatamente o <em>tu </em>que o constitui. Sabe também que, constituído por um <em>tu</em> – um não-eu –, esse <em>tu</em> que o constitui se constitui, por sua vez, como <em>eu</em>, ao ter no seu eu um <em>tu</em>. Não há, portanto, na teoria da ação dialógica, um sujeito que domina pela conquista e um objeto dominado. Em lugar disto, há sujeitos que se encontram para a pronúncia do mundo, para  a sua transformação. A conquista implícita no diálogo é a do mundo pelos sujeitos dialógicos, não a de um pelo outro. Trata-se da conquista do mundo para a libertação dos homens .  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No pensamento freireano a dialogicidade da educação não começa quando o educador-educando se encontra com os educando-educadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes. Esta inquietação em torno do conteúdo do diálogo é a inquietação em torno do conteúdo programático da educação . Freire afirma: <em>“O momento deste buscar é o que inaugura o diálogo da educação como prática da liberdade. É o mesmo em que se realiza a investigação do que chamamos de universo temático do povo ou o conjunto de seus temas geradores</em>”.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Enquanto na prática bancária da educação, antidialógica por essência, por isto, não comunicativa, o educador deposita no educando o conteúdo programático da educação, que ele mesmo elabora ou elaboram para ele, na prática problematizadora, dialógica por excelência, este conteúdo, que jamais é depositado, se organiza e se constitui na visão do mundo dos educandos, em que se encontram seus temas geradores.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Considerações finais</strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Diante deste desafiante confiante para o diálogo feito por Martin Buber e Paulo Freire é que convidamos você a pensar a filosofia como parte integrante de sua vida, sabendo que com a filosofia e os filósofos podemos abertamente encarar dúvidas e buscar respostas.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Como vimos, a Filosofia Contemporânea, a filosofia de nosso tempo, resulta de uma tentativa de encontrar respostas à crise do projeto filosófico da modernidade. Suas principais correntes visam seja atualizar o racionalismo e o funcionalismo característicos da Filosofia Moderna, seja romper com esta tradição em direção a novas alternativas a partir da influência de filósofos como Heidegger, Sartre e Wittgenstein. Um dos aspectos centrais dessa crise é o questionamento da subjetividade como ponto de partida da tentativa de fundamentação do conhecimento e d aética. A linguagem para a ser vista, em diferentes perspectivas, como uma alternativa filosófica. Mas também verificamos na Filosofia Contemporânea críticas à civilização ocidental e o desejo de encontrar caminhos para um mundo sem um Deus. Há forte rejeição na crença nos valores absolutos, na moral de rebanho e na tradição cultural castradora da criatividade, da ação e da emoção pura do homem.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Esperamos que você tenha gostado. A pesquisa desse vídeo foi organizada por Rudinei Borges, que é escritor e professor de Filosofia. Agora chegou a sua fez de pesquisar e quem sabe de construir a sua própria filosofia a partir da obra de todos os filósofos que conhecemos hoje. Fica uma pergunta que não conseguimos responder: será que a razão pode realmente favorecer a emancipação humana? O que a filosofia tem a dizer a respeito das transformações causadas pelo avanço da ciência e das novas tecnologias, como o computador? É possível responder. Vá adiante. Boa sorte. Até a próxima.  </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#800000;"><strong>Referências Bibliográficas</strong>  </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Albert Camus. O mito de Sísifo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Dicionário da língua portuguesa.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Bryan Magee. História da Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">César Aparecido Nunes. Aprendendo Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Danilo Marcondes. Iniciação à Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Gilberto Cotrim. Fundamentos da Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Giovanni Reale e Dário Antiseri. História da Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Hegel. Fenomenologia do espírito.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Hilton Japiassú e Danilo Marcondes. Dicionário Básico de Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Horkheimer. Eclipse da razão.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Julían Marías. História da Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Karl Marx. O capital.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Kierkeggard. O desespero humano.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Marilena Cahuí. Convite à Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Martin Buber. Eu e tu.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Martin Heidegger. O ser e o tempo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Neil Turbull. Fique por dentro da Filosofia.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nietzche. Assim falou Zaratrusta.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Paulo Freire. Pedagogia do oprimido.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sartre. O ser e o nada.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Schopenhauer. O mundo como vontade e representação</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/424/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=424&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Chão de terra batida &#8211; Lançamento dia 7 de novembro 2009</title>
		<link>http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/09/19/404/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 03:30:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamento de Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Livro de poesia Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Memórias da infância na Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa Poética]]></category>

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		<description><![CDATA[CHÃO DE TERRA BATIDA por Rudinei Borges Lançamento dia 7 de novembro, às 19 h. * All Print Editora e Gráfica Ltda. Espaço Cultural Antonio Adolpho Rua Ibituruna, 550 – Jd. Saúde – São Paulo – SP (próx. Estação Saúde do Metrô) Fones: (11) 2478-3413 / 2478-3414 / 2478-3415 / 2478-4479 * O CHÃO DE RUDINEI [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=404&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_411" class="wp-caption aligncenter" style="width: 224px"><img class="size-full wp-image-411" title="Chão de terra batida - livro de Rudinei Borges" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/09/capa-de-chao-de-terra-batida.jpg?w=214&#038;h=336" alt="Chão de terra batida - Rudinei Borges " width="214" height="336" /><p class="wp-caption-text">Chão de terra batida - Rudinei Borges </p></div>
<h1 style="text-align:center;"><span style="color:#ff0000;">CHÃO DE TERRA BATIDA</span></h1>
<h1 style="text-align:center;"><span style="color:#000080;">por Rudinei Borges</span></h1>
<h2 style="text-align:center;"><span style="color:#993300;">Lançamento dia 7 de novembro, às 19 h.</span></h2>
<p style="text-align:center;">*</p>
<p style="text-align:center;">All Print Editora e Gráfica Ltda.<br />
Espaço Cultural Antonio Adolpho<br />
Rua Ibituruna, 550 – Jd. Saúde – São Paulo – SP<br />
(próx. Estação Saúde do Metrô)<br />
Fones: (11) 2478-3413 / 2478-3414 / 2478-3415 / 2478-4479</p>
<p style="text-align:center;">*</p>
<h1 style="text-align:center;">O CHÃO DE RUDINEI BORGES</h1>
<h2 style="text-align:center;">por Edner Morelli</h2>
<p style="text-align:justify;">A literatura de Rudinei Borges impressiona pela sua simplicidade, comprovando que a boa obra literária nem sempre precisa se apoiar num hermetismo estético que, muitas vezes, não diz nada. Por meio de uma prosa memorialista, algo que transita entre o regional e o universal, o autor, com invejável tom poético, apresenta-nos uma revisitação de seu espaço primeiro, no caso, o interior do Pará. Ao optar pela primeira pessoa, a obra adquire certa atmosfera autobiográfica, porém, nunca se esquecendo da possibilidade de representação que as imagens literárias nos proporcionam.</p>
<p style="text-align:justify;">O texto de Rudinei, materializado em seu primeiro livro Chão de terra batida, beira o relato pessoal, misto de crônica e conto fragmentado, com perdão da redundância. Obviamente, por trás dessa economia de meios de linguagem, os textos desse livro guardam uma potencialidade infindável de sugestões poéticas, como verificamos no texto abaixo, que vai do tom impressionista-cotidiano à surpreendente reflexão existencial-filosófica:</p>
<p style="text-align:center;">Altar</p>
<p style="text-align:center;">Mãe rezava o rosário inteiro</p>
<p style="text-align:center;">antes de dormir.</p>
<p style="text-align:center;">E eu baixinho repetia</p>
<p style="text-align:center;">as palavras da mãe:</p>
<p style="text-align:center;">amar significa olhar para as coisas</p>
<p style="text-align:center;">sem sentir saudades delas.</p>
<p style="text-align:justify;">Rudinei cria, ou melhor, re-cria sua própria mitologia, ao recuperar as figuras familiares mais íntimas, os espaços mais longínquos de sua infância-raiz, apontando para um movimento curioso de representação, que abrange o lado interior e exterior do poeta. Como uma fotografia em prosa, Rudinei nos oferece uma visita ao seu mundo particular, pois só ele esteve in locus nessas reminiscências, que esse livro possui a pretensão literária de eternizá-las.</p>
<p style="text-align:center;">*</p>
<h1 style="text-align:center;"><span style="color:#993300;">REPERCUSSÃO</span></h1>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">“Chão de terra batida é um microcosmo onde o leitor caminha pelas terras e sente os cheiros e os sabores da infância, as brincadeiras de criança, as travessuras de menino levado, aquele tempo que não morre e que nos acompanha durante toda a vida e nos dá conforto quando há solidão”. (Felipe Garcia de Medeiros)</p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;">*</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">“Chão de terra batida é um livro mítico. Ele remonta ao barro primitivo para tocar no mistério da gênese. Não da Phýsys enquanto mundo objetivo, mas do Cosmos subjetivo da poesia de Rudinei Borges. Narrativa em que as principais referências são femininas: a mãe, a vó, a Amazônia, grande ventre do qual aquelas parecem constituir figura. O livro conta, em instantâneos plenos de beleza e encanto, a conformação da poesia e do poetar na alma do menino. E, não obstante, na subjetividade do processo, uma viva comunicação se estabelece. O leitor se vê no poeta: Mistério da poesia!” (Edilson Pantoja)</p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;">*</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">“Os poemas de Chão de terra batida possuem uma propriedade peculiar: conseguem nos impregnar da mesma nostalgia de seu autor, como se odores, sabores e outras sensações que percorrem o livro se integrassem às lembranças de cada leitor. Epifanias que eclodem de cenas cotidianas revelam um universo repleto de singelas riquezas, para o qual somos transportados, por força do claro estilo de Rudinei Borges. A propósito deste estilo, o rigor de quem procura a palavra exata e a simplicidade derivada da opção por prescindir de efeitos vazios se encontram em medidas precisas na escrita de Rudinei, o que nos faz crer estarmos diante de um poeta destinado a se consolidar entre os melhores”. (Carlos Alberto Rodrigues Pereira)</p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;">*</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">“Chão de terra batida é um mergulho nas águas densas das sensações, as mesmas águas em que navegam as pequenas embarcações que os olhos do menino avistavam do cais. Entre ruas e personagens, Rudinei Borges se debruça sobre o passado, resgata impressões do cotidiano e irrompe o universo cultural de sua terra, a Amazônia. O que mais agrada em Chão de terra batida é a capacidade do autor em olhar o passado sem distanciar-se do presente e correlatamente projetar o futuro. A maneira como Rudinei interage com a temporalidade torna este livro imprescindível”. (Sidnei Ferreira de Vares)</p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;">***</p>
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			<media:title type="html">Chão de terra batida - livro de Rudinei Borges</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Rousseau: Discurso sobre a origem e os fundamentos das desigualdades entre os homens</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 02:17:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Iluminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rousseau]]></category>
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		<category><![CDATA[Homens]]></category>

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		<description><![CDATA[por Adivaldo Sampaio de Oliveira Introdução Tendo consciência de que não possuo conhecimento suficiente para criticar um filósofo da grandeza de Rousseau, objetivo apenas realizar reflexões sobre o texto Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens à luz principalmente das apresentações realizadas durante o curso. A escolha do Discurso deve-se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=399&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>por Adivaldo Sampaio de Oliveira</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Tendo consciência de que não possuo conhecimento suficiente para criticar um filósofo da grandeza de Rousseau, objetivo apenas realizar reflexões sobre o texto <em>Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens</em> à luz principalmente das apresentações realizadas durante o curso.</p>
<p style="text-align:justify;">A escolha do <em>Discurso</em> deve-se ao fato de acreditar que esta obra, que causou uma reviravolta na vida de Rousseau, é também a porta de entrada para o desenvolvimento de seu pensamento. Após alcançar sucesso e fama com a publicação do <em>Discurso sobre as ciências e as artes</em>, Rousseau voltou a escrever para a Academia de Dijon, porém desta vez sem almejar prêmios, pois como escreveu em <em>Confissões</em> &#8220;&#8230;não é para obras dessa categoria que são instituídos os prêmios das Academias&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Rousseau tem a convicção de que o homem é bom por natureza, e em seu primeiro discurso afirma que os costumes degeneram à medida que os povos desenvolvem o gosto pelos estudos e pelas letras, neste novo trabalho procurará mostrar as causas desta degeneração. Segundo Jean Jacques o homem natural é bom, e no isolamento é igual a todo homem. É a partir do momento que resolve viver em sociedade que as desigualdades aparecem.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Desenvolvimento </strong></p>
<p style="text-align:justify;">O <em>Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens</em> é dividido em 3 partes, sobre as quais apresentarei uma síntese a seguir: a primeira é a Dedicatória, seguida do Prefácio e por último o próprio Discurso, .</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">Dedicatória</span>: O <em>Discurso</em> foi publicado em 1750, período em que Rousseau ainda contava com grande prestígio na sociedade &#8211; pois é a partir da publicação desta obra que começa a formar-se &#8220;o grande complô&#8221; do qual Rousseau sentia-se vítima – portanto sua dedicatória aos cidadãos de Genebra e aos representantes do Estado é natural e aparentemente sincera, pois para ele sua pátria era &#8220;&#8230;a imagem mais aproximada do que pode ser um Estado virtuoso e feliz, democrático e solidamente estabelecido&#8230;&#8221; (pág. 21).</p>
<p style="text-align:justify;">A louvação a seu pai e uma exaltação do papel das mulheres dentro da sociedade completam o contido na dedicatória.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">Prefácio</span>: Neste item Rousseau nos apresenta o método que irá utilizar para desenvolver o pensamento que servirá de resposta à pergunta da Academia: a priori tem-se que descobrir o que é o homem; &#8220;Como conhecer, pois, a origem da desigualdade entre os homens, a não ser começando por conhecer o próprio homem?&#8221; (pág. 40). Para realizar tal empreitada é necessário se chegar ao homem natural, e neste ponto surge um paradoxo, pois para se alcançar o homem natural é necessário despir-se do conhecimento do homem civilizado, ou seja, quanto mais utilizamos a razão para entender o homem natural mais distante nos colocamos dele. Para resolver este problema Rousseau propõe uma meditação &#8220;&#8230;sobre as mais simples realizações da alma humana,&#8221; (pág. 44). Através desta meditação Rousseau chega a conclusão de que mesmo antes da razão, dois princípios básicos regem a alma humana: um é o sentimento de autopreservação e o outro é o sentimento de comiseração.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">O <em>Discurso</em> – 1<sup>a</sup> parte</span>: Rousseau inicia o discurso fazendo uma distinção das duas desigualdades existentes: a desigualdade natural ou física e a desigualdade moral ou política. A desigualdade natural (sexo, idade, força, etc.) não é o objetivo dos estudos de Rousseau, pois como o próprio nome já afirma, esta desigualdade tem uma origem natural e não foi ela que submeteu um homem a outro. A origem da desigualdade moral ou política é o que interessa para Rousseau.</p>
<p style="text-align:justify;">Jean-Jacques trata em toda a primeira parte do <em>Discurso</em> sobre o homem natural rebatendo as teses de Hobbes, Buffon e outros que tratam do mesmo assunto, mas que enxergavam o homem natural a partir da visão do homem social (o homem do homem). Partindo de sua teoria dos dois princípios básicos que regem a alma humana, Rousseau descreve o homem natural como um ser solitário, possuidor de um instinto de autopreservação, dotado de sentimento de compaixão por outros de sua espécie, e possuindo a razão apenas potencialmente. O sentimento de comiseração pode ser visto também como instinto ou um mecanismo de autopreservação da espécie.</p>
<p style="text-align:justify;">Rousseau não vê na vida do homem natural, motivos que o levem à vida em sociedade. O homem natural vive o presente, é robusto e bem organizado, apesar de não possuir habilidades específicas, pode aprendê-las todas, é inocente não possuindo noções do bem e do mal e possui duas características que o distingue dos outros animais que são a liberdade e a perfectibilidade. A perfectibilidade é um neologismo criado por Rousseau para exprimir a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Utilizando como exemplo o estudo sobre a origem da linguagem, Rousseau tenta demonstrar a falta de ligação entre o homem natural e o homem social. Termina esta parte afirmando que a passagem do homem natural ao homem social, que é a origem das desigualdades, não pode ser obra do próprio homem, mas sim de algum fator externo.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">O <em>Discurso</em> – 2<sup>a</sup> parte</span>: Após descrever o homem natural, Rousseau utiliza uma história hipotética para descrever como se deu à passagem do estado natural para o estado social, mostrando desta forma como surgiu a desigualdade entre os homens. A idéia de perfectibilidade está na base de todo esta transformação.</p>
<p style="text-align:justify;">O homem natural tinha como única preocupação sua subsistência, contudo à medida que as dificuldades do meio se apresentavam ele era obrigado a superá-las adquirindo, portanto novos conhecimentos. O homem natural aprendeu a pescar, caçar e por vezes a associar-se a outros homens, tanto para defender-se como para caçar, mas estas associações eram sempre aleatórias. Neste ponto é que surge a primeira &#8220;revolução&#8221;: a construção de abrigos. O surgimento das casas faz com que o homem natural permaneça mais tempo em um mesmo lugar e na companhia de seus companheiros, nascendo assim as famílias e com elas os &#8220;&#8230;sentimentos mais ternos que são conhecidos dos homens, o amor conjugal e o amor paterno.&#8221;(pág. 88)*. Ao passo que as pessoas passam a viver por mais tempo juntas começa a surgir formas de linguagem. Uma noção precária de propriedade passa a fazer parte deste novo universo. Por motivos de segurança, hábitos alimentares e influência do clima, as famílias passam a conviver próximas surgindo as primeiras comunidades.</p>
<p style="text-align:justify;">Para Rousseau este era o estágio no qual o homem deveria ter parado. Vivendo em sociedade, com poucas necessidades e com condições de atendê-las o homem teria tudo para ser feliz. Mas a perfectibilidade não o permitiu. A pequena comunidade sentada a volta da fogueira cantando e dançando começa a se enxergar. Os homens passam a se compararem: o melhor caçador, o mais forte, o mais bonito, o mais hábil começa a se destacar, e o ser e o parecer tornam-se diferentes. Os homens agrupados ainda sem nenhuma lei ou líder têm como único juiz a sua própria consciência. E cada qual sendo juiz a sua maneira tem inicio o estado de guerra de todos contra todos. Paralelamente surge a agricultura e a metalurgia, evento ao qual Rousseau nomeia de &#8220;a grande Revolução&#8221;. Com estes eventos surge a divisão do trabalho, a noção de propriedade se enraíza e passa a existir homens ricos e homens pobres, que dependeram doravante uns dos outros. É dentro desta situação caótica que os homens resolveram estabelecer leis para se protegerem; uns para protegerem suas propriedades e outros para se protegerem das arbitrariedades dos mais poderosos.</p>
<p style="text-align:justify;">Rousseau passa a indagar que tipos de governos podem ter surgido. De antemão descarta a possibilidade de um governo despótico ter sido o iniciador do processo, pois o sentimento de liberdade do homem não o permitiria. Jean-Jacques diz que os governantes devem ter surgido de forma eletiva, isto é, se em uma comunidade uma única pessoa era considerada digna e capacitada para governá-la surgiria um estado monárquico; se várias pessoas gozavam ao mesmo tempo de condições para tal surgiria um estado aristocrático, porém se todos as pessoas possuíam qualidades homogêneas e resolvessem administrar conjuntamente surgiria uma democracia. O desvirtuamento dessas formas de governo pela ambição de alguns é que deram origem a estados autoritários e despóticos.</p>
<p style="text-align:justify;">Rousseau conclui mostrando como os acontecimentos citados deram origem as desigualdades entre os homens. O surgimento da propriedade divide os homens entre ricos e pobres, o surgimento de governos divide entre governantes (poderosos) e governados (fracos) e o surgimento de estados despóticos divide os homens entre senhores e escravos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Conclusão </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Como homem de seu tempo (século XVIII), Rousseau procura realizar uma análise científica da sociedade, e a exemplo dos físicos que criaram a teoria dos gases perfeitos, que em natureza não existe, mas servem para o estudo de todos os outros gases através do método de comparação, Rousseau utiliza a &#8220;noção de estado de natureza&#8221;, que nunca existiu efetivamente, mas que serve de patamar de comparação para verificarmos o quão distante uma sociedade está do estado natural.</p>
<p style="text-align:justify;">Rousseau tem uma preocupação lateral no <em>Discurso</em> que esta ligada a sua religiosidade. Em alguns pontos lembra que o homem natural é uma ficção criada por ele para explicar sua teoria, que tal homem não existiu em época alguma da história, portanto seu texto não estaria desta forma contrariando as escrituras sagradas.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante todo o nosso curso, nos foi apresentado um Rousseau controverso, polêmico, uma pessoa que nasceu protestante, converteu-se ao catolicismo e mais tarde retorna ao protestantismo; um autor de peças teatrais que combate o teatro; um crítico dos romances que escreve uma obra como <em>Julia ou A Nova Heloísa</em>. Contudo ao avaliar sua obra e teoria, o que se vê é muita coerência. No <em>Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens</em> Rousseau nos mostra um problema – a degeneração social provocada pelo distanciamento que o homem social está do homem natural. No <em>Contrato Social</em> ele nos apresenta uma solução – já que não podemos viver como o homem natural, pois a evolução da sociedade é inevitável (perfectibilidade), que constituamos uma sociedade harmoniosa, que tenha como ponto de partida uma relação entre governantes e governados baseada na liberdade. E em <em>Emilio</em> Rousseau nos mostra como chegar a tal sociedade &#8211; através da educação por um método bem específico que deve formar cidadãos livres. A educação de Emílio visa a construção do governante ideal, resolvendo um dos problemas da sociedade cujos vícios &#8220;&#8230;não pertencem tanto ao homem, mas fundamentalmente ao homem mal governado.&#8221;(pág. 8).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Bibliografia: </strong></p>
<p style="text-align:justify;">ROUSSEAU, Jean-Jacques. <em>Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens</em> Editora Universidade de Brasília – Brasília/DF; Editora Ática – São Paulo/SP – 1989.</p>
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		<title>Nietzsche, traços biográficos</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2009 02:19:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzche]]></category>

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		<description><![CDATA[(Por Voltaire Schilling) &#8220;&#8230; Sim já sei de onde venho&#8230; tudo o que tocam as minhas mãos se torna luz e o que lanço não é mais do que carvão. Certamente, sou uma chama!&#8221; &#8211; Nietzsche, 1888 1. Vida de cigano Quem o conheceu naquela época, entre 1880-90, não deixou de se comover ao vê-lo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=346&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-345" title="Friedrich_Nietzsche" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/05/friedrich_nietzsche.jpg?w=316&#038;h=385" alt="Friedrich_Nietzsche" width="316" height="385" /></p>
<p style="text-align:justify;">(Por Voltaire Schilling)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8220;&#8230; Sim já sei de onde venho&#8230; tudo o que tocam as minhas mãos se torna luz e o que lanço não é mais do que carvão. Certamente, sou uma chama!&#8221;</em> &#8211; Nietzsche, 1888</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>1. Vida de cigano</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Quem o conheceu naquela época, entre 1880-90, não deixou de se comover ao vê-lo. Friedrich Nietzsche, devastado por uma miopia de 15 graus, andava como que às cegas, tateando com as mãos ou com a bengala o perigoso espaço embaçado que imaginava na sua frente. Desde que o aposentaram precocemente aos 34 anos da Universidade de Basiléia na Suíça, deu-se a ter uma vida de pobre cigano, arrastando-se de pensão em pensão, de quarto em quarto, por cidades italianas (Gênova, Veneza, Sorrento, Turim), francesas, (Nice) ou recantos suíços (como Sils-Maria). Se bem que nascido em Röcken, em 15 de outubro de 1844, no coração da Saxônia, pode-se dizer que Nietzsche passou seu tempo de adulto mais fora do que dentro da Alemanha.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai, um pastor, parece que talentoso, um monarquista convicto e preceptor de princesas, batizou-o com o nome dos reis prussianos &#8211; Frederico. Deu-lhe o nome e infelizmente também lhe legou uma estranhíssima doença. Era isso que o fazia agora, homem feito, ver-se jogado na cama por dias a fio torturado por pavorosas enxaquecas, seguidas de eternas indisposições estomacais e tonturas de toda ordem.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2. Uma só escassa paixão</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Foi este estado lastimoso que fez com que uma sua conhecida Malwida von Meysenburg, uma dedicada senhora casamenteira, não parasse de arranjar-lhe encontros com umas moças que passavam por seu salão. Era uma luta arrancar aquele misógino do fundo da pensão em que estivesse para que fosse dar uma passeio com alguma daquelas prometidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Por uma pelo menos ele se interessou &#8211; dizem que chegando à paixão &#8211; uma jovem russa que vivia no Ocidente chamada pelo exótico nome de Lou Salomé e por quem ele, inutilmente, se entusiasmou por uns oito meses no ano de 1882. Ela, mais tarde, casou-se com o poeta Rainer Maria Rilke, e também freqüentou Freud, de quem se tornou discípula.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>3. O caso Wagner</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Seu melhor momento de relacionamento foi com Richard Wagner e com a mulher dele, Cosima, quando freqüentou assiduamente, em peregrinações de fim de semana, a mansão do compositor em Tribschen, na Suíça. Amizade que começou a desmoronar em 1878 quando farejou no grande mestre sinais de concessões ao gosto popular e acenos indiscretos ao cristianismo, religião a qual ele devotou um ódio crescente. Ao Cristianismo e à idéia da Igualdade!</p>
<p style="text-align:justify;">Wagner, um egocêntrico assumido, queria que o iniciante Nietzsche (era trinta anos mais jovem que o compositor) fosse uma espécie de arauto das suas óperas e não um intelectual independente que &#8220;caminhasse junto a ele&#8221;. Nietzsche, anos depois, disse que os dois, ele e Wagner, eram dois barcos navegando na mesma direção, encontrando-se aqui e ali, mas com rotas diferentes, e que se não se davam bem entre as águas, seguramente o fariam quando se encontrassem num outro lugar. Nos céus!</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>4. Um notável escritor</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Durante mais de dez anos aquele esquisito professor alemão, que chamava a atenção das pessoas por andar com um bigodão de cossaco, trancado com seus livros e papéis em aposentos soturnos, dedicou-se a produzir candentes escritos contra tudo o que era estabelecido e até mesmo o que consideravam não convencional (como o socialismo e o feminismo). Poucos deixam de ler uma página de Nietzsche sem uma forte impressão &#8211; a favor ou contra. E que escrita! Ninguém como ele empunhara o alemão assim, a marteladas.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-347" title="nietzsche 2" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/05/nietzsche-2.jpg?w=361&#038;h=550" alt="nietzsche 2" width="361" height="550" /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>5. Um pensador impressionista</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Nada de sistema ou de portentosos tratados, nenhum pedantismo caracteriza os escritos de Nietzsche. Ao contrário, redigiu versos, aforismos, uma prosa de parágrafos curtos, frases secas, certeiras, com extraordinária carga emocional. Realizou uma façanha &#8211; era o primeiro pensador moderno da Alemanha a abominar a paixão nacional pelo texto obscuro (religiosamente respeitada pelos intelectuais alemães). Viu-se na pele de um novo profeta: um Zaratustra, o velho mago iraniano, renascido bem no meio da Europa Ocidental. Alguém que vinha anunciar a todos que uma Nova Ordem adviria. E nela, malgrado os crentes, Deus não mais existia! O próprio homem como conhecíamos, desapareceria.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>6. O super-homem</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Se foramos em algum dia remoto, como Charles Darwin sugerira, um macaco, o homem de agora era uma ponte, uma passagem para um outro devir a ser: o do Übermensh, o super-homem. Liberto dos entraves do bem e do mal, este novo ser, um titã, um colosso egocêntrico, viria para a conquista futura do mundo. Uma nova raça de homens, recuperando e restaurando as autênticas e primitivas pulsões (bárbaras, violentas, extremadas) sufocadas pela moral convencional e pela religião, levaria tudo de roldão.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>7. Loucura e morte</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Paradoxalmente, disse num certo momento, que não queria discípulos. Era serio? Teve-os aos magotes. Endoidou de vez em Turim, em janeiro de 1889, quando acharam-no aos prantos abraçado num cavalo espancado. Durante os dez anos restantes afundou-se numa densa névoa. Morreu na pequena Weimar, a capital cultural da Alemanha, no dia 25 de agosto de 1900. A sua irmã mais nova Elizabeth recolhera-o para lá em 1897, entendendo de que somente o sítio de Goethe era suficientemente ilustre para acolher em seus últimos dias o famoso e infeliz irmão louco.</p>
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		<title>Por que Filosofia?</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2009 02:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<description><![CDATA[Nascemos já inseridos em um contexto que não depende de nós. Cabe ao filósofo refletir e considerar esse contexto, e como o homem se insere nele, pensar o rumo que as coisas tomam. É apenas na filosofia que se formulam novas formas de compreender a realidade, sem o que nos encontramos numa situação em que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=263&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;"><img class="alignnone size-full wp-image-264" title="mao-e-areia" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/mao-e-areia.jpg?w=320&#038;h=319" alt="mao-e-areia" width="320" height="319" /></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:22pt;line-height:150%;font-family:&quot;">N</span></strong><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">ascemos já inseridos em um contexto que não depende de nós. Cabe ao filósofo refletir e considerar esse contexto, e como o homem se insere nele, pensar o rumo que as coisas tomam. É apenas na filosofia que se formulam novas formas de compreender a realidade, sem o que nos encontramos numa situação em que apenas se reproduz mecanicamente padrões pré estabelecidos. A ciência não faz mais do que levantar dados e produzir técnicas que aceleram o próprio processo técnico-científico. As religiões oferecem a comodidade de respostas prontas para consolar corações aflitos que não suportam a visão dos abismos insondáveis. Sem o filósofo a humanidade caminha no escuro sem considerar se caminha para frente ou em círculos. Sem uma reflexão cuidadosa que procure entender o mundo e a condição humana nossas vidas serão como que engrenagens em um mecanismo que desconhecemos&#8230; e perpetuamos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">___________________</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">Publicado por Guto no site http://vertigempeloverbo.blogspot.com/</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/263/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=263&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O que é Filosofia, professor? E para que serve?</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 00:15:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[Dicinário de Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[(Prof. Dr. Delamar José Volpato Dutra) A Filosofia é um ramo do conhecimento que pode ser caracterizado de três modos: seja pelos conteúdos ou temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, seja pela forma como trata tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata de conceitos tais como bem, beleza, justiça, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=254&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-255" title="filosofia-1" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/filosofia-1.jpg?w=430&#038;h=329" alt="filosofia-1" width="430" height="329" /></p>
<p style="text-align:justify;">(Prof. Dr. Delamar José Volpato Dutra)</p>
<p style="text-align:justify;">A Filosofia é um ramo do conhecimento que pode ser caracterizado de três modos: seja pelos conteúdos ou temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, seja pela forma como trata tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata de conceitos tais como bem, beleza, justiça, verdade. Mas, nem sempre a Filosofia tratou de temas selecionados, como os indicados acima. No começo, na Grécia, a Filosofia tratava de todos os temas, já que até o séc. XIX não havia uma separação entre ciência e filosofia. Assim, na Grécia, a Filosofia incorporava todo o saber. No entanto, a Filosofia inaugurou um modo novo de tratamento dos temas a que passa a se dedicar, determinando uma mudança na forma de conhecimento do mundo até então vigente. Isto pode ser verificado a partir de uma análise da assim considerada primeira proposição filosófica.</p>
<p style="text-align:justify;">Se dermos crédito a Nietzsche, a primeira proposição filosófica foi aquela enunciada por Tales, a saber, que a água é o princípio de todas as coisas [Aristóteles. Metafísica, I, 3].</p>
<p style="text-align:justify;">Cabe perguntar o que haveria de filosófico na proposição de Tales. Muitos ensaiaram uma resposta a esta questão. Hegel, por exemplo, afirma: &#8220;com ela a Filosofia começa, porque através dela chega à consciência de que o um é a essência, o verdadeiro, o único que é em si e para si. Começa aqui um distanciar-se daquilo que é a nossa percepção sensível&#8221;. Segundo Hegel, o filosófico aqui é o encontro do universal, a água, ou seja, um único como verdadeiro. Nietzsche, por sua vez, afirma:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;a filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matiz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisália [sic], está contido o pensamento: ‘Tudo é um’. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">O importante é a estrutura racional de tratamento das questões. Nietzsche analisa esse texto, não sem crítica, e remarca a violência tirânica como essa frase trata toda a empiria, mostrando que com essa frase se pode aprender como procedeu toda a filosofia, indo, sempre, para além da experiência.</p>
<p style="text-align:justify;">A Filosofia representa, nessa perspectiva, a passagem do mito para o logos. No pensamento mítico, a natureza é possuída por forças anímicas. O homem, para dominar a natureza, apela a rituais apaziguadores. O homem, portanto, é uma vítima do processo, buscando dominar a natureza por um modo que não depende dele, já que esta é concebida como portadora de vontade. Por isso, essa passagem do mito à razão representa um passo emancipador, na medida em que libera o homem desse mundo mágico.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;De um sistema de explicações de tipo genético que faz homens e coisas nascerem biologicamente de deuses e forças divinas, como ocorre no mito, passa-se a buscar explicações nas próprias coisas, entre as quais passa a existir um laço de causalidade e constâncias de tipo geométrico [...] Na visão que os mitos fornecem da realidade [...] fenômenos naturais, astros, água, sol, terra, etc., são deuses cujos desígnios escapam aos homens; são, portanto, potências arbitrárias e até certo ponto inelutáveis&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">A idéia de uma arqué, que tem sentido amplo em grego, indo desde princípio, origem, até destino, porta uma estrutura de pensamento que a diferencia do modo de pensar anterior, mítico. Com Nietzsche, pode-se concluir que o logos da metafísica ocidental visa desde o princípio à dominação do mundo e de si. Se atentarmos para a estrutura de pensamento presente no nascimento da Filosofia, podemos dizer que seu logos engendrou, muitos anos depois, o conhecimento científico. Assim, a estrutura presente na idéia de átomo é mesma que temos, na ciência atual, com ideia de partículas. Ou seja, a consideração de que há um elemento mínimo na origem de tudo. A tabela periódica também pode ser considerada uma sofisticação da idéia filosófica da combinatória dos quatro elementos: ar, terra, fogo, água, da qual tanto tratou a filosofia eleática.</p>
<p style="text-align:justify;">Portanto, em seu início, a Filosofia pode ser considerada como uma espécie de saber geral, omniabrangente. Um tal saber, hoje, haja vista os desenvolvimentos da ciência, é impossível de ser atingido pelo filósofo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/254/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=254&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os filósofos pré-socráticos</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O vídeo abaixo discute o conceito de ARKHÉ, que significa PRINCÍPIO  ou ORIGEM. Esta era a questão fundamental da reflexão dos primeiros filósofos, aqueles que viveram antes de Sócrates e foram chamados pelos historiadores de PRÉ-SOCRÁTICOS.       O vídeo está disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=uT8s-6nLhHY   Verifique também este segundo vídeo, em que são apresentadas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=241&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;">O vídeo abaixo discute o conceito de ARKHÉ, que significa PRINCÍPIO  ou ORIGEM. Esta era a questão fundamental da reflexão dos primeiros filósofos, aqueles que viveram antes de Sócrates e foram chamados pelos historiadores de PRÉ-SOCRÁTICOS.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/03/22/os-filosofos-pre-socraticos-2/"><img src="http://img.youtube.com/vi/uT8s-6nLhHY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;">O vídeo está disponível em: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=uT8s-6nLhHY">http://www.youtube.com/watch?v=uT8s-6nLhHY</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;">Verifique também este segundo vídeo, em que são apresentadas informações importantes para compreendermos o pensamento filosófico dos PRÉ-SOCRÁTICOS.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/03/22/os-filosofos-pre-socraticos-2/"><img src="http://img.youtube.com/vi/z5h0u-EIB0I/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> O vídeo está disponível em: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=z5h0u-EIB0I">http://www.youtube.com/watch?v=z5h0u-EIB0I</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Os filósofos pré-socráticos são, como sugere o nome, os filósofos anteriores a Sócrates. Contudo essa divisão se dá mais propriamente devido ao objeto de sua filosofia em relação à novidade introduzida por Sócrates, do que à cronologia &#8211; pois que, temporalmente, alguns dos ditos pré-socráticos são contemporâneos a Sócrates, ou mesmo posteriores a ele (no caso de alguns sofistas).</p>
<p style="text-align:justify;">Primeiramente esses filósofos, também chamados de &#8220;naturalistas&#8221; ou filósofos da physis (natureza &#8211; entendendo-se este termo não em seu sentido corriqueiro, mas como realidade primeira, originária e fundamental¹, ou o que é primário, fundamental e persistente, em oposição ao que é secundário, derivado e transitório²), tinham como escopo especulativo o problema cosmológico, ou cosmo-ontológico, e buscavam o princípio (ou arché) das coisas.</p>
<p style="text-align:justify;">Num segundo momento, com tal problemática entrando em crise, surge a sofística, e o foco muda do cosmo para o homem e o problema moral.</p>
<p style="text-align:justify;">Os principais filósofos pré-socráticos (e suas escolas) foram:</p>
<p style="text-align:justify;">• Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaximenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso;<br />
• Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento;<br />
• Escola Eleata: Xenófanes, Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia e Melisso de Samos.<br />
• Escola da Pluraridade: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de Mileto e Demócrito de Abdera.</p>
<p style="text-align:justify;">Quanto aos sofistas, não houve propriamente uma escola, mas pode-se dividi-los em alguns blocos:</p>
<p style="text-align:justify;">Primeira geração: Protágoras e Górgias;</p>
<p style="text-align:justify;">Segunda geração: Pródico de Céos, Hípias e Antifonte;</p>
<p style="text-align:justify;">Eristas e sofistas políticos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/241/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=241&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tales de Mileto (624-548 a.C.)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:43:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos 2]]></category>
		<category><![CDATA[Tales de Mileto]]></category>
		<category><![CDATA[Filósofos Pré-socráticos]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeiro filósofo Milesiano. Tales foi comerciante de sal, azeite e oliva e enriqueceu como proprietário de prensas de azeitona durante uma safra promissora. Sabe-se que Tales previu um eclipse ocorrido em 585 a.C. De suas idéias quase nada é conhecido. Aristóteles o chama de fundador da filosofia, e lembra que a sua doutrina baseia-se na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=226&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_352" class="wp-caption alignnone" style="width: 335px"><img class="size-full wp-image-352" title="Tales de Mileto" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/tales-de-mileto2.jpg?w=325&#038;h=402" alt="Tales da cidade de Mileto" width="325" height="402" /><p class="wp-caption-text">Tales da cidade de Mileto</p></div>
<p style="text-align:justify;">Primeiro filósofo Milesiano. Tales foi comerciante de sal, azeite e oliva e enriqueceu como proprietário de prensas de azeitona durante uma safra promissora. Sabe-se que Tales previu um eclipse ocorrido em 585 a.C. De suas idéias quase nada é conhecido. Aristóteles o chama de fundador da filosofia, e lembra que a sua doutrina baseia-se na água como o elemento primordial de todas as coisas (physis, fonte originária, gênese), e que para suportar as transformações e permanecer inalterada, a água deveria ser um elemento eterno.</p>
<p style="text-align:justify;">Atribui-se a Tales a afirmação de que &#8220;todas as coisas estão cheias de deuses&#8221;, o que talvez pode ser associado à idéia de que o imã tem vida, porque move o ferro. Essa afirmação representa não um retorno a concepções míticas, mas simplesmente a idéia de que o universo é dotado de animação, de que a matéria é viva (hilozoísmo). Além disso, elaborou uma teoria para explicar as inundações do Nilo, e atribui-se a Tales a solução de diversos problemas geométricos (exemplo: teorema de Pitágoras). Tales viajou por várias regiões, inclusive o Egito, onde, segundo consta, calculou a altura de uma pirâmide a partir da proporção entre sua própria altura e o comprimento de sua sombra: essa proporção é a mesma que existe entre a altura da pirâmide e o comprimento da sombra desta. Esse cálculo exprime o que, na geometria, até hoje se conhece como teorema de Tales.</p>
<p style="text-align:justify;">Tales foi um dos filósofos que acreditava que as coisas têm por trás de si um princípio físico, material, chamado arqué. Para Tales, o arqué seria a água. Tales observou que o calor necessita de água, que o morto resseca, que a natureza é úmida, que os germens são úmidos, que os alimentos contêm seiva, e concluiu que o princípio de tudo era a água. Com essa afirmação deduz-se que a existência singular não possui autonomia alguma, apenas algo acidental, uma modificação. A existência singular é passageira, modifica-se. A água é um momento no todo em geral, um elemento. Tales com essa afirmação queria descobrir um elemento físico que fosse constante em todas as coisas. Algo que fosse o princípio unificador de todos os seres.</p>
<p style="text-align:justify;">Principais fragmentos:</p>
<p style="text-align:justify;">• “&#8230; a água é o princípio de todas as coisas&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">• “&#8230; todas as coisas estão cheias de deuses&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">• “&#8230; a pedra magnética possui um poder porque move o ferro&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Visite o site: www.aruasetima.wordpress.com</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/226/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=226&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Tales de Mileto</media:title>
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		<title>Anaximandro de Mileto (611-547 a.C.)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:38:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anaximandro]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Milesiano. Para ele a Physis era o apeiron (o ilimitado ou o indeterminado). Anaximandro viveu em Mileto no século VI a.C.. Foi discípulo e sucessor de Tales. Anaximandro achava que nosso mundo seria apenas um entre uma infinidade de mundos que evoluiriam e se dissolveriam em algo que ele chamou de ilimitado ou infinito. Não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=219&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-354" title="ANGUSTIA" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/angustia.jpg?w=300&#038;h=363" alt="ANGUSTIA" width="300" height="363" /></p>
<p style="text-align:justify;">Milesiano. Para ele a Physis era o apeiron (o ilimitado ou o indeterminado). Anaximandro viveu em Mileto no século VI a.C.. Foi discípulo e sucessor de Tales. Anaximandro achava que nosso mundo seria apenas um entre uma infinidade de mundos que evoluiriam e se dissolveriam em algo que ele chamou de ilimitado ou infinito. Não é fácil explicar o que ele queria dizer com isso, mas parece claro que Anaximandro não estava pensando em uma substância conhecida, tal como Tales concebeu. Talvez tenha querido dizer que a substância que gera todas as coisas deveria ser algo diferente das coisas criadas. Uma vez que todas as coisas criadas são limitadas, aquilo que vem antes ou depois delas teria de ser ilimitado.</p>
<p style="text-align:justify;">É evidente que esse elemento básico não poderia ser algo tão comum como a água. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular; todas as coisas são limitadas, e o limitado não pode ser, sem injustiça, a origem das coisas. Do ilimitado surgem inúmeros mundos, e estabelece-se a multiplicidade; a gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em conseqüência do movimento eterno. Para Anaximandro o princípio das coisas &#8211; o arqué &#8211; não era algo visível; era uma substância etérea, infinita. Chamou a essa substância de apeíron (indeterminado, infinito). O apeíron seria uma “massa geradora” dos seres, contendo em si todos os elementos contrários. Anaximandro tinha um argumento contra Tales: o ar é frio, a água é úmida, e o fogo é quente, e essas coisas são antagônicas entre si, portanto o elemento primordial não poderia ser um dos elementos visíveis, teria que ser um elemento neutro, que está presente em tudo, mas está invisível.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse filósofo foi o iniciador da astronomia grega. Foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico totalmente. De acordo com ele para que o vir-a-ser não cesse, o ser originário tem de ser indeterminado. Estando, assim, acima do vir-a-ser e garantindo, por isso, a eternidade e o curso do vir-a-ser. O seu fragmento refere-se a uma unidade primordial, da qual nascem todas as coisas e à qual retornam todas as coisas. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular. Do ilimitado surgem inúmeros mundos, e estabelece-se a multiplicidade; a gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em conseqüência do movimento eterno.</p>
<p style="text-align:justify;">Principais fragmentos:</p>
<p style="text-align:justify;">• “&#8230; o ilimitado é eterno&#8230;”<br />
• “&#8230; o ilimitado é imortal e indissolúvel&#8230;”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/219/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=219&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:36:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">O terceiro filósofo de Mileto foi Anaxímenes (c. 570—526 a.C.). Ele pensava que a origem de todas as coisas teria de ser o ar ou o vapor. Anaxímenes conhecia, claro, a teoria da água de Tales. Mas de onde vem a água? Anaxímenes acreditava que a água seria ar condensado. Acreditava também que o fogo seria ar rarefeito. De acordo com Anaxímenes, por conseguinte, o ar(&#8220;pneuma&#8221;) constituiria a origem da terra, da água e do fogo. Conclusão &#8211; Os três filósofos milésios acreditavam na existência de uma substância básica única, que seria a origem de todas as coisas. No entanto, isso deixava sem solução o problema da mudança. Como poderia uma substância se transformar repentinamente em outra coisa? A partir de cerca de 500 a.C., quem se interessou por essa questão foi um grupo de filósofos da colônia grega de Eléia, no sul da Itália, por isso conhecidos como eleatas</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/216/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=216&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Parmênides</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O mais importante dos filósofos eleatas foi Parmênides (c. 530-460 a.C.). “Nada nasce do nada, e nada do que existe se transforma em nada”. Com isso quis dizer que “tudo o que existe sempre existiu”.   Sobre as transformações que se pode observar na natureza: ”Achava que não seriam mudanças reais”. De acordo com ele, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=214&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">O mais importante dos filósofos eleatas foi Parmênides (c. 530-460 a.C.). “Nada nasce do nada, e nada do que existe se transforma em nada”. Com isso quis dizer que “tudo o que existe sempre existiu”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Sobre as transformações que se pode observar na natureza: ”Achava que não seriam mudanças reais”. De acordo com ele, nenhum objeto poderia se transformar em algo diferente do que era.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/214/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=214&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Início do racionalismo</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos 2]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-socráticos]]></category>
		<category><![CDATA[Racionalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Texto informativo]]></category>
		<category><![CDATA[Filósofos Pré-socráticos]]></category>

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		<description><![CDATA[        Percebia, com os sentidos, que as coisas mudam. Mas sua razão lhe dizia que é logicamente impossível que uma coisa se tornasse diferente e, apesar disso, permanecesse de algum modo a mesma. Quando se viu forçado a escolher entre confiar nos sentidos ou na razão, escolheu a razão. Essa inabalável crença [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=209&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Parmênides de Eléia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Parm%C3%AAnides_de_El%C3%A9ia"></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Percebia, com os sentidos, que as coisas mudam. Mas sua razão lhe dizia que é logicamente impossível que uma coisa se tornasse diferente e, apesar disso, permanecesse de algum modo a mesma. Quando se viu forçado a escolher entre confiar nos sentidos ou na razão, escolheu a razão. Essa inabalável crença na razão humana recebeu o nome de racionalismo. Um racionalista é alguém que acredita que a razão humana é a fonte primária de nosso conhecimento do mundo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/209/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=209&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Heráclito</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:29:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fluxo]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><span>   </span></span></strong></p>
<div id="attachment_206" class="wp-caption alignnone" style="width: 353px"><img class="size-full wp-image-206" title="heraclito2" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/heraclito2.jpg?w=343&#038;h=304" alt="Heráclito" width="343" height="304" /><p class="wp-caption-text">Heráclito</p></div>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;">     </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Um contemporâneo de Parmênides foi Heráclito (c. 540-480 a.C.), que era de Éfeso, na Ásia Menor. Heráclito propunha que a matéria básica do Universo seria o fogo. Pensava também que a mudança constante, ou o fluxo, seria a característica mais elementar da Natureza. Podemos talvez dizer que Heráclito acreditava mais do que Parmênides naquilo que percebia. Tudo flui, disse Heráclito. Tudo está em fluxo e movimento constante, nada permanece. Por conseguinte, “não entramos duas vezes no mesmo rio”. Quando entro no rio pela segunda vez, nem eu nem o rio somos os mesmos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Problema: Parmênides e Heráclito defendiam dois pontos principais diametralmente opostos. Parmênides dizia:</span></span></p>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">a) nada muda, </span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">b) não se deve confiar em nossas percepções sensoriais. </span></span></li>
</ul>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Heráclito, por outro lado, dizia:</span></span></p>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">a) tudo muda (“todas as coisas fluem”), e </span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">b) podemos confiar em nossas percepções sensoriais. </span></span></li>
</ul>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Quem estava certo? Coube ao siciliano Empédocles (c. 490-430 a.C.) indicar a saída do labirinto.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Como estudioso da physis, Heráclito acreditava que o fogo era a origem das coisas naturais.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/205/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=205&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Empédocles</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:27:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos 2]]></category>
		<category><![CDATA[Empédocles]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-socráticos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto informativo]]></category>
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		<description><![CDATA[Ele achava que os dois estavam certos: 1. A água não poderia, evidentemente, transformar um peixe em uma borboleta. Com efeito, a água não pode mudar. Água pura irá continuar sendo água pura. Por isso, Parmênides estava certo ao sustentar que “nada muda”. 2. Mas, ao mesmo tempo, Heráclito também estava certo em achar que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=203&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Empédocles" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Emp%C3%A9docles"></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Ele achava que os dois estavam certos:</span></span></p>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">1. A água não poderia, evidentemente, transformar um peixe em uma borboleta. Com efeito, a água não pode mudar. Água pura irá continuar sendo água pura. Por isso, Parmênides estava certo ao sustentar que “nada muda”. </span></span></li>
</ul>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">2. Mas, ao mesmo tempo, Heráclito também estava certo em achar que devemos confiar em nossos sentidos. Devemos acreditar naquilo que vemos, e o que vemos é precisamente que a Natureza muda. </span></span></li>
</ul>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">3. Solução &#8211; Empédocles concluiu que o que precisava ser rejeitado era a idéia de uma substância básica única. Nem a água nem o ar sozinhos podem se transformar em uma roseira ou uma borboleta. Não é possível que a fonte da Natureza seja um único “elemento”. Empédocles acreditava que a Natureza consistiria em quatro elementos, ou “raízes”, como os denominou. Essas quatro raízes seriam a terra, o ar, o fogo e a água. </span></span></li>
</ul>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">A &#8211; Como ou por que acontecem as transformações que observamos na natureza?</span></span></p>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">1. todas as coisas seriam misturas de terra, ar, fogo e água, mas em proporções variadas. Assim as diferentes coisas que existem seriam os processos naturais gerados pela aproximação e à separação desses quatro elementos. </span></span></li>
</ul>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">2. Quando uma flor ou um animal morrem, disse Empédocles, os quatro elementos voltam a se separar. Podemos registrar essas mudanças a olho nu. Mas a terra e o ar, o fogo e a água permaneceriam eternos, “intocados” por todos os componentes dos quais fazem parte. Dessa maneira, não é correto dizer que “tudo” muda. </span></span></li>
</ul>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">3. Basicamente, nada mudaria. O que ocorre é que os quatro elementos se combinariam e se separariam &#8211; para se combinarem de novo, em um ciclo. B &#8211; O que faria esses elementos se combinarem de tal modo que fizessem surgir uma nova vida? E o que faria a “mistura”, digamos, de uma flor se dissolver de novo? Empédocles pensava que haveria duas forças diferentes atuando na Natureza. Ele as chamou de amor e discórdia. Amor uniria as coisas, a discórdia as separaria. </span></span></li>
</ul>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/203/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=203&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Demócrito e a Teoria Atômica</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:26:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos 2]]></category>
		<category><![CDATA[Demócrito]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria atômica]]></category>
		<category><![CDATA[Filósofos Pré-socráticos]]></category>

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		<description><![CDATA[Para Demócrito, as transformações que se pode observar na natureza não significavam que algo realmente se transformava. Ele acreditava que todas as coisas eram formadas por uma infinidade de &#8220;pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna, imutável e indivisível&#8221;. A estas unidades mínimas deu o nome de ÁTOMOS. Átomo significa indivisível, cada coisa que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=201&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Atomismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Atomismo"></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Para </span><a title="Demócrito" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%B3crito"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Demócrito</span></span></a><span style="font-size:small;">, as transformações que se pode observar na natureza não significavam que algo realmente se transformava. Ele acreditava que todas as coisas eram formadas por uma infinidade de &#8220;pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna, imutável e indivisível&#8221;. A estas unidades mínimas deu o nome de ÁTOMOS. Átomo significa indivisível, cada coisa que existe é formada por uma infinidade dessas unidades indivisíveis. &#8220;Isto porque se os átomos também fossem passíveis de desintegração e pudessem ser divididas em unidades ainda menores, a natureza acabaria por diluir-se totalmente&#8221;. Exemplo: se um corpo – de uma árvore ou animal, morre e se decompõe, seus átomos se espalham e podem ser reaproveitados para dar origem a outros corpos.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/201/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=201&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Xenófanes</title>
		<link>http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/03/22/1-escola-jonica/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:12:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-socráticos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto informativo]]></category>
		<category><![CDATA[Xenófanes]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-socrático]]></category>
		<category><![CDATA[Tales de Mileto]]></category>

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		<description><![CDATA[    Xenófanes de Colofon     Originário da Jônia, viveu no sul da Itália. Precursor do pensamento dos Eleatas. Para ele a Physis era a terra. Escreveu em estilo poético. Defendeu a idéia de um Deus único. Tinha influência Pitagórica.    <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=194&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><img class="alignnone size-full wp-image-197" title="fogo11" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/fogo11.jpg?w=500&#038;h=375" alt="fogo11" width="500" height="375" /></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Xenófanes" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xen%C3%B3fanes"><span style="color:windowtext;">Xenófanes de Colofon</span></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Originário da Jônia, viveu no sul da </span><a title="Itália" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/It%C3%A1lia"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Itália</span></span></a><span style="font-size:small;">. Precursor do pensamento dos Eleatas. Para ele a Physis era </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">a terra. Escreveu em estilo poético. Defendeu a idéia de um Deus único. Tinha influência </span><a title="Pitágoras" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pit%C3%A1goras"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Pitagórica</span></span></a><span style="font-size:small;">.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/194/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=194&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>2. Escolas Italianas</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escolas Italianas]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Pitágoras de Samos   Representada por Pitágoras e seus seguidores &#8230; O que se conhece de Pitágoras pertence mais ao mundo da lenda que à realidade. Defendia uma doutrina mais religiosa do que filosófica. O ponto central de sua doutrina religiosa é a crença na transmigração das almas.     Pitágoras, o fundador da escola [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=190&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><img class="alignnone size-full wp-image-189" title="livros-ii" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/livros-ii.jpg?w=480&#038;h=342" alt="livros-ii" width="480" height="342" /></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:13.5pt;font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Pitágoras" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pit%C3%A1goras"><span style="color:windowtext;">Pitágoras</span></a> de Samos</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Representada por Pitágoras e seus seguidores &#8230; O que se conhece de Pitágoras pertence mais ao mundo da lenda que à realidade. Defendia uma doutrina mais religiosa do que filosófica. O ponto central de sua doutrina religiosa é a crença na transmigração das almas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Pitágoras, o fundador da escola pitagórica, nasceu em Samos pelos anos 571-70 a.C. Em 532-31 foi para a Itália, na Magna Grécia, e fundou em Crotona, colônia grega, uma associação científico-ético-política, que foi o centro de irradiação da escola e encontrou partidários entre os gregos da Itália meridional e da Sicília. Pitágoras aspirava &#8211; e também conseguiu &#8211; a fazer com que a educação ética da escola se ampliasse e se tornasse reforma política; isto, porém, levantou oposições contra ele e foi constrangido a deixar Crotona, mudando-se para Metaponto, aí morrendo provavelmente em 497-96 a.C.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/190/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=190&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>3. Escola Eleática</title>
		<link>http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/03/22/3-escola-eleatica/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 17:52:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alcmeão de Crotona]]></category>
		<category><![CDATA[Escola Eleática]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[          A Escola Eleática é presentada principalmente por: Alcmeão de Crotona Filho de Peirithoos, é um dos principais discípulos de Pitágoras. Foi jovem quando seu mestre já era avançado em anos. Seu interesse principal dirigia-se á Medicina, de que resultou a sua doutrina sobre o problema dos sentidos e da percepção. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=184&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><img class="alignnone size-full wp-image-183" title="a-vertigem-3-copia_editado" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/a-vertigem-3-copia_editado.jpg?w=499&#038;h=228" alt="a-vertigem-3-copia_editado" width="499" height="228" /></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">A Escola Eleática é presentada principalmente por:</span></span></p>
<ul style="text-align:justify;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Alcmeão de Crotona" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcme%C3%A3o_de_Crotona"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Alcmeão de Crotona</span></span></a><span style="font-size:small;"> Filho de Peirithoos, é um dos principais discípulos de Pitágoras. Foi jovem quando seu mestre já era avançado em anos. Seu interesse principal dirigia-se á Medicina, de que resultou a sua doutrina sobre o problema dos sentidos e da percepção. Alcmeão disse que só os deuses tem um conhecimento certo, aos homens só presumir é permitido. </span></span></li>
</ul>
<ul style="text-align:justify;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Parmênides de Eléia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Parm%C3%AAnides_de_El%C3%A9ia"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Parmênides de Eléia</span></span></a><span style="font-size:small;"> O acme de sua existência foi por volta de 500 a.C. Foi ele o primeiro a demonstrar a esfericidade da Terra e sua posição no centro do mundo. Segundo ele, existem dois elementos: o fogo e a terra. O primeiro elemento é criador, o segundo é matéria. Os homens nasceram da terra. Trazem em si o calor e o frio, que entram na composição de todas as coisas. O espírito e a alma sao para ele uma única e a mesma coisa. Ha dois tipos de filosofia, uma se refere a verdade e a outra a opinião. </span></span></li>
</ul>
<ul type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Zenão" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Zen%C3%A3o"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Zenão</span></span></a><span style="font-size:small;"> </span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Melisso" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Melisso"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Melisso</span></span></a><span style="font-size:small;"> </span></span></li>
</ul>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/184/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=184&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">a-vertigem-3-copia_editado</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>4. Segunda fase do pensamento pré-socrático</title>
		<link>http://filosofiaevertigem.wordpress.com/2009/03/22/4-segunda-fase-do-pensamento-pre-socratico/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 17:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anaxágoras]]></category>
		<category><![CDATA[Empédocles]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Leucipo]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-socráticos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto informativo]]></category>
		<category><![CDATA[Demócrito]]></category>

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		<description><![CDATA[Empédocles de Agrigento   Doutrina dos quatro elementos (fogo, água, terra e ar) &#8230;   Leucipo   Escola atomista.   Demócrito   Escola atomista.   Anaxágoras de Clazômena   Doutrina das Homeomerias   Anaxágoras de Clazômenas (Clazômenas, c. 500 a.C. &#8211; Lâmpsaco, 428 a.C.), filósofo grego do período pré-socrático. Nascido em Clazômenas, na Jônia, fundou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=175&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-174" title="pre-socraticos" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/pre-socraticos.jpg?w=360&#038;h=500" alt="pre-socraticos" width="360" height="500" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Empédocles" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Emp%C3%A9docles"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Empédocles de Agrigento</span></span></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Doutrina dos quatro elementos (fogo, água, terra e ar) &#8230;</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><a name="Leucipo"></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Leucipo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leucipo"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Leucipo</span></span></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Escola atomista.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><a name="Dem.C3.B3crito"></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Demócrito" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%B3crito"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Demócrito</span></span></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Escola atomista.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><a name="Anax.C3.A1goras_de_Claz.C3.B4mena"></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><a title="Anaxágoras" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anax%C3%A1goras"><span style="color:windowtext;"><span style="font-size:small;">Anaxágoras de Clazômena</span></span></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Doutrina das Homeomerias</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Anaxágoras de Clazômenas (Clazômenas, c. 500 a.C. &#8211; Lâmpsaco, 428 a.C.), filósofo grego do período pré-socrático. Nascido em Clazômenas, na Jônia, fundou a primeira escola filosófica de Atenas, contribuindo para a expansão do pensamento filosófico e científico que era desenvolvido nas cidades gregas da Ásia. Era protegido de Péricles que também era seu discípulo. Em 431 a.C. foi acusado de impiedade e partiu para Lâmpsaco, uma colônia de Mileto, também na Jônia, e lá fundou uma nova escola.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT">Escreveu um tratado aparentemente pequeno intitulado Sobre a natureza, em que tentava conciliar a existência do múltiplo frente à crítica de Parmênides de Eléia e sua escola. Afirmava que o universo se constitui pela ação do Nous (νο</span><span lang="PT"><span style="font-family:Times New Roman;">ῦ</span></span><span style="font-family:&quot;" lang="PT">ς), conceito que geralmente é traduzido por espírito, mente ou inteligência. Segundo o filósofo, o Nous atua sobre uma mistura inicial formada de sementes que contém uma porção de cada coisa. Assim, o Nous, que é ilimitado, autônomo e não misturado com nada mais, age sobre estas sementes ordenando-as e constituindo o mundo sensível. Os fragmentos preservados versam sobre: cosmologia, biologia e percepção. Esta noção de causa inteligente, que estabelece uma finalidade na evolução universal, irá repercutir em filósofos posteriores, como Platão e Aristóteles.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> <span style="font-family:&quot;" lang="PT"><span style="font-size:small;">Anaxágoras aparece ao lado de Pitágoras no quadro Escola de Atenas de Rafael, segurando a tableta com o número triangular 1+2+3+4, a sagrada tetractys dos Pitagóricos.</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/175/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=175&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pensamento pré-socrático</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2009 19:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos 2]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<p><span style="font-size:18pt;line-height:150%;font-family:&quot;" lang="PT"></p>
<div class="mceTemp"></div>
<div id="attachment_161" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-161" title="grecia" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/grecia.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Grécia Antiga" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Grécia Antiga</p></div>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:18pt;line-height:150%;font-family:&quot;" lang="PT"><strong></strong></span></p>
<div></div>
<p><span style="font-size:18pt;line-height:150%;font-family:&quot;" lang="PT"></p>
<div id="attachment_160" class="wp-caption alignnone" style="width: 353px"><img class="size-full wp-image-160" title="heraclito1" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/heraclito1.jpg?w=343&#038;h=304" alt="Heráclito" width="343" height="304" /><p class="wp-caption-text">Heráclito</p></div>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_159" class="wp-caption alignnone" style="width: 335px"><img class="size-full wp-image-159" title="tales-de-mileto" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/tales-de-mileto.jpg?w=325&#038;h=402" alt="Tales da cidade de Mileto, primeiro filósofo" width="325" height="402" /><p class="wp-caption-text">Tales da cidade de Mileto, primeiro filósofo</p></div>
</div>
<p> </p>
<p></span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/156/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=156&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O homem adestrado</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2009 18:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Laerte]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_272" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-272" title="img070" src="http://filosofiaevertigem.files.wordpress.com/2009/03/img070.jpg?w=500&#038;h=125" alt="Piratas do Tietê (Por Laerte - Folha de São Paulo)" width="500" height="125" /><p class="wp-caption-text">Piratas do Tietê (Por Laerte - Folha de São Paulo)</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofiaevertigem.wordpress.com/143/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofiaevertigem.wordpress.com&amp;blog=5455334&amp;post=143&amp;subd=filosofiaevertigem&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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