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Filosofia Medieval

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Por Rudinei Borges

1. Introdução – A Idade Média

Castelos. Torres. Grandes igrejas góticas. Sinos. Mosteiros. Bibliotecas enormes. Padres. Fé e razão. Corpo e alma. Bem e mal. Deus. Estas são as palavras e os cenários da viagem que faremos a um tempo distante, mas que influenciou decisivamente a história da humanidade: a Idade Média e a Filosofia Medieval.

Ao longo do século V d.C., o Império Romano do Ocidente sofreu ataques constantes dos “povos bárbaros”. Do confronto desses povos invasores com os romanos desenvolveu-se uma nova estruturação da vida social européia, que corresponde à Idade Média. O período medieval se estende até fim do Império Romano do oriente, com a queda de Constantinopla, no século XV(1453 d.C.), momento da retomada comercial e do renascimento urbano.

No século IV d. C., Roma foi ameaçada tanto por levas de povos que vinham do norte quanto por um processo de desintegração interna. Em 330, o imperador Constantino, o Grande, transferiu a capital do Império Romano para Constantinopla, cidade que ele próprio tinha fundado às margens do mar Negro. A partir de então, Constantinopla passou a ser conhecida como “a segunda Roma”. No ano de 395 d. C., o Império Romano foi dividido: passou a haver, então, um império Romano do Ocidente, tendo Roma como seu centro, e um Império Romano do Oriente, cuja capital era a nova cidade de Constantinopla. Em 410, Roma foi pilhada por povos bárbaros, e em 476 todo o Império Romano do Ocidente, ruiu. O Império romano do Oriente continuou a existir até 1453, ano em que os turcos tomaram Constantinopla, e desde então a cidade se chama Istambul.

Por muitos anos a Idade Média foi conhecida como a “Idade das Trevas”, um período obscuro e de idéias atrasadas, marcadas pelo declínio econômico e político do feudalismo, pelas guerras religiosas, pela “peste negra” e pelo monopólio restritivo da Igreja nos campos da educação e da cultura. Entretanto, a arte gótica com suas catedrais, a poesia lírica dos trovadores e a obra de filósofos de grande originalidade mostram o quão errônea é esta imagem.
Foi nos primórdios da Idade Média, por exemplo, que surgiram nos conventos as primeiras escolas. No século XII, as escolas das catedrais vieram se juntar às dos mosteiros das primeiras universidades. Até hoje os estudos das diferentes áreas do saber são divididos em diferentes faculdades, exatamente como na Idade Média. Durante o período medieval surgiram também as diferentes nações, com suas cidades e fortalezas, sua música própria suas narrativas populares.

Para alguns estudiosos a Idade Média foi uma longa noite de mil anos. Até hoje as pessoas empregam de modo pejorativo o termo “medieval” para designar rigidez e autoritarismo. No entanto, para outros estudiosos a Idade Média foi um período de mil anos de crescimento. Ao final dessa viagem você decidirá.

No período medieval foi reintroduzido o comércio de trocas. A economia passou a ser marcada pelo chamado feudalismo. Feudalismo significa que grandes latifundiários possuíam as terras nas quais os camponeses tinham que trabalhar a fim de ganhar o seu sustento. A Idade Média é caracterizada por um retorno ao universo rural.

A Igreja Católica (em meio ao esfacelamento do Império Romano) conseguiu manter-se como instituição social. Consolidou sua organização religiosa e difundiu o cristianismo, preservando também, muitos elementos da cultura grega e romana.

Apoiada em sua crescente influência religiosa, a Igreja, passou a exercer importante papel político na sociedade medieval. Desempenhou, às vezes, a função de órgão supranacional, conciliador das elites dominantes, contornado os problemas das rivalidades internas da nobreza feudal. Conquistou, também, vasta riqueza material: tornou-se dona de aproximadamente um terço das áreas cultiváveis da Europa ocidental, numa época em que a terra era a principal base da riqueza.

No aspecto cultural, a Igreja exerceu muita influência, traçando um quadro intelectual em que a fé cristã era o pressuposto da vida espiritual. Essa fé consistia na adesão incondicional às verdades reveladas por Deus aos homens nas Sagradas Escrituras (a Bíblia) e interpretadas segundo a autoridade da Igreja.

A consagração do cristianismo como religião oficial do Império Romano, no ano de 380 d. C., marca o inicio de uma transformação profunda nas formas de pensar do mundo antigo. A teologia (reflexão sobre Deus) torna-se rapidamente no saber supremo (teocentrismo) que todos os filósofos aspiram alcançar. Esta é a razão porque a esmagadora maioria dos filósofos medievais eram teólogos.

Tudo conduz a Deus. O mundo material surge como a manifestação da vontade divina. A própria política é formalmente submetida aos grandes princípios definidos pela religião. O indivíduo ao mesmo tempo em que se afirma como único, é limitado na sua autonomia.

2. A Filosofia Medieval

Alguns religiosos desprezavam a filosofia grega, sobretudo porque viam nessa forma de pensamento uma porta aberta para o surgimento de doutrinas contrárias as estabelecidas pela Igreja, em termos de fé, as chamadas heresias. Por outro lado, havia muitos pensadores cristãos que defendiam o conhecimento da filosofia grega, como possibilidade de instrumento a serviço do cristianismo. Conciliado com a fé cristã, o estudo da filosofia grega permitiria à Igreja enfrentar os descrentes e derrotar os hereges com as armas racionais da argumentação lógica. O objetivo era convencer os descrentes, tanto quanto possível, pela razão, para depois fazê-los aceitar a imensidão dos mistérios divinos, somente acessíveis à fé (COTRIM, 2002: 116).

Muitos pensadores afirmam que a Filosofia Medieval Cristã seguiu o caminho que parte da religião bíblica para a sua compreensão conceitual, da revelação para a teologia. Na obra de seus pensadores floresceu um mundo simultaneamente religioso e filosófico (JASPERS, 1960: 154). Para outros não se pode falar com rigor de uma filosofia cristã, se o adjetivo cristão tiver de definir um caráter da filosofia. Só podemos chamar de filosofia cristã à filosofia dos cristãos enquanto tais, isto é, a que está determinada pela atuação cristã de que parte o filósofo (MARÌAS, 2002: 119).

Como vimos temos um árduo objetivo a alcançar: estudaremos aqui um pensamento controverso e questionado por muitos pesquisadores. Mas com atenção você vai descobrir os caminhos e os problemas que os filósofos medievais se debruçaram durante anos. É importante destacar duas questões fundamentais para compreendê-los:

1. São influenciados pelo cristianismo;
2. Para resolver os problemas filosóficos eles retornaram aos pensadores da Grécia Clássica, principalmente Platão e Aristóteles.

A característica fundamental da Filosofia Medieval é a ênfase as questões teológicas como: o dogma da Trindade, a encarnação de Deus-filho, a liberdade e a salvação, a relação entre fé e razão. Vamos conhecer os dois momentos mais importantes da filosofia no período medieval: a patrística e a escolástica.

O período chamado patrística ocorre de meados do século IV ao século VIII d. C. Busca-se na patrística uma reconciliação entre a fé e a razão, sobretudo a partir da interpretação da filosofia de Platão, destaca-se a figura de Santo Agostinho.

O período chamado escolástica ocorre do século IX ao XVI d. C. Busca-se na escolástica uma sistematização da filosofia cristã, sobretudo a partir da interpretação da filosofia de Aristóteles, destaca-se a figura de Santo Tomás de Aquino.

3. A Patrística

Com o desenvolvimento do cristianismo, tornou-se necessário explicar seus preceitos às autoridades romanas e ao povo em geral. A igreja Católica sabia que esses preceitos não podiam ser impostos pela força. Tinham que ser apresentados de modo convincente (COTRIM, 2002: 118).

Os primeiros padres se empenharam na elaboração de inúmeros textos sobre a fé e a revelação cristãs. O conjunto desses textos ficou conhecido como patrística por terem sido escritos principalmente pelos grandes padres da igreja (COTRIM, 2002: 118).

Em verdade, a patrística é o esforço cristão de incorporar a filosofia grega para servir-se dela na defesa contra os ataques que lhe dirigiam. Assim, os padres da Igreja tentaram, em primeiro lugar, uma formulação intelectual dos dogmas, e, em segundo lugar, a uma discussão racional com os seus inimigos heréticos ou pagãos (MARÌAS, 2002: 119).

É relevante lembrar que dogmas são os pontos fundamentais e indiscutíveis de uma doutrina religiosa e que heréticos são os que se mostram contrários aos dogmas (AURÉLIO, 2001: 244; 362).

O projeto de conciliação entre o cristianismo e o pensamento grego teve como principal expoente o padre Agostinho, posteriormente consagrado santo pela igreja.

4. Santo Agostinho

Santo Agostinho foi religioso, teólogo e filósofo cristão. Ele sistematizou a doutrina cristã influenciado pela filosofia de Platão.

“O último dos antigos” e o “primeiro dos modernos”, santo Agostinho foi o primeiro filósofo a refletir sobre o sentido da história, mas tornou-se acima de tudo o arquiteto do projeto intelectual da Igreja Católica.

Aurélio Agostinho, em latim Aurelius Augustinus, nasceu em Tagaste, atualmente Suk Ahras, na Argélia, em 13 de novembro de 354, filho de Patrício, homem pagão e de posses, que no final da vida se converteu, e da cristã Mônica, mais tarde considerada santa. Agostinho estudou retórica em Cartago, onde aos 17 anos passou a viver com uma concubina, da qual teve um filho, Adeodato. A leitura do Hortensius, de Cícero, despertou-o para a filosofia. Aderiu, nessa época, ao maniqueísmo, doutrina de que logo se afastou. O maniqueísmo é uma doutrina persa que afirmava ser o universo dominado por dois grandes princípios opostos, o bem e o mal, mantendo uma incessante luta entre si.

Viajou para Roma e Milão, entrando em contato com o neoplatonismo, movimento filosófico do período Greco-romano, desenvolvido por pensadores inspirados por Platão, que se espalhou por diversas cidades do Império Romano. Sendo marcado por sentimentos religiosos e crenças místicas. Em 384 começou a ensinar retórica em Milão, onde conheceu santo Ambrósio, bispo da cidade.

Cada vez mais interessado pelo cristianismo, Agostinho viveu longo conflito interior, voltou-se para o estudo dos filósofos neoplatônicos, renunciou aos prazeres físicos e em 387 foi batizado por santo Ambrósio, junto com o filho Adeodato. Tomado pelo ideais cristãs, decidiu fundar um mosteiro em Tagaste, onde nascera. Nessa época perdeu a mãe e, pouco depois, o filho. Ordenado padre em 391 em Hipona, pequeno porto do Mediterrâneo, também na atual Argélia, em 395 tornou-se bispo-coadjutor, passando a titular com a morte do bispo diocesano Valério. Não tardou para que fundasse uma comunidade religiosa nas dependências da catedral.

Em sua vida e em sua obra, Santo Agostinho testemunha acontecimentos decisivos da história universal, com o fim do Império Romano e da antiguidade clássica. O poderoso estado que durante meio milênio dominara a Europa estava a esfacelar-se em lutas internas e sob o ataque dos bárbaros. Em 410 Santo Agostinho viu a invasão de Roma e, pouco antes de morrer, presenciou o cerco de Hipona. Nesse clima, em que cismas e heresias eram das poucas coisas a prosperar, ele estudou, ensinou e escreveu suas obras.

5. Pensamentos de Santo Agostinho

As obras mais importantes de Santo Agostinho são:

Da Trindade, sistematização da teologia e filosofia cristãs, divulgada de 400 a 416 em 15 volumes;

Da cidade de Deus, divulgada de 413 a 426, em que são discutidas as questões do bem e do mal, da vida espiritual e material, e a teologia da história;

Confissões, sua autobiografia, divulgada por volta de 400; e muitos trabalhos de polêmica (contra as heresias de seu tempo), de catequese e de uso didático, além dos sermões e cartas, em que interpreta minuciosamente passagens das Escrituras.

A alma

Agostinho defendeu a superioridade da alma humana, isto é, a supremacia do espírito sobre o corpo, a matéria.
A alma teria sido criada por Deus para reinar sobre o corpo, para dirigí-lo à prática do bem. O homem pecador, entretanto, utilizando-se do livre arbítrio, costuma inverter essa relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma. Provoca, com isso, a submissão do espírito à matéria, equivalente à subordinação do eterno ao transitório. Mas a verdadeira liberdade estaria na harmonia das relações humanas com a vontade de deus. Ser livre é servir a Deus, pois o prazer de pecar é a escravidão.

A liberdade

De acordo com Agostinho, a liberdade humana é própria da vontade e não da razão. E é nisso que reside a fonte do pecado. O indivíduo peca porque usa de seu livre-arbítrio para satisfazer sua vontade, mesmo sabendo que tal atitude é pecaminosa.

A razão e a fé

Agostinho também discutiu a diferença existente entre fé cristã e razão, afirmando que a fé nos faz crer em coisas que nem sempre entendemos pela razão. Ele afirmou:

Creio em tudo o que entendo, mas nem tudo que creio também entendo. Tudo o que compreendo conheço, mas nem tudo que creio conheço.

A interioridade

Agostinho pode ser considerado o primeiro pensador em nossa tradição a desenvolver, possivelmente com base em concepções neoplatônicas, uma noção de interioridade que prenuncia o conceito de subjetividade do pensamento moderno. Encontramos já em seu pensamento a oposição entre interior-exterior e a concepção de que a interioridade é o lugar da verdade, é olhando para a interioridade que o homem conhece a verdade. Por isso, ele no livro Da Trindade ele afirma “no homem interior habita a verdade” (MARCONDES, 2005: 112).

O mal

Agostinho faz uma interessante análise da idéia de mal. Para Deus é imutável e é a plenitude do ser, a perfeição máxima e o bem absoluto. A natureza do mal deve, assim, ser encontrada no conceito absolutamente contrário ao conceito de Deus como ser, ou seja, o não-ser. O mal fica, portanto, destituído de toda substancialidade. Ele seria apenas a privação do bem. O mal não existe, por assim dizer, mas a ausência do bem (PESSANHA, 1999: 19-20).

A cidade de Deus

Uma das mais belas concepções de Santo Agostinho é a da cidade de Deus. Amando-se uns aos outros no amor a Deus, os cristãos, embora vivam nas cidades temporais, constituem os habitantes da eterna cidade de Deus. Na aparência, ela se confunde com as outras, como o povo cristão com os outros povos, mas o sentido da história e sua razão de ser é a construção da cidade de Deus, em toda parte e todo tempo.

A obra de santo Agostinho, em si mesma imensa, de extraordinária riqueza, antecipa, além disso, o cartesianismo e a filosofia da existência; funda a filosofia da história e domina todo o pensamento ocidental até o século XIII, quando dá lugar ao tomismo e à influência aristotélica. Santo Agostinho morreu em Hipona, em 28 de agosto de 430 d. C.

6. A escolástica

Além da Patrística de Santo Agostinho, outro movimento filosófico importante na Idade Média foi a Escolástica, que se estende do século IX d.C ao século XVI d. C. Por Escolástica, em sentido restrito, entende-se a especulação filosófico-teológica que se desenvolveu nas escolas desde Carlos Magno até a Renascença. Essas escolas foram a princípio as catedrais e, mais tarde, as primeiras universidades.

No século VIII, Carlos Magno, imperador do sacro Império Romano, organizou o ensino e fundou escolas ligadas às instituições católicas. Com isso, todo o saber guardado nas bibliotecas dos mosteiros passou a ser divulgado. Nessas escolas ensinava-se gramática, retórica, dialética, geometria, aritmética, astronomia e música. (COTRIM, 2002: 122).

Como sistema filosófico e teológico, a escolástica tentou resolver, a partir do dogma religioso e mediante um método especulativo, problemas como a relação entre fé e razão, desejo e pensamento; a oposição entre realismo e nominalismo; e a probabilidade da existência de Deus. A história da escolástica apresenta-se, assim, como a história da razão humana em determinado momento de sua evolução, exprimindo inicialmente a alienação, na sujeição ao dogma; em seguida, a consciência da alienação, na doutrina das duas verdades; e finalmente a negação da alienação (da negação), na ruptura definitiva entre razão e fé, e na afirmação de que o real, em sua totalidade, natureza e história, é racional. Portanto, temos três fases que caracterizam a Escolástica.

Primeira fase: vai do século IX ao fim do século XII d.C. e é caracterizada pela confiança na perfeita harmonia entre fé e razão;

Segunda fase: vai do século XII ao início do século XIV d. C. e é caracterizada pela elaboração de grandes sistemas filosóficos, merecendo destaque as obras de São Tomás de Aquino. Nessa fase, considera-se que a harmonização entre fé e razão pode ser parcialmente obtida;

Terceira fase: vai do século XIV até o século XVI d.C. e é caracterizada pela decadência da Escolástica. Afirma-se a diferenças fundamentais entre fé e razão. O grande destaque é o filósofo Guilherme de Ockham.

7. Tomás de Aquino

Dentre os filósofos da Escolástica Tomás de Aquino é considerado o maior deles. Ele elaborou os princípios da doutrina cristã numa síntese filosófica que teve como base o pensamento de Aristóteles, através das traduções do filósofo árabe, Averróis.

Tomás de Aquino afirmava que “se é correto que a verdade cristã ultrapassa as capacidades da razão humana, nem por isso os princípios inatos naturalmente à razão podem estar em contradição com esta verdade sobrenatural”.
Tomás de Aquino nasceu em Nápoles, sul da Itália, em 1226, e faleceu aos 49 anos de idade num convento, em 1274. Ele foi religioso.

Em verdade, Aquino reviveu em grande parte o pensamento do filósofo grego, Aristóteles, com o objetivo de nele buscar os elementos racionais que explicassem os princípios da fé cristã. Mas ele fez uma síntese original da obra aristotélica.

Em seu livro mais famoso, “A Suma Teológica”, ele busca cinco provas para a existência de Deus.

Para Aristóteles tudo que se move é movido por outro ser. Por sua vez, este outro ser, para que se mova, necessita também que seja movido por outro ser. E assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro ser movente, cairíamos num processo indefinido. Logo, conclui Aquino, é necessário chegar a um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus.

Todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade, semelhante à flecha dirigida pelo arqueiro. Devemos admitir, então, que existe um ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Este ser é Deus, afirmava Aquino.

8. Outros filósofos

Além de Santo Agostinho e Tomás de Aquino, outros filósofos foram fundamentais para o desenvolvimento do pensamento na Idade Média.

Avicena e Averróis foram dois filósofos árabes relevantes para a divulgação da obra de Aristóteles. Também se destacam Santo Anselmo, Pedro Aberlado, Guilherme de Ockham, entre outros.

9. Guilherme de Ockhan

Guilherme de Ockham, nascido em 1280 e falecido em 1349, proclamou uma distinção absoluta entre fé e razão. De acordo com Ockham, a filosofia não é serva da teologia, e a teologia não pode sequer ser considerada ciência, pois é tão somente um corpo de proposições mantidas não pela coerência racional, mas pela força da fé. Ockham iniciou o método de pesquisa científica moderna. Seu pensamento destacou-se porque apreendeu as transformações de seu tempo: a ruptura entre a Igreja e os nascentes Estados nacionais; a perda da concepção unitária da sociedade humana, que passou a se dividir cada vez mais entre o poder temporal e o poder espiritual; a ruptura entre fé e razão, ocasionada pelo nascente desenvolvimento da razão autônoma, que buscou através da investigação empírica o conhecimento dos fenômenos naturais.

10. Considerações finais

A Filosofia Medieval foi uma freqüente e significante tentativa de explicar a fé cristã, por intermédio da razão característica da filosofia clássica da Grécia, em particular dos grandes filósofos Platão e Aristóteles. Os pensadores medievais imbuíram a filosofia de uma perspectiva ligada à fé. E entre aspectos negativos e positivos a Filosofia medieval foi um período valioso para o itinerário do pensamento filosófico. O questionamento de seus pensadores, como Okham, abriu as portas para outro tempo, em que não mais Deus estava no centro das discussões, porém o homem e a ciência. Trata-se da Filosofia Moderna.

11. Referências bibliográficas

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2002.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. Tradução de Leônidas Hegenberg e Octanny da Mota. São Paulo: Cultrix, s/d.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. 9º Ed. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2005.

MARÍAS, Julían. História da filosofia. Porto: Edições Sousa & Almeida, s/d.

SANTO AGOSTINHO. Confissões. 4. Ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Col. Os Pensadores).

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